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Luke Kirby, o Lenny Bruce dos Emmy que regressou ao Canadá para usar crachá de polícia

Penelope H. Fritz
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Luke Kirby
Luke Kirby
Photo: David Shankbone / CC BY 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento21 de junho de 1978
Hamilton, Ontario, Canada
OcupaçãoAtor
Conhecido porJuntos Para Sempre, Vidro, O Melhor Jogo da História
PrémiosEmmy

Durante a maior parte da última década, a personagem que acompanhava Luke Kirby em todas as audições era um homem de quem a polícia não conseguia largar. Lenny Bruce foi preso vezes sem conta por aquilo que dizia ao microfone, condenado por obscenidade em Nova Iorque e morreu antes de assistir à queda, uma a uma, das leis que desafiara. Kirby interpretou-o em The Marvelous Mrs. Maisel com tal naturalidade que uma participação especial se tornou a consciência da série, e a interpretação valeu-lhe um Emmy numa categoria que ainda soa a mero pormenor técnico. Neste outono, o ator que levou uma geração de espectadores a interessar-se por um comediante perseguido pela polícia entra numa sala de esquadra que também é sua: é o sargento-detetive John Darcy, o novo investigador de homicídios de Law & Order Toronto: Criminal Intent, no país onde nasceu.

A mudança diz algo sobre a forma como Kirby construiu a carreira. Nunca foi o tipo de ator que permanece no papel que o tornou famoso. Depois de Bruce, interpretou Ted Bundy. Depois de Bundy, deu vida ao advogado de defesa F. Lee Bailey; a seguir, a um pai que apoia a filha com deficiência contra uma escola que a subestima; depois, ao diretor brilhante e instável de uma companhia de bailado nova-iorquina; e, por fim, ao filho mais perigoso de uma família criminosa. O fio condutor não é um tipo de personagem. É uma certa inteligência em cena: homens que falam mais depressa do que os que os rodeiam e que, muitas vezes, estão um passo à frente da própria queda; e uma recusa obstinada em ficar muito tempo no mesmo lugar.

Hamilton, pais americanos e formação clássica

Luke Farrell Kirby nasceu em Hamilton, no Ontário, em junho de 1978, filho de pais americanos. A mãe era do Brooklyn; o pai, como Kirby disse certa vez, cresceu «ao longo da costa leste». O casal tinha deixado Nova Iorque rumo ao Canadá em 1974, quatro anos antes do nascimento do filho. Essa herança dividida — uma infância canadiana com vozes nova-iorquinas à mesa — viria a revelar-se útil para um ator que passou grande parte da carreira a interpretar americanos, em particular nova-iorquinos, sem que ninguém percebesse que o sotaque fora aprendido, e não herdado.

Começou a representar na adolescência e foi admitido na National Theatre School of Canada, em Montreal, uma escola de teatro centrada no repertório clássico. Formou-se em maio de 2000. A ênfase da escola no texto, na voz e na resistência física nota-se nos trabalhos que se seguiram: Kirby está no seu melhor em papéis nos quais se consegue ouvir o pensamento da personagem, em que o ritmo das falas revela tanto como as próprias palavras. Bruce, cujo número consistia essencialmente num homem a pensar em público, viria a assentar-lhe quase na perfeição.

Duas audições e um começo fulgurante

A passagem da escola para o trabalho foi abrupta. Poucas semanas depois de se formar, e após duas audições, já trabalhava em dois projetos ao mesmo tempo: Haven, uma minissérie produzida para a CBS e a Alliance, e Lost and Delirious, o drama de Léa Pool passado num internato feminino, no qual interpretou Jake Hollander. Foi o seu primeiro papel numa longa-metragem. Nesse mesmo ano, interpretou Morgan em Geometry in Venice, no Factory Theatre, em Toronto, numa atuação que lhe valeu uma nomeação para os Dora Mavor Moore Awards; depois, atravessou a fronteira para Nova Iorque, onde interpretou Pátroclo numa produção de Troilus and Cressida da Theatre for a New Audience, encenada por Peter Hall.

