Tecnologia

As mãos do Optimus ainda se desgastam e a Tesla adia as entregas para o fim de 2027

Adrian Kessler
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O robô humanoide Optimus está finalmente a ser produzido a sério, mas ainda não está disponível para nenhuma empresa externa. Os dedos, a durabilidade e o software ainda precisam de ser melhorados antes de o robô ser entregue aos clientes — e as mãos são o maior desafio.

É nas mãos que os robôs humanoides tendem a falhar quando se trata de trabalho real. Na teleconferência de apresentação de resultados da Tesla, Elon Musk explicou que os dedos têm de ser suficientemente flexíveis para pegar em objetos delicados e, ao mesmo tempo, resistir ao desgaste constante; ao contrário da pele humana, a mão de um robô não pode regenerar-se. Uma máquina que, nas suas palavras, pode «desgastar-se ao fim de um mês» não é algo por que uma fábrica esteja disposta a pagar.

A Tesla iniciou aquilo a que Musk chama produção inicial na sua linha de produção de grande volume em Fremont, na Califórnia, no espaço onde antes eram fabricados os Model S e Model X. A carta da empresa aos acionistas descreve os robôs que saem dessa linha como «os primeiros robôs com qualidade de produção que fabricámos», o que significa também que nenhum dos Optimus apresentados antes deste trimestre correspondia a esse padrão. A maior parte de uma linha concebida para produzir cerca de um milhão de robôs por ano — aproximadamente 20 mil por semana — já está instalada, mas Musk afirmou que atingir esse ritmo demorará pelo menos um ano, e possivelmente mais, porque partes do projeto continuam a ser alteradas.

Quando um analista perguntou que aspetos do projeto ainda estavam a mudar, um engenheiro do Optimus da Tesla apontou para a mão e para engrenagens personalizadas que ainda suscitam dúvidas quanto à fiabilidade. Musk concordou que a mão é o principal problema. Um mês antes, a Electrek tinha noticiado, citando o The Information, que a mão e o antebraço continham mais de 100 peças pequenas, montadas à mão, e que os sensores tácteis não eram fiáveis.

O software é a outra lacuna. A Tesla treina o seu sistema de assistência à condução com dados dos automóveis que já vendeu, mas não existe no mundo uma frota comparável de robôs a acumular experiência. A resposta da empresa é construir entre 10 mil e 20 mil unidades do Optimus e pô-las a praticar tarefas naquilo a que chama Optimus Academy. Musk prometeu também divulgar, dentro de um ou dois meses, um vídeo que mostrará o robô a realizar trabalho que não foi pré-programado, e afirmou que muitas demonstrações de humanoides rivais se limitam a executar rotinas pré-definidas.

O historial da própria Tesla é motivo para cautela. Em 2024, Musk afirmou que o Optimus trabalharia nas instalações da Tesla em 2025 e seria vendido a outras empresas em 2026. Em janeiro de 2025, disse que a Tesla construiria cerca de 10 mil robôs nesse ano, vários milhares dos quais estariam a realizar trabalho útil até dezembro; mais tarde, admitiu que não havia nenhum. Na mesma teleconferência, a Tesla voltou também a adiar a versão sem supervisão do software Full Self-Driving: os primeiros automóveis de clientes só deverão recebê-la por volta do segundo trimestre do próximo ano.

Musk disse ainda aos investidores que «não há ninguém sequer perto da Tesla» no desenvolvimento de um humanoide de uso geral. Os concorrentes dão a entender o contrário. A chinesa XPeng pôs em funcionamento, em setembro, uma linha de produção automatizada para o seu humanoide IRON, em Guangzhou, com mais de 80% dos processos principais automatizados, e prevê as primeiras entregas para o primeiro semestre de 2027, começando por lojas e centros comerciais, antes de chegar à Europa ainda nesse ano. A XPeng também ainda não entregou nenhum IRON a um cliente pagante. A Boston Dynamics, detida pela Hyundai, fabrica o seu Atlas elétrico desde janeiro, afirma que todas as implementações previstas para 2026 já estão asseguradas e está a ensinar o Atlas a organizar sequências de peças automóveis numa fábrica da Hyundai, na Geórgia. A empresa optou também por pinças industriais robustas, em vez de dedos semelhantes aos humanos — uma forma de contornar precisamente o problema que, segundo a Electrek, está a atrasar a Tesla.

O Optimus não está à venda a consumidores em lado nenhum. A Tesla afirma que as primeiras unidades destinadas a clientes externos serão usadas em tarefas industriais perigosas, repetitivas ou que decorram ininterruptamente, mas não revelou os nomes dos clientes nem os países que as receberão primeiro. O programa de robótica também é dispendioso: o lucro líquido da Tesla no terceiro trimestre caiu 43% face ao ano anterior, para 787 milhões de dólares, enquanto aumentavam os gastos com inteligência artificial e o Optimus, noticiou a TechCrunch.

Os próximos marcos estão próximos uns dos outros. Musk prometeu divulgar o vídeo do Optimus a trabalhar sem guião dentro de um ou dois meses, a Tesla planeia instalar o chip AI5 no robô por volta de abril de 2027 e as entregas a clientes externos estão agora previstas para perto do final de 2027. Todas as datas anteriores para o Optimus foram adiadas, pelo que o vídeo será o primeiro teste concreto para perceber se esta previsão se mantém.

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