Música

Gerard Way, o vocalista dos My Chemical Romance entre a banda desenhada e os estádios

Penelope H. Fritz
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Gerard Way
Gerard Way
Photo: Stuart Sevastos / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento9 de abril de 1977
Summit, New Jersey, United States
OcupaçãoCantor, compositor, argumentista de banda desenhada
PrémiosEisner Award de Melhor Minissérie · Prémio NME, Herói do Ano · Prémio NME, Melhor Banda Internacional

A melhor semana de sempre dos My Chemical Romance numa tabela norte-americana deveu-se a um álbum que o vocalista terminou há duas décadas. Nesse outono, Gerard Way passou por palcos de estádio com um uniforme preto de banda filarmónica, à frente da banda residente de uma ditadura inventada, e o seu trabalho mais ambicioso desde o último álbum de estúdio do grupo tem sido contar histórias, mais do que escrever canções. Foi cocriador de uma banda desenhada que a Netflix transformou numa série de longa duração e construiu um país fictício, com alfabeto próprio, em torno de um disco que o público já sabia de cor. O que ninguém, nem o próprio Way, consegue dizer é quando chegará o próximo.

Esta tensão entre o contador de histórias e o cantor de quem as pessoas querem ouvir canções novas acompanha-o desde o início. Way estudou para desenhar banda desenhada, não para ser vocalista de uma banda de rock. Chegou tarde à música, depois de uma manhã em Nova Iorque de que nunca deixou de falar, e passou a carreira a regressar à prancheta e, depois, ao microfone.

Gerard Arthur Way nasceu a 9 de abril de 1977, em Summit, Nova Jérsia, e cresceu na vizinha Belleville com o irmão mais novo, Mikey. A avó materna, Elena Lee Rush, ensinou-o a cantar e a pintar; no quarto ano, interpretou Peter Pan numa peça musical da escola. Aos 16 anos, escreveu a sua primeira banda desenhada, On Raven’s Wings, para uma pequena editora que a cancelou ao fim de dois números. Licenciou-se na School of Visual Arts, em Nova Iorque, em 1999.

Era estagiário na Cartoon Network, em Manhattan, a 11 de setembro de 2001, e ter assistido aos ataques em primeira mão mudou os seus planos em poucas semanas. Escreveu «Skylines and Turnstiles» sobre esse dia, e a canção tornou-se a primeira dos My Chemical Romance. A banda formou-se nesse mês, com Mikey Way no baixo, Toro na guitarra e Matt Pelissier na bateria; Frank Iero juntou-se ao grupo em 2002, a tempo da estreia, I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love. A Reprise contratou-os em 2003, e Three Cheers for Sweet Revenge (2004) chegou a platina, impulsionado por «I’m Not Okay (I Promise)» e «Helena», que Way escreveu em memória da avó.

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The Black Parade (2006), produzido com Rob Cavallo, era uma ópera rock sobre um homem à beira da morte, conhecido apenas como o Paciente, para quem a morte chega sob a forma da memória de uma banda filarmónica que o pai o levara a ver. O álbum estreou-se no segundo lugar nos Estados Unidos e no Reino Unido, e «Welcome to the Black Parade» tornou-se o primeiro single da banda a chegar ao primeiro lugar no Reino Unido. Em digressão, apresentavam-se como os Black Parade, uma banda fictícia de uniforme, até declararem a sua morte em outubro de 2007. Nos NME Awards desse ano, venceram o prémio de melhor banda internacional e Way foi eleito herói do ano.

A banda desenhada nunca ficou para trás. Em 2007, a Dark Horse começou a publicar The Umbrella Academy, escrita por Way e ilustrada pelo artista brasileiro Gabriel Bá, sobre sete irmãos adotivos com poderes. O primeiro volume, Apocalypse Suite, venceu um Eisner Award para melhor série limitada.