Os primeiros créditos no ecrã mostram um ator disposto a aceitar quase tudo, enquanto se encaminhava discretamente para material mais exigente. Interpretou Jim em Halloween: Resurrection, uma sequela de terror de que ninguém se lembra pela representação. Mas, em 2003, protagonizou Mambo Italiano, a comédia de Émile Gaudreault sobre Angelo Barberini, um jovem de Montreal que tenta contar à família italiana que é gay. O filme teve uma sessão de gala no Festival Internacional de Cinema de Toronto, onde foi aplaudido de pé, e valeu a Kirby uma nomeação para os Canadian Comedy Awards. Nesse mesmo ano, participou em Shattered Glass, o drama de Billy Ray sobre o jornalista que inventava histórias, Stephen Glass, num papel escrito para ele, e protagonizou Luck, de Peter Wellington, ao lado de Sarah Polley.

Wellington, seu amigo, também o dirigiu na série televisiva que Kirby apontou como um dos seus trabalhos preferidos: Slings & Arrows, a comédia canadiana sobre um atribulado festival de Shakespeare, na qual interpretou o ator de cinema Jack Crew, escolhido para fazer de Hamlet para vender bilhetes, mas completamente fora de pé na representação em verso. Há uma pequena ironia no facto de Kirby, com formação clássica, interpretar o único ator da companhia incapaz de lidar com Shakespeare; e fê-lo com evidente prazer.

Anos de trabalho como ator

Entre os vinte e poucos e os trinta e muitos anos, Kirby fez o trabalho pouco glamoroso de que se constrói a maioria das carreiras. Em 2004, participou em Sex Traffic, a minissérie de David Yates para o Channel 4 e a CBC sobre o tráfico de seres humanos na Europa, e foi nomeado para um Gemini Award; nesse mesmo ano, recebeu uma segunda nomeação para os Gemini, por um papel convidado em The Eleventh Hour. No outono de 2005, filmou Tell Me You Love Me, da HBO, parcialmente realizada por Patricia Rozema: um drama franco sobre casais em terapia, que estreou em 2007. Protagonizou a série canadiana Cra$h & Burn no papel de Jimmy Burn, um perito de seguros sem mãos a medir, e recebeu uma terceira nomeação para os Gemini, desta vez para melhor ator num papel principal dramático contínuo.

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No cinema, protagonizou All Hat, um western canadiano passado numa região de criação de cavalos, ao lado de Rachael Leigh Cook e Keith Carradine; interpretou Frank Hoyt no drama sobre golfe The Greatest Game Ever Played, participou em The Stone Angel e contracenou com Lindsay Lohan em Labor Pains. Em 2011, Sarah Polley, já realizadora, escolheu-o para interpretar Daniel, o vizinho que seduz uma mulher casada, interpretada por Michelle Williams, em Take This Waltz. O papel exigia que fosse, ao mesmo tempo, a promessa romântica e aquilo que destrói uma vida, e Kirby conseguiu fazê-lo sem transformar Daniel num vilão. Seguiu-se The Samaritan, que lhe valeu uma nomeação para os ACTRA Awards; depois, vieram Empire of Dirt, Touched with Fire, A Dog’s Purpose, Little Woods e Glass, de M. Night Shyamalan.

Entretanto, a televisão americana descobriu nele um ator convidado fiável. Passou por Law & Order, Law & Order: Special Victims Unit e, em 2009, Law & Order: Criminal Intent, além de Flashpoint, Elementary, Person of Interest, Blue Bloods, Bull, Blindspot e a nova versão de The Twilight Zone. Interpretou o advogado Harry McGrath tanto em The Good Wife como em The Good Fight. Os papéis recorrentes foram ainda melhores: Jon Stern, o tenaz advogado de defesa que luta por um homem libertado do corredor da morte em Rectify, da SundanceTV; Max Kaplan em The Astronaut Wives Club; Edwin McAmis em Show Me a Hero, de David Simon; e Gene Goldman em The Deuce, da HBO.

