Críticas

Salvar Bikini Bottom: O Filme da Sandy Cheeks diverte os miúdos, mas a mistura de imagem real e animação soa forçada

O spin-off da Netflix de Liza Johnson (2024) leva a Sandy e o Bob Esponja ao Texas.
Martha O'Hara
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A imagem de SpongeBob e Sandy Cheeks disparados de um canhão rumo ao laboratório B.O.O.T.S. tanto pode passar por uma boa piada como por sinal de que a história perdeu o norte. Salvar Bikini Bottom: O Filme da Sandy Cheeks passa o tempo todo a oscilar entre as duas leituras.

Realizado por Liza Johnson e baseado na série animada SpongeBob SquarePants, este filme de 2024 para a Netflix acompanha Sandy (Carolyn Lawrence), a esquilo cientista, e o seu amigo SpongeBob (Tom Kenny) numa missão para salvar Bikini Bottom, depois de a cidade ter sido retirada do oceano pelo laboratório texano. O argumento, assinado por Tom Stern e Kaz, assenta numa conspiração científica desvairada: Sue Nahmee, a nova chefe do B.O.O.T.S., quer modificar geneticamente os habitantes de Bikini Bottom para que respirem ar, cloná-los e vendê-los como animais de estimação de brincar.

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A ideia nasceu numa sessão de propostas para The SpongeBob Movie: Sponge on the Run (2020). Em março de 2020, a ViacomCBS anunciou que ia produzir spin-offs de SpongeBob para streaming, e em maio de 2021 foi confirmado o filme dedicado a Sandy, com Johnson, Kaz e Stern a bordo. É o primeiro de uma série de spin-offs com personagens da série para a Netflix; segue-se Plankton: The Movie, em 2025. Nada disto impede que a história se desfaça em episódios soltos.

Há momentos que funcionam, sobretudo nas cenas de ação mais desvairadas. A perseguição de carro com a família Cheeks, em que a polícia anda atrás da carrinha porque Randy a usou para contrabandear nozes, mostra como o filme se safa quando abraça o caos. A mistura de animação CGI com atores reais não é novidade, mas dá ao conjunto um aspeto menos previsível do que o de uma simples série esticada. Ainda assim, o resultado é desigual: algumas cenas tiram partido dos dois meios, outras soam postiças.

O maior problema é o tom vacilante. O filme parece nunca decidir se quer ser uma aventura familiar a sério ou uma comédia absurda. As piadas sobre os humanos «malucos» podem resultar com crianças pequenas, mas são simples e repetitivas demais para prender um adulto durante muito tempo. A revelação de que Sue Nahmee tem um corpo de cyborg e se faz passar por humana é tratada como grande reviravolta, mas falta-lhe a surpresa e o peso emocional que justificariam a viragem.

As vozes do elenco principal — Tom Kenny, Clancy Brown, Bill Fagerbakke e Rodger Bumpass — são fiéis ao espírito da série original. As personagens novas ficam mais aquém. Randy Cheeks (Johnny Knoxville) e Pa Cheeks (Craig Robinson) fazem parte de uma família de artistas de circo itinerante que o argumento pouco aproveita, e as cenas com SpongeBob e Sandy soam forçadas, como se o filme quisesse agradar aos fãs da série e, ao mesmo tempo, conquistar um público mais vasto.

A banda sonora, composta por Moniker, também não deixa marca. Acompanha a ação sem incomodar, mas a maior parte soa genérica e esquece-se à saída da sala, ou melhor, do sofá. Numa franquia com tanta personalidade sonora, esperava-se mais.

A receção crítica foi mista. O crítico do The Guardian achou tudo «maniacamente divertido», sobretudo para o público-alvo, e conta que a sobrinha de sete anos daria ao filme quatro estrelas. Outra crítica descreve-o como um filme infantil sem grandes pretensões, com alguns gags que arrancam um sorriso. As duas opiniões cabem no mesmo filme.

Nos seus 86 minutos, Salvar Bikini Bottom: O Filme da Sandy Cheeks dará às crianças motivos de sobra para rir. Quem já passou dos sete anos ficará sobretudo com a cena em que Randy ensina SpongeBob a assobiar à moda da família Cheeks, e pouco mais.

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