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Hypnos sai completo do Early Access no Steam: a cidade onírica lovecraftiana cede às escolhas

A aventura da Redlock Studio fecha os sete capítulos e troca o passeio sombrio por destinos ramificados e finais alternativos
Cassian Vale
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O Early Access costuma ser vendido como um estaleiro: entra-se, vê-se o andaime a subir, perdoam-se as lacunas. Hypnos transformou esse acordo em algo muito próximo da sua própria premissa. O jogo de exploração na primeira pessoa da Redlock Studio fala de uma cidade à beira dos sonhos que entrega os seus segredos aos poucos, e durante meses os jogadores percorreram uma versão dela em que troços inteiros da história ainda nem sequer existiam. Agora, a Cidade sem Nome está completa.

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A versão final traz os sete capítulos e, com eles, a ideia em torno da qual a Redlock construiu o jogo. No anúncio, o estúdio apresenta Hypnos como um mundo que muda de forma subtil consoante as ações do jogador, onde as conversas com os estranhos habitantes dos Confins Longínquos terminam em escolhas, essas escolhas decidem o destino de cada um e os caminhos da história se dividem rumo a vários finais alternativos. Essa ramificação é o ingrediente novo: Blackshard, o jogo anterior da Redlock no mesmo universo, definiu o tom sombrio da série, e Hypnos entrelaça-lhe consequências.

Aerial view of the pale stone megastructure of the Nameless City in Hypnos
Image: Redlock Studio

Esse universo é The Maze Chronicles, que, segundo a Redlock, um estúdio francês sediado em Grenoble e Lyon, os seus criadores trazem consigo há quinze anos. As influências que enumera dizem bem que tipo de inquietação esperar: H.P. Lovecraft, China Miéville e Frank Herbert, a par da mitologia, da religião e das campanhas de role-playing de mesa. No Steam, Hypnos é apresentado como um delírio febril lovecraftiano de megaestruturas, e as capturas de ecrã confirmam-no: falésias pálidas de alvenaria empilhadas numa cidade demasiado grande para pertencer a alguém, pináculos negros sob um céu amarelado e doentio, um orbe anelado suspenso sobre os telhados como um astrolábio partido.

O design por baixo de tudo pede para ser lido, não conquistado. Os jogadores procuram na Cidade sem Nome um rapaz misterioso que assombra os seus sonhos, escolhendo os seus próprios percursos num mundo semiaberto e interagindo com o cenário para remodelar aquilo a que o jogo chama «matéria dos sonhos», levantando aos poucos os véus que escondem a realidade. A banda sonora é de ALT236, artista multimédia e compositor francês cuja música mistura ambient, sonoridades retro e uma eletrónica onírica, o que assenta bem num lugar que nunca chega a decidir se é antigo ou sintético.

A hooded figure called Echo asks the player what they seek on the Path in a Hypnos dialogue scene
Image: Redlock Studio

O lançamento da Redlock apoia-se ainda nos primeiros elogios da Rock Paper Shotgun, cujo redator admitiu ter ficado agarrado ao jogo bastante depressa, um resumo justo de como uma aventura lenta, que põe o ambiente à frente de tudo, conquista quem a joga.

Hypnos saiu do Early Access no Steam a 29 de outubro de 2026, depois de cerca de cinco meses nessa fase, iniciada a 6 de maio. Está disponível para PC com um desconto de lançamento de 40%, e a versão da loja suporta inglês, francês, alemão, espanhol, japonês e russo. As versões para as consolas PlayStation 5 e Xbox Series X|S estão previstas para o final do ano.

O próprio lema do jogo avisa que cada resposta traz mais perguntas. Chegar ao fim seria sempre a parte mais estranha.

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