Líderes Empresariais

Jensen Huang: da NVIDIA ao centro de uma batalha geopolítica pelos chips de IA

Penelope H. Fritz
Jensen Huang
Photo: Photographer: Peter Dasilva / CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento17 de fevereiro de 1963
Tainan
OcupaçãoCofundador e CEO da NVIDIA
PrémiosMedalha dos Fundadores IEEE u00b7 Pru00e9mio Rainha Isabel para Engenharia u00b7 Time 100

Quando Jensen Huang declinou, em junho de 2026, o convite da senadora Elizabeth Warren para testemunhar perante o Senado americano sobre o negócio chinês da NVIDIA, tornou explícito algo que se vinha acumulando. Os chips da empresa americana alimentam o desenvolvimento de inteligência artificial nos Estados Unidos — e alimentavam, até as restrições de exportação entrarem em vigor, boa parte do equivalente na China. Huang entende que não é um problema criado pela sua empresa. Washington tem uma leitura diferente.

Huang nasceu em Taipé, Taiwan, filho de um engenheiro químico e de uma professora primária. Os seus pais enviaram-no para os Estados Unidos aos nove anos junto com o irmão, convictos de que o Oneida Baptist Institute no Kentucky era uma escola de prestígio. Não era. Huang chegou com parcos conhecimentos de inglês a uma escola rural onde era o único aluno asiático. Distinguiu-se no ténis de mesa — bem o suficiente para aparecer na Sports Illustrated aos catorze anos.

Completou o ensino secundário no Oregon aos dezasseis anos e trabalhou durante anos como lavador de pratos num Denny’s enquanto fazia licenciatura em engenharia electrónica na Oregon State University. Fez o mestrado em Stanford nas aulas da noite, enquanto trabalhava de dia na LSI Logic com Chris Malachowsky e Curtis Priem. Em 1993, os três encontraram-se num outro Denny’s e fundaram a NVIDIA com seiscentos dólares no total.

Os primeiros anos quase foram os últimos. Os chips iniciais da NVIDIA usavam uma geometria gráfica diferente do padrão da indústria. O investimento de cinco milhões de dólares da Sega deu tempo para corrigir o erro. Quando a RIVA 128 se tornou a placa gráfica mais vendida da história em agosto de 1997, a empresa tinha reservas para cerca de um mês de salários.

A GPU — termo cunhado pela NVIDIA — chegou em 1999, no ano da entrada em bolsa, e transformou a empresa na força dominante do mercado de gráficos para PC. A série GeForce definiu durante duas décadas o que era uma placa gráfica de consumo. A decisão seguinte foi o CUDA em 2006, plataforma que abria as GPUs ao processamento paralelo de uso geral. Em 2012, a AlexNet venceu uma competição de reconhecimento de imagens com uma margem que obrigou a comunidade científica a reconsiderar. O mercado de centros de dados que se seguiu tornou o de jogos secundário.

O que aconteceu após o lançamento do ChatGPT em 2022 exige uma escala diferente. A NVIDIA passou a ser o estrangulamento que determinava o ritmo de toda a indústria de IA. A procura de chips H100 superou a oferta em proporções que transformaram o acesso à capacidade de processamento num instrumento geopolítico. Em outubro de 2025, a NVIDIA tornou-se a primeira empresa cotada a ultrapassar os cinco biliões de dólares de capitalização bolsista.

É aqui que a posição de Huang se torna difícil de manter sem contradição. Chamou às restrições americanas à exportação de chips para a China uma “mentalidade de perdedor”, argumentando que a China já controla sessenta por cento da capacidade mundial de produção de chips. Em maio de 2026 reconheceu que a NVIDIA tinha “em larga medida cedido” o mercado chinês de chips de IA à Huawei. Quando a senadora Warren o convidou para testemunhar em junho de 2026, recusou. No mesmo ano, aceitou a nomeação do presidente Trump para o Conselho de Assessores em Ciência e Tecnologia.

A conferência GTC 2026 de março projectou uma procura de quinhentos mil milhões de dólares em chips Blackwell e identificou um mercado potencial de duzentos mil milhões em processadores para agentes de IA. O IEEE atribuiu-lhe a Medalha de Honra em janeiro de 2026; a Time elegeu-o uma das Personalidades do Ano 2025, entre os “Arquitectos da IA.”

É casado desde 1985 com Lori Mills, conhecida como parceira de laboratório no Oregon. Os seus dois filhos, Spencer e Madison, trabalham na NVIDIA. É primo afastado de Lisa Su, CEO da AMD — parentesco que nenhum dos dois conhecia até Su chegar à liderança da empresa rival.

As arquitecturas Blackwell e Rubin prolongam a vantagem computacional da NVIDIA por vários anos. Se o homem que construiu a empresa de hardware mais indispensável do mundo é também capaz de gerir a sua posição geopolítica — a partir de dentro da contradição que escolheu não resolver — é a questão que o próximo capítulo terá de responder.

Etiquetas: , , , , ,

Discussão

Existem 0 comentários.