Continuou a voltar aos palcos, o que diz muito sobre aquilo que valoriza. Protagonizou Defender of the Faith no Irish Repertory Theatre, em Nova Iorque, participou em Jump/Cut, da Women’s Project, representou Habitat, de Judith Thompson, na Canadian Stage, e The Good Life, de Daniel Brooks, no Tarragon, além de interpretar o pastor Hidge em Too Much, Too Much, Too Many. Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, acabado de receber um Emmy, voltou a escolher o caminho mais exigente: Judgment Day, de Ödön von Horváth, no Park Avenue Armory, em que interpretou Thomas Hudetz, um chefe de estação provinciano cuja vida desaba após um único momento de distração.

Lenny Bruce e o convidado que tomou conta da série

Kirby juntou-se a The Marvelous Mrs. Maisel na primeira temporada, em 2017. A comédia de Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino sobre Midge Maisel, uma dona de casa do Upper West Side que se lança na comédia de palco no final dos anos 50, precisava de um comediante real para dar consistência à personagem fictícia, e Lenny Bruce era a escolha óbvia: o homem que transformou a comédia de palco, antes uma sucessão de piadas, em confissão, crítica social e provocação. O Bruce de Kirby é o primeiro profissional a tratar Midge como uma igual: um homem sarcástico, ternurento e exausto, que aparece sempre no preciso momento em que ela precisa de ouvir algo desagradável.

Luke Kirby
Luke Kirby em The Marvelous Mrs. Maisel (2017)

A preparação foi mais documental do que teatral. Viu as gravações de atuações de Bruce que sobreviveram e leu o livro sobre o comediante escrito pela filha, Kitty Bruce. Disse que as gravações se tornavam mais engraçadas à medida que compreendia melhor a época em que foram feitas. O peso que sentia era pessoal. Bruce foi um homem real, com uma família real, e Kirby afirmou que, quando a série começou, a pessoa que mais receava ofender era Kitty Bruce. Ela visitou o estúdio durante a segunda temporada e, nas palavras dele, mostrou-se incrivelmente encorajadora e solidária.

A indústria reparou. Em setembro de 2019, Kirby ganhou o Primetime Emmy de Melhor Ator Convidado numa Série de Comédia e voltou a ser nomeado na mesma categoria em 2020 e 2024; a nomeação mais recente foi pela temporada final da série, e valeu-lhe também uma nomeação para os Astra Awards. A série recriou momentos da carreira real de Bruce, incluindo o seu famoso espetáculo de 1961 no Carnegie Hall, e Kirby interpretou-os como atuações, não como imitações: estão lá a cadência e a postura curvada, mas também a sensação de um homem a organizar as ideias diante de desconhecidos.

O que a versão de Maisel deixa de fora

Há uma conversa sobre este papel que os fãs da série nem sempre querem ter. O Lenny Bruce de Maisel é uma versão suavizada. O Bruce real foi preso repetidamente, passou os últimos anos de vida a lutar contra acusações de obscenidade que o deixaram quase na miséria, foi condenado em Nova Iorque em 1964 e morreu de overdose em 1966, décadas antes de o estado lhe conceder um perdão póstumo, em 2003. A série deu-lhe um flirt com uma protagonista fictícia, o papel de mentor dela e uma espécie de aura romântica, e optou por não mostrar a sua morte. A interpretação de Kirby resulta, em parte, porque deixa no ar a vida mais sombria para lá do que se vê no ecrã; mas os espectadores que conheceram Bruce através da série encontraram um anjo da guarda, e não o artista combativo e autodestrutivo descrito nos registos judiciais.

Kirby tem falado dessa opção com lucidez. Quando a temporada final deu pouco tempo de antena a Lenny, disse à TheWrap que lhe pareceu acertado. A personagem já tinha cumprido a sua função na história de Midge, e a série decidira havia muito que o fim do homem real não era uma história que lhe competisse dramatizar. A categoria do Emmy conta a mesma história de outra perspetiva. Kirby era um ator convidado porque os Palladino doseavam as aparições de Bruce, fazendo-o entrar em momentos decisivos em vez de o manterem sempre por perto; e era precisamente essa escassez que fazia com que cada cena sua parecesse um acontecimento. Isso também significava que, durante anos, a interpretação mais comentada da série pertencia, tecnicamente, a um convidado.

