Música

My Chemical Romance alcançam o primeiro número um nos EUA com The Black Parade

As variantes em vinil e uma digressão de aniversário com mais de um ano levaram o disco ao topo. O novo álbum continua a ser uma promessa sem data
Alice Lange
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A melhor semana de sempre de My Chemical Romance numa tabela norte-americana deveu-se, em grande medida, a pessoas que compraram um álbum que já sabiam de cor. The Black Parade chegou finalmente ao topo da principal tabela de álbuns dos EUA, e a maior parte da cobertura mediática está a apresentá-lo como uma consagração. É um feito singular. É também o retrato mais nítido até agora daquilo em que a banda se tornou nesta segunda vida: uma operação de digressões e catálogo a todo o gás, em torno de um disco de outra década.

Foram os fãs que conseguiram isto, com o dinheiro que gastaram, e isso merece respeito, não escárnio. Mas um álbum no topo graças a uma reedição de aniversário responde a uma pergunta que, na verdade, ninguém estava a fazer — se as pessoas ainda adoram The Black Parade — e deixa no ar a questão mais importante. Gerard Way, o vocalista da banda, abordou-a em palco e deu uma resposta honesta: não sabe quando.

Como uma reedição chega ao topo da Billboard 200

Os números publicados pela Billboard para esta semana mostram de que tipo de vitória se trata. The Black Parade saltou do 139.º lugar para o Nº 1 da Billboard 200, com 78.000 unidades equivalentes a álbuns, segundo a Luminate, empurrando you seem pretty sad for a girl so in love, de Olivia Rodrigo, para o Nº 2. O álbum estreou-se e atingiu o seu melhor resultado no 2.º lugar aquando do lançamento, em 2006, e manteve-se como o álbum da banda mais bem classificado até agora. Do total desta semana, 68.000 unidades corresponderam a vendas diretas do álbum, das quais 42.000 em vinil — a melhor semana de sempre da banda nesse formato. O streaming acrescentou cerca de 10.000 unidades, mais 34%; as vendas cresceram mais de 2.000%.

A reedição esteve disponível em mais de 20 variantes físicas, em vinil, CD e cassete, incluindo edições autografadas, e a Billboard contabiliza todas as versões em conjunto. É uma campanha pensada para colecionadores, e uma fórmula conhecida. A própria Billboard aponta o precedente mais próximo para um salto desta dimensão: Fearless (Taylor’s Version), de Taylor Swift, que subiu do 157.º lugar para o Nº 1 em 2021, depois de terem sido postas à venda versões autografadas em CD e vinil. Os mesmos mecanismos de super fãs que funcionam para a maior estrela pop também resultaram agora para um álbum de rock de 2006.

O conjunto foi concebido para ser comprado mais do que uma vez. The Black Parade (20th Anniversary), lançado no final de outubro pela Reprise Records, acrescenta seis faixas bónus: três gravações ao vivo de um concerto de 2007 no Maxwell’s, um clube com capacidade para 200 pessoas em Hoboken, e três lados B favoritos dos fãs. James Jean, o artista cujo trabalho definiu a apresentação inicial do disco, criou três novas ilustrações para esta edição. As prensagens vão desde um vinil Bloodline Red exclusivo a uma edição holográfica gravada a laser e a um pacote One Step limitado, produzido a partir da master analógica original. Em julho, a banda fez o mesmo com Danger Days: uma edição de luxo com nove faixas bónus, vinil ilustrado e zoótropo, além de uma prensagem exclusiva da digressão, vendida nos concertos.

A digressão que vende o disco

Depois, há o palco. Desde o verão de 2025, My Chemical Romance têm tocado The Black Parade do princípio ao fim na digressão Long Live The Black Parade, uma produção teatral que recupera o alter ego Black Parade da banda e o coloca num Estado autoritário fictício chamado Draag. A digressão passou por estádios de basebol em todo o território norte-americano e pelo Wembley Stadium, em Londres, e encerrou a etapa norte-americana com cinco noites consecutivas no Hollywood Bowl, em outubro, ainda em curso quando a reedição foi lançada. Termina no final deste mês, na Indonésia. Na prática, a digressão tem funcionado como um anúncio diário a um único álbum, e esta semana nas tabelas mostra que o público respondeu.

O novo álbum que ninguém anunciou

O que a banda não fez durante todo este tempo foi lançar música nova. Desde que se reuniram, em 2019, My Chemical Romance lançaram oficialmente uma única canção: The Foundations of Decay, em 2022. O seu produtor, Doug McKean, colaborador de longa data que tinha trabalhado em The Black Parade, morreu menos de dois meses depois. Num concerto em estádio em San Antonio, em setembro, Way disse ao público que «as coisas mudaram» depois dessa perda, que a banda «sempre quis fazer outro disco» e que os fãs «merecem outro disco». Depois acrescentou: «Não sei quando será.» A Entertainment Weekly, que noticiou estas declarações, assinalou que não foram anunciados título, data de lançamento ou calendário. Um novo álbum seria o primeiro desde Danger Days, de 2010.

É isso que torna este Nº 1 um pouco estranho. The Black Parade detém agora o recorde do maior intervalo entre o lançamento de um álbum e a sua chegada ao topo da Billboard 200, ultrapassando 35 Biggest Hits, de Toby Keith, e a banda esperou 22 anos e quatro meses entre a sua primeira entrada na tabela, com Three Cheers for Sweet Revenge, e o primeiro álbum a chegar ao Nº 1. O recorde pertence ao passado, não a um novo capítulo. Também se enquadra no ano: edições de aniversário de Rubber Soul, dos The Beatles, The Divine Feminine, de Mac Miller, e B’Day, de Beyoncé, regressaram todas ao top 10 norte-americano em 2026. No Reino Unido, onde The Black Parade também se tornou o primeiro álbum da banda a chegar ao Nº 1, a reedição de Back to Black, de Amy Winehouse, entrou para o 4.º lugar da mesma tabela.

Venderam-se 42.000 cópias de The Black Parade em vinil numa única semana, duas décadas depois de o álbum ter sido lançado. Nenhuma editora poderia pedir um argumento mais forte a favor de um quinto álbum de My Chemical Romance. A existência desse álbum continua a depender dos quatro músicos que, nas palavras do próprio vocalista, não sabem quando.

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