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Angad Aulakh, do drama islandês Autumn Lights à curta AURORA que quer ser série

Penelope H. Fritz
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Angad Aulakh
OcupaçãoRealizador, argumentista e produtor

Um astronauta jaz no chão de uma estação espacial em ruínas, aos gritos, convencido de que nunca conseguirá regressar a casa. Angad Aulakh diz que foi a partir dessa imagem que nasceu AURORA, e a curta-metragem que construiu à sua volta dura cerca de quinze minutos, foi feita com um orçamento independente e parece o primeiro ato de algo muito mais dispendioso. Essa diferença é o método. Aulakh e o seu parceiro de produção, o ator Guy Kent, querem agora que a curta deixe de ser curta: estão a desenvolvê-la como uma antologia televisiva, ainda sem distribuidora associada.

A ambição condiz com uma obra em que os protagonistas acabam repetidamente isolados, longe de tudo o que conhecem. A sua primeira longa-metragem deixou um fotógrafo americano à deriva na Islândia rural; a mais recente leva o comandante Freddie Ballard, interpretado por Kent, até aos confins do espaço. Pelo meio, surgiram duas curtas passadas muito mais perto da sala de estar: um pesadelo da Guerra Fria e uma história de terror sobre o luto. Foram esses filmes de pequena escala que mantiveram o seu nome em circulação durante a maior parte de uma década.

Aulakh é argumentista, realizador e produtor indo-americano, e pouco se sabe publicamente sobre os primeiros anos da sua vida. A sua carreira é mais fácil de acompanhar através de Kent, seu amigo há quase quinze anos, segundo as contas do próprio. Os dois estão à frente da Last Carnival, produtora que partilham com a advogada Ashley M. Kent. Antes da primeira longa-metragem, conta Kent, desenvolveram três projetos distintos em cerca de nove meses, cada um mais próximo daquilo que os investidores precisavam de ver. Essa paciência permitiu-lhes captar investimento privado nos Estados Unidos antes de se juntar qualquer parceiro estrangeiro.

A Islândia veio a seguir, em parte pelo isolamento que o argumento exigia e em parte pelos incentivos à coprodução. Aulakh, que escreveu e realizou o filme, juntou-se a Davíd Óskar Ólafsson e Árni Filippusson, produtores de Metalhead, de Ragnar Bragason, e de Either Way, o filme que David Gordon Green refez como Prince Avalanche. Rodado na região de Þingvellir e num estúdio de Reiquiavique, com uma equipa maioritariamente islandesa, Autumn Lights deu a Kent o papel de um fotógrafo que encontra um corpo numa costa remota e acaba envolvido no casamento de uma italiana, interpretada por Marta Gastini, com o marido islandês, interpretado por Sveinn Ólafur Gunnarsson. A Freestyle estreou-o nas salas norte-americanas e em vídeo a pedido no mesmo dia, 21 de outubro de 2016, e o filme chegou aos cinemas do norte da Europa duas semanas depois.

A receção é a parte que os materiais de imprensa tendem a deixar de fora. Alguns críticos destacaram a atmosfera: o Village Voice ouviu «uma explosão de melancolia silenciosa e gélida», e Michael Calleri escreveu no Niagara Gazette que «Aulakh é bem-sucedido». Outros foram mais contundentes. A Slant Magazine reconheceu-lhe o mérito de evitar a Islândia de postal ilustrado dos vídeos turísticos, mas considerou o filme moralista e «inequivocamente misógino» na forma como julgava os desejos da protagonista. Roger Moore, do Movie Nation, apreciou a sensação de isolamento do lugar, mas achou todas as interpretações, à exceção da de Gastini, tão inertes como uma pintura. Em Itália, o Riviera International Film Festival nomeou o filme para melhor longa-metragem e Aulakh para melhor realizador. Nomeações, não prémios — e a última vez que competiria na categoria de longa-metragem.

Não se seguiu uma segunda longa-metragem. Em vez disso, Aulakh participou na HALF Initiative, de Ryan Murphy, um programa criado para abrir oportunidades de realização a mulheres e a cineastas de grupos sub-representados, e trabalhou no episódio de estreia da segunda temporada de 9-1-1, carregado de efeitos práticos e digitais. Disse ao MCM que acompanhar uma produção daquela dimensão do princípio ao fim lhe ensinou a importância da preparação, da comunicação e da colaboração quando a ambição passa a depender da técnica. Tudo o que fez desde então parece pôr essa lição à prova.

The Atomic Dream, lançado em 2022, tem dez minutos e passa-se nos dias que se seguiram ao assassinato de John F. Kennedy. Kent interpreta Frank, genro de uma mulher — interpretada por Marchand Storch — que vê as notícias na televisão convencida de que está iminente uma guerra nuclear, na companhia de um ursinho de peluche chamado Rodney. A fotografia é de Charlie Wuppermann, diretor de fotografia galardoado com um Emmy por Kedi, e uma breve passagem pelas salas através da Filmocracy e da iGems tornou o filme elegível para consideração nos Óscares. No ano seguinte, chegou Resurrektor, coescrito com Taylor Sardoni: Taylor Cooper interpreta uma jovem que encontra um livro capaz de trazer de volta a irmã morta. Chris Salce, da Film Threat, colocou-o no topo da sua lista das melhores curtas de 2023. Segundo os números da própria produção, os dois filmes arrecadaram, em conjunto, 33 prémios em festivais e 49 nomeações.

AURORA leva a aposta visual mais longe do que nunca. Foi filmado a preto e branco, num estúdio construído em torno de um cenário já existente, com efeitos visuais de Stuart Lippincott, Ian Mills Miller e Adam Spizak e, segundo a Film Carnage, sem qualquer recurso a IA. «Não acredito que recursos limitados devam significar possibilidades limitadas», disse Aulakh ao MCM. A mesma crítica da Film Carnage que elogiou a escala considerou a história menos desenvolvida do que as imagens e achou que o final tentava ir mais longe do que conseguia sustentar. É uma leitura justa de um realizador cujos filmes partem de uma imagem e cujos críticos, desde a Islândia, tendem a elogiar primeiro essa imagem. Aulakh não pede desculpa pelo final em aberto. Disse ao NetflixJunkie que não queria explicar a presença que chega até Freddie, nem «reduzi-la a um conjunto de regras».

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O ano de festivais tem sido generoso. AURORA teve a estreia mundial no HollyShorts, em Los Angeles, em agosto de 2026, e integrou depois a programação da 27.ª edição do Malibu Film Festival, com sessões no Writers Guild of America Theater, em Beverly Hills. No FilmQuest, em Provo, no Utah, que decorre até 31 de outubro, está nomeado para melhor curta de ficção científica e melhores efeitos visuais; no Reino Unido, o Festival of Fantastic Films nomeou-o para o prémio Delta. O Anomaly Film Festival, em Rochester, e o Toronto Arthouse Film Festival também o incluíram na programação. Jennalyn Ponraj, Robert Diago DoQui e Ethan Daniel Corbett completam o elenco.

O passo seguinte é a televisão. Aulakh disse ao MCM que a série acompanharia a forma como pessoas de diferentes culturas, origens e sistemas de crenças reagem às forças desencadeadas pela curta; Kent descreve a história de Freddie como «apenas uma peça de um mundo maior». Há também um argumento para uma longa-metragem de Resurrektor, escrito com Sardoni, que a Last Carnival afirmou querer produzir. Dez anos depois de Autumn Lights, o próximo projeto de longa duração de Aulakh depende de um comprador aceitar uma curta de quinze minutos como prova de que o mundo que criou se aguenta.

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