Afastar-se de Lenny

Se Maisel o tinha transformado no comediante encantador e atormentado, as escolhas seguintes de Kirby parecem uma tentativa deliberada de destruir essa imagem. Em No Man of God, realizado por Amber Sealey, interpretou Ted Bundy, contracenando com Elijah Wood, no papel do analista do FBI Bill Hagmaier, num filme construído a partir das entrevistas que os dois homens fizeram nos anos que antecederam a execução de Bundy. O filme de Sealey era visivelmente mais contido do que os dramas sobre Bundy criticados por o glamorizarem, e Kirby interpretou o assassino como um manipulador para quem o charme é uma ferramenta, não um traço de personalidade. A atuação valeu-lhe uma nomeação para os Chlotrudis Awards de melhor ator.

Continuou a escolher pessoas reais e personagens inquietantes. Em Boston Strangler, o drama de 2023 sobre os jornalistas que relacionaram os homicídios, interpretou F. Lee Bailey, o advogado de defesa dado ao espetáculo. Na segunda temporada da série antológica da Peacock Dr. Death, foi o Dr. Nathan Gamelli, um médico atraído para a órbita de um cirurgião célebre cujos resultados não eram o que pareciam. Interpretou Davis Calloway, um pai rico, na nova versão de Gossip Girl, foi protagonista e produtor da série de comédia Panhandle e participou no filme de terror Dark Harvest e no thriller político The Independent. Em projetos áudio, deu voz ao Dr. Jurgen Haas em The Downloaded, ao advogado Roy Lucas em Supreme: The Battle for Roe e a Maximus em Marvel’s Wastelanders: Doom.

O papel mais ternurento deste período voltou a reuni-lo com Sealey. Em Out of My Mind, adaptação do romance de Sharon M. Draper, interpretou Chuck Brooks, o pai de Melody, uma menina de onze anos perspicaz e divertida, com paralisia cerebral, que não consegue falar e cuja inteligência a escola continua a ignorar. Ao lado de Rosemarie DeWitt e da estreante Phoebe-Rae Taylor, Kirby interpreta o papel sem alarde: um pai cujo amor se manifesta em gestos concretos, não em discursos. O filme estreou no Festival de Cinema de Sundance em janeiro de 2024, chegou à Disney+ em novembro desse ano e acabou por receber um Peabody Award.

Étoile, o bailado e o cancelamento

Quando os Palladino criaram a série seguinte, pensaram nele para o papel masculino principal. Étoile, que estreou na Prime Video com os oito episódios a 24 de abril de 2025, imagina duas companhias de bailado em dificuldades — uma em Nova Iorque e outra em Paris — que trocam os bailarinos principais para se salvarem. Kirby interpretou Jack McMillan, o diretor artístico da companhia nova-iorquina e bisneto de uma bailarina célebre, contracenando com Charlotte Gainsbourg, no papel da sua homóloga parisiense, Geneviève Lavigne. A série foi filmada nas duas cidades, incluindo no Lincoln Center e no Palais Garnier, e está repleta dos diálogos rápidos característicos dos Palladino, que assentam bem a um ator com o ouvido clássico de Kirby.

Jack é um homem que não aceita limites; uma das suas falas na série é que os limites ficam onde ele decidir, porque é ele que os estabelece. Kirby descreveu a personagem como tão confiante que roça a brutal honestidade e naturalmente contestatária, sobretudo na relação com Geneviève: uma dinâmica em que duas pessoas que se estimam entram em conflito sempre que alguém as aproxima demasiado. Para compreender o mundo de Jack, teve aulas de bailado. «Queria, de certa forma, perceber melhor como é que alguém que vive nesse mundo observa um bailarino e fala sobre ele», disse no programa CBS Mornings, «e por isso tive algumas aulas.»

