Tecnologia

ChatGPT vai vender espaço publicitário ao lado das imagens que lhe pede

Adrian Kessler
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O ChatGPT está prestes a incluir publicidade numa das funcionalidades que mais utiliza. A OpenAI vai testar um formato de anúncio visual que aparece enquanto o chatbot gera uma imagem, pelo que um pedido de um cartão de aniversário ou de um esboço de logótipo pode surgir ao lado de uma imagem paga por uma marca. A empresa diz que os anúncios estarão claramente identificados e separados da imagem que está a ser criada.

Para quem usa a versão gratuita, isto muda a natureza de uma ferramenta de criação de imagens com IA. Até agora, os anúncios do ChatGPT apareciam por baixo das respostas em texto, à semelhança de um link patrocinado numa página de pesquisa. O novo formato recorre a imagens para mostrar ideias de produtos, pessoas a usar um produto ou a experiência que este promete — o que significa que a imagem patrocinada e aquela que pediu vão disputar o mesmo olhar.

O teste abrange apenas os Estados Unidos e começa com um primeiro grupo de anunciantes; a OpenAI não avançou qualquer calendário para outros países. Os anúncios no ChatGPT são apresentados no plano gratuito e no plano Go, de 8 dólares, mas não são visíveis para os subscritores dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise. A OpenAI reitera que os anúncios não alteram as respostas do ChatGPT e que não vende aos anunciantes os dados das conversas.

A mudança mais significativa acontece do lado dos anunciantes. A OpenAI está a criar ligações com a Hightouch, a Tealium e a LiveRamp para que as marcas possam enviar para o ChatGPT Ads dados de compras e inscrições recolhidos nos seus próprios sistemas. A empresa trabalha agora também com empresas de atribuição, incluindo a AppsFlyer, a Adjust, a Triple Whale e a Northbeam. Isto permite às empresas verificar se alguém que viu um anúncio no ChatGPT acabou por comprar um produto — o mesmo ciclo de retorno que transformou a Google e a Meta nas maiores empresas de publicidade da Internet.

A OpenAI está também a testar verificações de adequação das marcas com a DoubleVerify e a Integral Ad Science, e afirma que essas empresas externas não terão acesso às conversas privadas dos utilizadores. Os anunciantes elegíveis terão acesso ao controlo Negative Phrases, que lhes permite impedir que os anúncios apareçam junto de temas que preferem evitar.

Há ainda várias questões por esclarecer. A OpenAI não explicou como determina se um pedido de imagem é adequado para a apresentação de um anúncio quando o único contexto é uma instrução de uma linha, nem se as próprias imagens geradas são verificadas. Segundo o site especializado PPC Land, as regras anteriores excluíam do ChatGPT anunciantes dos setores dos encontros, da saúde, dos serviços financeiros e da política, mas a empresa não esclareceu se essas exclusões se aplicam ao formato visual. Os primeiros resultados divulgados foram fornecidos pelos próprios anunciantes: a WeightWatchers afirma ter pago menos 15,3% por aquisição do que na pesquisa paga, e a Portland Leather diz que 93% dos visitantes provenientes dos anúncios do ChatGPT eram novos clientes da marca. Nenhum dos valores é acompanhado por dados sobre o investimento ou a dimensão das amostras.

Evitar os anúncios também tem um custo. Segundo a documentação de ajuda anterior da OpenAI, os utilizadores gratuitos que optassem por uma experiência sem anúncios deixavam de poder criar imagens, noticiou o PPC Land. Agora que a geração de imagens é, por si só, um espaço publicitário, a ferramenta criativa mais conhecida do plano gratuito e o seu mais recente formato de anúncio ocupam o mesmo ecrã.

A escala ajuda a explicar esta aposta. A OpenAI afirma que o ChatGPT chega todas as semanas a 1,2 mil milhões de pessoas. O negócio publicitário da empresa arrancou como projeto-piloto nos Estados Unidos a 9 de fevereiro e, no final de agosto, tinha ultrapassado um ritmo anualizado de mil milhões de dólares, segundo o apuramento do PPC Land com base nas informações divulgadas pela empresa.

A OpenAI anunciou o formato visual a 5 de outubro, e os testes com os primeiros anunciantes dos Estados Unidos começam ainda este mês. A empresa não revelou quando os anúncios visuais chegarão a outros mercados, nem se publicará resultados de auditorias independentes antes de alargar o formato. Para os utilizadores gratuitos, a imagem que pediram está prestes a partilhar o ecrã com outra que não pediram.

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