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AURORA, a curta de ficção científica que deixa o actor Guy Kent perdido no espaço, soma duas nomeações no FilmQuest

O drama espacial a preto e branco de Angad Aulakh entra no Festival de Cinema de Malibu e o seu percurso, iniciado no HollyShorts, chega à época de prémios
Camille Lefèvre
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Angad Aulakh continua a enviar as suas personagens para muito longe de casa. A sua primeira longa-metragem, Autumn Lights, seguia na Islândia um estrangeiro a tentar decifrar a moral de uma terra estranha. Com AURORA, o cineasta norte-americano e o seu parceiro de produção de longa data, o actor Guy Kent, levam esse estranhamento até ao limite: aos confins do espaço, onde o único sobrevivente de uma catástrofe já não tem com que se medir senão o vazio, e aquilo que dele lhe responde.

É uma curta-metragem, de apenas um quarto de hora. Kent interpreta o comandante Freddie Ballard, um astronauta encalhado depois de um acidente catastrófico que, à medida que o isolamento dá lugar à revelação, encontra uma presença misteriosa que abala tudo aquilo em que acredita sobre a vida, a morte e o que existe para lá dela. A sobrevivência é a premissa, não o tema. O filme “nunca foi realmente sobre se o Freddie conseguia reparar alguma coisa e regressar à Terra”, disse Aulakh ao NetflixJunkie numa entrevista em torno da estreia; o que lhe interessava “muito mais era a ideia de renascimento”.

A scarred face emerging from darkness in the black-and-white sci-fi short AURORA
Image: Last Carnival LLC

A forma segue essa ideia. As imagens divulgadas pela Last Carnival são a preto e branco, rostos esculpidos na escuridão por faixas duras de luz. Segundo a crítica do Film Carnage, a imagem, com direcção de fotografia de Charlie Wuppermann e cenografia de Leah Berman, foi construída inteiramente com efeitos visuais, sem inteligência artificial. Aulakh conta que queria que a realidade de Freddie se tornasse “porosa”, com uma montagem guiada “mais pelo ritmo e pela associação do que pela continuidade”. E recusa-se a explicar a força que alcança o seu astronauta. É a aposta do autor em miniatura: um final por resolver, deixado em aberto de propósito.

Os festivais repararam. Depois da estreia mundial na 22.ª edição do HollyShorts Film Festival, em Agosto, AURORA foi seleccionada para a 27.ª edição do Festival de Cinema de Malibu, exibido nesta época de prémios no teatro da Writers Guild of America, em Beverly Hills. No FilmQuest, em Provo, no Utah, que decorre de 22 a 31 de Outubro, está nomeada para melhor curta de ficção científica e melhores efeitos visuais. Na próxima semana concorre ao Delta Award de melhor curta de ficção científica no Festival of Fantastic Films, no Reino Unido, e passará ainda pela 8.ª edição do Anomaly Film Festival, em Rochester, e pelo Toronto Arthouse Film Festival.

An astronaut in a flight suit with a Ballard name patch, lit through a grille, in AURORA
Image: Last Carnival LLC

Aulakh, formado na HALF Initiative da Ryan Murphy Television, e Kent chegam com currículo. Os seus filmes anteriores em conjunto, The Atomic Dream, elegível para os Óscares, e Resurrektor, elegível para os Óscares e os BAFTA, somam 33 prémios em festivais e 49 nomeações, segundo o comunicado, e The Atomic Dream chegou às salas da América do Norte através da Filmocracy e da iGems. AURORA conta ainda com Jennalyn Ponraj, Robert Diago DoQui e Ethan Daniel Corbett.

As primeiras citações da crítica reunidas pela produção detêm-se nas imagens. Steve Kopian, do Unseen Films, escreveu que o filme tem “imagens que superam a grande maioria do que Hollywood produziu na última década”. Os seus autores já disseram que o filme termina sem resolução. O seu percurso pelos festivais, para já, continua a somar capítulos.

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