A receção da crítica foi, em geral, positiva. A série obteve 85 por cento no Rotten Tomatoes e 69 no Metacritic, e Marguerite Derricks acabou por ganhar um Emmy pela coreografia. Não foi suficiente. Apesar de a Amazon ter encomendado duas temporadas de uma só vez, cancelou Étoile em junho de 2025, cerca de seis semanas após a estreia, invocando uma cláusula que lhe permitia desistir a meio de um acordo para várias temporadas; as notícias apontaram para a diferença entre a audiência da série e os custos consideráveis. Para Kirby, foi a maior montra da carreira e terminou num gancho narrativo que nunca será resolvido.

Um vilão para a Apple e um distintivo em Toronto

Não ficou parado. Em fevereiro de 2026, participou na segunda temporada de The Last Thing He Told Me, o thriller da Apple TV protagonizado por Jennifer Garner e Nikolaj Coster-Waldau, adaptado do romance-sequela de Laura Dave, The First Time I Saw Him. Kirby interpretou Teddy Campano, o filho volátil de uma família criminosa, determinado a ver morto o personagem de Coster-Waldau, e contracenou com Judy Greer, que faz de sua irmã, Quinn. A temporada prolongou-se por oito episódios até abril e recebeu críticas mistas, embora alguns críticos tenham destacado o irmão mais novo, errático e sedento de poder, de Kirby como um dos pontos altos.

Em maio de 2026, a Citytv, estação canadiana detida pela Rogers, renovou Law & Order Toronto: Criminal Intent para uma quarta temporada e anunciou Kirby como o novo detetive principal. John Darcy é transferido da unidade Guns and Gangs para a investigação de homicídios, onde faz equipa com a sargento-detetive Frankie Bateman, interpretada por Kathleen Munroe, substituindo Aden Young, que saiu após três temporadas. A responsável pela série, Tassie Cameron, disse que, desde o momento em que a equipa começou a imaginar o capítulo seguinte, Kirby se destacou como a escolha ideal, elogiando a «inteligência perspicaz e a profundidade emocional» que traria ao papel. A nova temporada, cujos episódios partem de notícias canadianas e depois seguem por caminhos inesperados, estreia na Citytv a 1 de outubro de 2026.

A escolha fecha um pequeno círculo. Em 2009, Kirby foi ator convidado na versão nova-iorquina de Law & Order: Criminal Intent, mais um rosto numa longa sucessão de papéis em séries policiais americanas. Dezassete anos depois, é o nome em destaque na versão de Toronto, a trabalhar na cidade onde começou a carreira nos palcos e a interpretar o tipo de polícia que, noutra época, teria ido atrás de Lenny Bruce.

O que se segue

O trabalho no cinema continua em paralelo com a série. Em setembro de 2026, juntou-se a Better Than the Movies, a adaptação da Netflix do romance juvenil bestseller de Lynn Painter, realizada por Julia Hart, na qual interpreta Brian Buxbaum, o pai da protagonista, Liz, interpretada por Beatrice Kitsos, ao lado de David Iacono e, mais uma vez, Judy Greer. As filmagens começaram em Chicago no início de setembro e deverão prolongar-se até ao final de outubro. É a segunda vez em poucos anos que Kirby interpreta o pai numa história contada do ponto de vista de um jovem, um papel que pede contenção mais do que exuberância.

Numa idade em que muitos atores de caracterização se acomodam a um registo seguro, a fase recente da carreira de Kirby mostra um homem que continua a recusar ser catalogado: um autocrata do bailado, um herdeiro da máfia, o pai de uma adolescente e um detetive de homicídios, tudo em dezoito meses. O Emmy por Lenny Bruce estará sempre em primeiro plano na sua biografia. Mas a carreira construída à sua volta, papel a papel, entre Montreal, Toronto e Nova Iorque, sugere que a interpretação de que as pessoas se lembram não resultou de um feliz acaso entre um ator e uma personagem. Foi o momento em que um ator muito bem formado encontrou finalmente uma personagem tão rápida como ele.

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