Desporto

O Super Bowl em Los Angeles: como o berço do grande jogo venceu finalmente em casa

Jack T. Taylor

Los Angeles não se limitou a acolher o Super Bowl. Inventou o evento, depois passou a maior parte de uma vida a entregar o troféu a outra equipa. Todos os invernos, a cidade montava o palco, enchia os lugares e iluminava o céu — e via equipas de lugares mais frios levarem o prémio para casa. A maior noite do desporto americano nasceu aqui e, durante a maior parte da sua vida, LA foi a anfitriã que nunca pôde ficar com o convidado de honra.

É essa a parte que os livros de registos aplanam. Lido como uma tabela de estádios, resultados e jogadores mais valiosos, a história do Super Bowl em Los Angeles parece uma procissão de dinastias alheias a passar por uma cidade de clima ameno. Vivido como cidade, é algo mais duro e mais humano: um lugar que continuou a dar a maior festa do desporto enquanto a sua própria equipa permanecia do lado errado do marcador.

Comecemos pelo princípio, porque LA é dona dele. O primeiro Super Bowl começou no Los Angeles Memorial Coliseum em janeiro de 1967, com os Green Bay Packers de Vince Lombardi a derrotar Kansas City perante um Coliseu que nem sequer estava cheio. Max McGee, um recetor que mal esperava entrar em campo, fez sete receções para 138 jardas e dois touchdowns depois de uma noite de copos que nunca planeou justificar. O molde para tudo o que se seguiu — o herói improvável, o palco desmedido — foi talhado em solo de LA.

Depois, o jogo subiu a autoestrada até Pasadena, e o Rose Bowl tornou-se a sua sala principal. Cinco vezes ao longo de três décadas, o troféu foi erguido ali — por Oakland, Pittsburgh, Washington, os New York Giants e os Dallas Cowboys — perante multidões que ultrapassaram as 100.000 pessoas, ainda entre os maiores públicos que o jogo alguma vez atraiu. E foi ali, em 1980, que Los Angeles sentiu a crueldade da sua própria hospitalidade: os Rams chegaram ao Super Bowl no seu próprio quintal e perderam-no para Pittsburgh, com Franco Harris a maravilhar-se mais tarde com a forma como os adeptos dos Steelers tinham colonizado a cidade natal dos Rams.

A cidade continuou a entrelaçar-se em jogos que não vencia. Troy Aikman, antigo UCLA Bruin, voltou a casa ao Rose Bowl para lançar quatro touchdowns e ganhar um título para Dallas. Jerry Jones, o proprietário a erguer aquele troféu, tinha nascido a uma curta viagem do terreno de Inglewood que um dia viria a albergar um estádio que ele ainda não conseguia imaginar. Michael Jackson esteve ao centro do campo na mesma noite e transformou o espetáculo do intervalo no evento cultural principal que tem sido desde então. LA estava sempre no enquadramento — mas raramente no lado vencedor.

A espera quebrou-se no SoFi Stadium. Os Rams — a equipa de LA, na mais nova catedral de LA — recuperaram de desvantagem para ganhar tudo, Matthew Stafford a encontrar Cooper Kupp no final, Aaron Donald a fechar a porta, um panteão de hip-hop da Costa Oeste composto por Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, Kendrick Lamar e Mary J. Blige a dominar o intervalo. Para os adeptos que tinham engolido a desilusão do Rose Bowl e os anos magros que se seguiram, o relógio a chegar a zero foi menos um resultado do que uma dívida finalmente saldada.

E então a cidade fez a coisa mais Los Angeles que se pode imaginar. O desfile do campeonato não parou no SoFi. Parou no Coliseu — o mesmo terreno onde tudo começou, onde um recetor desconhecido fez duas receções para touchdown sem dormir. Meio século e tal tinha-se dobrado sobre si mesmo. O berço tinha-se tornado a linha de chegada.

Quando o Super Bowl regressar ao SoFi em fevereiro de 2027, a nona vez que esta região o acolherá, Los Angeles deixará de ser apenas a cidade que empresta as suas luzes às coroações alheias. Tem uma sua agora — e sabe exatamente onde a trazer para casa.

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