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Zuckerberg lança o Muse Spark Open com a Apple — configuração com dois Mac Studio ainda não está à venda

Adrian Kessler
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Mark Zuckerberg apresentou o novo modelo de pesos abertos da Meta numa frase publicada no X: «Muse Spark Open — pesos disponibilizados hoje — funciona muito bem nos novos Mac Studio, graças ao trabalho com @johnternus e a Apple», escreveu o CEO da Meta. O CEO da Apple, John Ternus, respondeu publicamente, e duas empresas que normalmente se tratam como rivais passaram o dia do lançamento a elogiar o trabalho uma da outra.

Os pesos existem mesmo e qualquer pessoa pode descarregá-los. O «computador de secretária» referido na apresentação é outra questão. A própria configuração recomendada pela Meta combina dois dos Mac Studio mais caros da Apple, cada um com a maior opção de memória que a empresa disponibiliza — mas, na loja online da Apple nos EUA, essa opção continua assinalada como estando para breve. O modelo foi lançado. A máquina exacta que a Meta descreve para o executar ainda não pode ser encomendada.

O que a Meta lançou, afinal

O Muse Spark Open é a versão de pesos abertos do Muse Spark, o modelo que está na base dos produtos Muse alojados pela Meta, e foi publicado pela Meta Superintelligence Labs a 15 de Outubro. Trata-se de um modelo de mistura de especialistas com cerca de 816 mil milhões de parâmetros, dos quais aproximadamente 42 mil milhões são activados para cada token, e uma janela de contexto que pode chegar a um milhão de tokens. Lê texto, imagens, áudio e vídeo e responde em texto. A Meta treinou-o para programação com agentes e considera-o o «modelo norte-americano de pesos abertos mais capaz até à data», numa afirmação citada pelo The Verge e repetida na análise técnica da Hugging Face.

É também uma mudança de rumo. Desde Abril, a Meta tem mantido os seus modelos de topo fechados, e o Muse Glimmer, lançado em Agosto, com 30 mil milhões de parâmetros e licença Apache 2.0, era o modelo mais pequeno da família, concebido para funcionar numa única máquina. O Spark Open é o modelo completo. A sua licença é breve, mas não é totalmente aberta: segundo a interpretação da Digital Applied da Muse Model License, todos os produtos desenvolvidos com base no modelo têm de apresentar a frase «Built with Muse Spark Open»; além disso, as empresas que disponibilizem inferência como serviço e ultrapassem os 20 milhões de dólares em receitas precisam de um acordo separado com a Meta.

A afirmação sobre os dois Mac, analisada ao pormenor

Na publicação de lançamento, a Meta descreve a execução do checkpoint NVFP4 de 4 bits, com cerca de 530 GB, através da framework MLX da Apple, em dois Mac Studio com M5 Ultra e 512 GB de memória unificada cada, ou em quatro máquinas com 256 GB cada, ligadas por Thunderbolt 5 com RDMA. A MLX distribui cada camada pelas máquinas, de modo que cada uma guarda parte dos pesos e executa parte dos cálculos, explica a Technology.org. A arquitectura de mistura de especialistas reduz a carga computacional, mas não a memória: «Os 256 especialistas permanecem todos na memória, pelo que a implementação precisa da memória de um modelo com 816 mil milhões de parâmetros», escreve a Hugging Face. Segundo os cálculos da mesma análise, a cache necessária para um contexto completo de um milhão de tokens acrescenta cerca de 266 GB. É por isso que a configuração começa num terabyte, e não no tamanho do ficheiro.

A Apple anunciou o Mac Studio com M5 Ultra a 25 de Agosto, com um preço inicial de 5 499 dólares, e indicou no mesmo comunicado que o modelo de 512 GB estaria «disponível no final de Outubro». A 16 de Outubro, o selector de memória da loja online da Apple nos EUA continuava a indicar «opção de memória de 512 GB para o M5 Ultra disponível no final de Outubro», e as opções apresentadas não iam além dos 256 GB. Neste momento, a versão da configuração da Meta que se pode comprar é a de quatro máquinas, cujo preço a Technology.org estima em cerca de 38 000 dólares.

A cobertura do lançamento não apresenta nenhum valor de velocidade independente para esta configuração. Os únicos números independentes de execução local são da Hugging Face e dizem respeito a hardware da geração anterior: num M3 Ultra com 512 GB, uma versão de 2 bits funcionou a 18 tokens por segundo, usando 304 GB, e uma versão oMLX de 3 bits atingiu cerca de 21 tokens por segundo, com 344 GB de memória. São versões do modelo fortemente comprimidas, mais próximas de um patamar mínimo do que da experiência descrita por Zuckerberg.

Porque é que a Meta e a Apple são subitamente tão próximas

«Parabéns à equipa!», respondeu Ternus a Zuckerberg. «É incrível conseguir executar um modelo da qualidade e dimensão do Muse Spark Open com tanta eficiência, mesmo a partir da secretária. O Mac Studio continua a alargar os limites da inteligência artificial no próprio dispositivo!» Alexandr Wang, director de inteligência artificial da Meta, disse à Axios, segundo noticiou o The Verge: «Estamos entusiasmados por ver a mamã e o papá a darem-se bem outra vez.» A Axios assinalou também que as empresas trabalhavam em conjunto havia vários meses, e a Apple publicou o seu próprio artigo técnico sobre a MLX, que aborda o Muse Spark Open e dois outros modelos abertos.

Ambos os lados têm algo concreto a ganhar. Em Agosto, a Apple prometeu, na apresentação do novo Mac Studio, que as máquinas ligadas em cluster poderiam «carregar os maiores e mais exigentes modelos de pesos abertos de ponta disponíveis actualmente». Um modelo norte-americano de ponta, acompanhado de uma configuração recomendada pela Apple no dia do lançamento, era precisamente o tipo de carga de trabalho de que essa promessa precisava. A Meta ganha uma história sobre computadores de secretária para um modelo a que a maioria das equipas deverá aceder através de servidores alugados: Baseten, Fireworks AI, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter e Together AI disponibilizam-no desde o primeiro dia, juntamente com os catálogos de serviços na nuvem da Amazon, da Google e da Microsoft.

A palavra «norte-americano» não está ali por acaso

As tabelas de referência da Meta também ajudam a perceber essa ressalva. No MCP-Atlas, um teste de utilização de ferramentas, a Meta indica 89,2 para o Muse Spark Open, contra 82,3 para o Kimi K3 e 84,2 para o GLM 5.3. No Terminal-Bench 2.1, o valor apresentado pela própria Meta, 76,4, fica abaixo dos resultados dos dois modelos chineses, 85,0 e 83,9, como mostra a análise da Digital Applied. Todos estes resultados são obtidos pela Meta, e a Technology.org observa que nenhum avaliador externo os reproduziu até agora.

O verdadeiro teste chegará com a opção de memória da Apple prevista para o final de Outubro: será a primeira oportunidade para alguém fora da Meta e da Apple comprar a configuração exacta com duas máquinas e publicar os resultados. Até lá, «funciona muito bem» é uma avaliação escrita pela empresa que criou o modelo e pela empresa que vende a máquina.

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