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Angh vence o Prémio Platform em Toronto e coloca uma estreia de Nagaland na corrida aos Óscares

Martha O'Hara
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Algumas vitórias importam para o filme e outras importam para a porta que abrem. Angh, de Theja Rio, conseguiu as duas coisas. A longa-metragem de estreia, rodada em 16mm nas selvas de Nagaland, perto da fronteira Indo-Burmanesa, e ambientada no início dos anos 1960, venceu o Prémio Platform, atribuído por um júri em Toronto — e fê-lo no primeiro ano em que o festival tornou esse galardão uma via direta de qualificação para o Óscar de Melhor Filme Internacional. Um filme em língua naga do nordeste da Índia entra agora nessa corrida com o endosso formal de um festival.

O júri, liderado por Pablo Trapero, descreveu o filme como um “retrato profundamente ressonante de um mundo”, e a expressão é exata. Angh é menos uma história contada contra um pano de fundo do que um lugar retratado com tal textura que o lugar se torna o sujeito. Os contemporâneos de Rankin no cinema mundial filmam cada vez mais a fronteira como espetáculo; Rio, expandindo a sua própria curta anterior, filma-a como território habitado — a luz através do dossel da selva, o peso da humidade, o verde particular que só o grão de 16mm parece conseguir segurar.

A escolha do suporte fílmico é todo o argumento estético. O digital teria tornado Nagaland legível; o 16mm torna-a sentida. O grão dá à paisagem uma pele, uma sensação de ter sido tocada pelo tempo e pelo clima, e coloca o filme numa linhagem de ficção etnográfica que trata um canto específico do mundo como digno da maior atenção possível. O que poderia ter sido exótico torna-se íntimo.

A importância vai além da técnica. Rio é um cineasta Naga indígena de uma região que quase nunca chegou a um festival desta dimensão, e o seu prémio é uma primeira vez de peso real — para um realizador baseado na Índia, para o nordeste, para uma cultura cinematográfica que o circuito internacional tratou como invisível. O júri do Platform também atribuiu uma menção honrosa a Brace Your Heart, de Amanda Kernell, mantendo a narrativa indígena no centro da secção.

O que a vitória desbloqueia é uma exposição que o dinheiro não compra facilmente. O Prémio Platform vem com um prémio monetário modesto, mas o seu valor real é o caminho para a elegibilidade ao Óscar e a atenção que se segue à escolha do júri de Toronto. Para um cineasta que trabalha longe de qualquer centro da indústria, essa é a diferença entre uma estreia num festival e uma carreira. Angh chegou como retrato de um mundo remoto; parte como prova de que o mundo pode ser feito para ser olhado.

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