Líderes Empresariais

Elon Musk e o paradoxo de construir o futuro enquanto destrói pontes no presente

Penelope H. Fritz
Elon Musk
Elon Musk
Photo: Ministério Das Comunicações / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento28 de junho de 1971
Pretoria
OcupaçãoCEO da SpaceX, Tesla e X; fundador da Neuralink, xAI e The Boring Company
PrémiosMedalha de Ouro da Royal Aeronautical Society u00b7 Medalha John Fritz u00b7 Pru00e9mio Memorial NSS Wernher Von Braun

Há uma imagem do verão de 2025 que captura algo de fundamental sobre Elon Musk: o homem mais rico do planeta, proprietário de uma rede social com alcance global, fundador da empresa aeroespacial mais avançada da história recente, a trocar insultos públicos com o presidente dos Estados Unidos na plataforma que ele próprio possui. Trump ameaçou expulsá-lo do país. Musk acusou-o de encobrir documentos relacionados com Jeffrey Epstein. A disputa durou meses. Resolveu-se num jantar. Não foi a primeira vez que Musk transformou um confronto em algo que parecia sem precedentes — e provavelmente não será a última.

Nascido a 28 de junho de 1971 em Pretória, a capital administrativa da África do Sul, cresceu num país que cedo decidiu abandonar. O seu pai, Errol Musk, era engenheiro e empresário imobiliário; a mãe, Maye Musk, modelo e nutricionista, continuaria a trabalhar bem depois de o filho ter construído o primeiro foguete. Os seus pais divorciaram-se quando ele tinha nove anos. Aos dezassete partiu sozinho para o Canadá — oficialmente para estudar na Universidade Queen’s de Ontário, na prática para fugir ao serviço militar obrigatório num Estado que rejeitava. Transferiu-se depois para a Universidade da Pensilvânia, onde concluiu simultaneamente uma licenciatura em Economia e outra em Física.

A primeira fortuna não tem nada de glamoroso. A Zip2, uma startup de guias de cidades online fundada com o irmão Kimbal em 1995, foi adquirida pela Compaq em 1999 por 307 milhões de dólares. Musk recebeu 22 milhões e reinvestiu-os quase de imediato no X.com, um serviço de pagamentos online que se fundiu com a Confinity para se tornar PayPal, vendido ao eBay em 2002. A sua participação rendeu-lhe cerca de 165 milhões de dólares, que distribuiu por três apostas que o mercado considerava destinadas ao fracasso: uma empresa de foguetes, um construtor de automóveis elétricos e uma firma de energia solar.

A SpaceX flertou com a falência. Os três primeiros lançamentos do Falcon 1 terminaram em explosões. O quarto, em setembro de 2008, foi bem-sucedido quando a empresa estava a poucos dias de fechar as portas. Este padrão — proximidade da catástrofe, sobrevivência, transformação permanente de um setor — repetiu-se com a Tesla, que esteve à beira da falência em 2019, e caracteriza a lógica de fundo do método Musk. A aterragem do primeiro estágio reutilizável do Falcon 9 numa plataforma flutuante em 2015 alterou a economia do acesso ao espaço. A Starlink conta com mais de 9.600 satélites ativos no início de 2026 e chega a regiões que nenhum operador terrestre alcança. Em 2020, a SpaceX tornou-se a primeira empresa privada a transportar astronautas para a Estação Espacial Internacional.

A dimensão de Musk que os seus apoiantes preferem não escrutinar é inseparável da pessoa. A aquisição do Twitter por 44 mil milhões de dólares em 2022 foi seguida de despedimentos massivos que abrangeram cerca de 80% dos trabalhadores, de alterações à moderação de conteúdos que afastaram anunciantes, e de uma transformação da plataforma no seu canal de comunicação principal. O Departamento de Eficiência Governamental que liderou a partir de janeiro de 2025 reivindicou poupanças de 215 mil milhões de dólares através de métodos que os tribunais federais suspenderam por várias vezes. A filha Vivian Wilson, que mudou de nome após assumir publicamente a sua identidade transgénero, declarou não querer qualquer relação com o pai. A disputa com Trump no verão de 2025 revelou que até as alianças mais estratégicas de Musk têm prazo de validade.

A IPO da SpaceX em junho de 2026 — 75 mil milhões de dólares captados, avaliação superior a dois biliões de dólares no primeiro dia na Nasdaq — foi a confirmação financeira de uma aposta iniciada com capital próprio em 2002. Em fevereiro de 2026, a SpaceX adquiriu a xAI, a empresa de inteligência artificial que Musk fundou em 2023, incluindo o assistente Grok e o supercomputador Colossus. A entidade resultante concorre simultaneamente com a OpenAI em IA, com a Boeing em voos espaciais comerciais e com operadores de telecomunicações em internet por satélite. Forbes e Bloomberg estimam a fortuna de Musk entre 735 e 852 mil milhões de dólares em junho de 2026, com projeções que o colocariam como o primeiro trilionário da história. Tem entre doze e catorze filhos com quatro mulheres. Os próximos marcos confirmados são lançamentos de produtos: o robô humanoide Optimus da Tesla e o táxi autónomo Cybercab. O ritmo não abranda.

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