O sucesso também trouxe o lado mais sombrio da fama. Em 2008, o Daily Mail associou o suicídio de uma adolescente britânica de 13 anos àquilo a que chamou um «culto» emo em torno dos fãs da banda, que planearam uma marcha de protesto junto aos escritórios do jornal em Londres, até que preocupações da polícia levaram ao seu cancelamento. Desde então, Way tem rejeitado o rótulo emo sem rodeios. Há também uma leitura menos confortável da sua carreira: é muito bom a construir mundos e bem mais lento a terminar álbuns. Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys (2010); o álbum que se seguiria, gravado em 2012 com o engenheiro de som Doug McKean e provisoriamente intitulado The Paper Kingdom, foi posto de lado e, a 22 de março de 2013, a banda anunciou o fim. Nos sete anos que se seguiram à reunião, lançaram uma única canção nova.

O álbum a solo de Way, Hesitant Alien (2014), produzido por McKean e marcado pelo britpop e pelo glam, chegou ao 16.º lugar da Billboard 200 e liderou a tabela norte-americana de álbuns alternativos. Em 2016, fundou a chancela Young Animal, da DC, e escreveu o título de estreia da editora, Doom Patrol. The Umbrella Academy regressou com Hotel Oblivion, em 2018, e, em fevereiro de 2019, a Netflix estreou a adaptação, que teve quatro temporadas até 2024, com Way como coprodutor executivo; a temporada final dividiu bastante a opinião do público.

A 31 de outubro de 2019, os My Chemical Romance anunciaram o regresso. A pandemia adiou a digressão para 2022, ano em que lançaram «The Foundations of Decay», a primeira canção nova em oito anos, produzida por McKean com Way e Toro. McKean morreu em julho desse ano, dois meses após o lançamento.

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Em vez disso, a banda transformou o seu passado num espetáculo. A digressão Long Live The Black Parade, que arrancou em Seattle em julho de 2025, apresenta o álbum na íntegra, integrado numa história passada em Draag, um Estado autoritário com hino próprio e uma língua escrita, Keposhka, que Way encomendou ao letrista Nate Piekos. A digressão arrecadou mais de 122 milhões de dólares e terminou a etapa norte-americana com cinco noites no Hollywood Bowl, em outubro de 2026; as últimas datas estão marcadas para Kuala Lumpur e Jacarta, no final de novembro. A edição do 20.º aniversário de The Black Parade passou então do 139.º lugar para o primeiro lugar da Billboard 200, na tabela datada de 7 de novembro de 2026, com 78 000 unidades equivalentes, 42 000 das quais em vinil. Foi o primeiro álbum da banda a chegar ao primeiro lugar nos Estados Unidos e também o primeiro no Reino Unido.

A questão da música nova acompanhou-o até ao palco. Num concerto em San Antonio, em setembro de 2026, Way disse ao público: «Vocês merecem outro disco, e nós adoraríamos fazê-lo.» Não revelou título nem data. Fora da banda, canta e toca baixo nos The Mock-Ups, um projeto com membros dos The Interrupters cujo primeiro single saiu em setembro de 2025, e ele e Bá têm publicado The Umbrella Academy: Plan B pela Dark Horse desde junho de 2025.

Way casou-se com Lindsey Ballato, baixista dos Mindless Self Indulgence, nos bastidores, depois de um concerto no Colorado, em setembro de 2007; a filha nasceu em 2009 e a família vive em Los Angeles. Tem falado abertamente de anos de abuso de álcool e medicamentos sujeitos a receita médica; em 2007 já estava sóbrio. Desde 2014, também tem falado sobre a sua identidade de género. «A masculinidade sempre me fez sentir que não era algo certo para mim», escreveu nesse ano, e, em 2015, disse que usa os pronomes he/him e they/them.

Quando a digressão chegar a Jacarta, a história dos Black Parade já terá mais de um ano e terá crescido muito para lá do álbum que a inspirou. Way tem um quarto arco de Umbrella Academy em preparação e prometeu a um público num estádio que devia existir um quinto álbum dos My Chemical Romance. A banda desenhada tem calendário. O álbum continua sem data.

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