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Minori Suzuki, a atriz de voz de Liko em Pokémon que começou como cantora de Macross

Penelope H. Fritz
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Minori Suzuki
Minori Suzuki
Photo: Dick Thomas Johnson from Tokyo, Japan / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento1 de outubro de 1997
Aichi Prefecture, Japan
OcupaçãoAtriz de voz e cantora
PrémiosSeiyu Awards — Prémio de Canto, com Walküre

A audição que deu a conhecer Minori Suzuki foi para cantora. Os criadores de Macross, a longeva saga mecha em que as canções pop decidem guerras espaciais, procuravam uma nova diva, e a adolescente de Aichi que se candidatou queria, acima de tudo, seguir os passos de Megumi Nakajima, a voz falada e cantada de Ranka Lee em Macross Frontier. Conseguiu o papel. O que ninguém previa era que a interpretação associada àquela canção a levaria mais longe do que a própria canção: hoje, uma geração de crianças conhece-a como Liko, uma das duas protagonistas que substituíram Ash Ketchum em Pokémon Horizons: The Series, e não como a idol que entrou no mundo da música a cantar. Os papéis de interpretação continuam a acumular-se, enquanto os seus discos a solo ficaram em silêncio, e é este desequilíbrio que a sua carreira está agora a tentar resolver.

A dupla ambição surgiu cedo. Em criança, elogiavam-na por ler em voz alta na sala de aula e por cantar nas festas da escola; algures nos últimos anos do ensino primário, decidiu que a representação de voz era a única profissão que lhe permitiria fazer tudo isso. Era tímida, mas o desporto ajudou a mudar isso: primeiro o basquetebol, depois a corrida de meio-fundo, que começou a praticar a sério no ensino básico e que ainda hoje mantém com corridas e treinos no ginásio — um hábito a que atribui a resistência de que precisa para as atuações ao vivo. Num festival da escola, no ensino básico, cantou uma versão de uma canção de Maaya Sakamoto, tornou-se fã devota e inscreveu-se no clube de fãs da cantora. No secundário, pagava aulas semanais numa escola de representação de voz em Tóquio com o dinheiro que juntava num emprego a tempo parcial.

Nascida a 1 de outubro de 1997, na Prefeitura de Aichi, ainda era estudante quando os produtores de Macross anunciaram, no final de 2014, que procuravam uma nova cantora e atriz de voz. A mãe, fã de Macross Frontier, incentivou-a a candidatar-se. De entre cerca de 8000 candidatos, foi escolhida para dar voz a Freyja Wion, a heroína de Macross Delta e a mais recente integrante das Walküre, a «unidade sonora táctica» da história, cujos concertos são usados em combate. A série estreou em abril de 2016 e o primeiro single das Walküre, com o tema de abertura «Ichido Dake no Koi Nara», foi lançado em maio desse ano.

As Walküre não ficaram confinadas ao ecrã. As cinco cantoras — Suzuki, JUNNA, Kiyono Yasuno, Nao Toyama e Nozomi Nishida — chegaram ao primeiro lugar das tabelas semanais de singles e álbuns da Oricon e da tabela de singles da Billboard Japan; o primeiro álbum do grupo, Walküre Attack!, foi distinguido como Álbum de Animação do Ano nos Japan Gold Disc Awards. Freyja regressou em duas longas-metragens de Macross Delta, em 2018 e 2021, e, nesse último ano, o grupo recebeu o Prémio de Canto na 15.ª edição dos Seiyu Awards. A digressão de despedida, Final Live Tour 2023 «Last Mission», passou por seis arenas e reuniu cerca de 74 000 pessoas.

A carreira a solo seguiu uma trajetória mais discreta. Pela editora FlyingDog, estreou-se a solo em janeiro de 2018 com «Feeling Around», tema de abertura de Ms. Koizumi Loves Ramen Noodles, que chegou ao 21.º lugar da Oricon. Seguiram-se três álbuns: Miru Mae ni Tobe!, em 2018; Kami Mino, em 2020; e fruitful spring, em 2023. Gravou também temas para outras séries, incluindo o genérico de encerramento de Cardcaptor Sakura: Clear Card, onde também deu voz a Akiho Shinomoto. Ao assinar pela editora de Sakamoto, pôde cantar letras escritas pelo seu ídolo, um desejo que acalentava desde a versão que interpretou no festival da escola.

A carreira de atriz cresceu mais depressa. Deu voz a Angie Yonaga no jogo de mistério e homicídio Danganronpa V3: Killing Harmony e a Agnes Digital em Umamusume: Pretty Derby. No jogo de ritmo Hatsune Miku: Colorful Stage!, passou a dar voz a Ena Shinonome, um papel que a levou aos palcos de concertos e ao filme de 2025. No grande ecrã, interpretou Akiko em Words Bubble Up Like Soda Pop e Uran, a rapariga-robô, em Pluto, da Netflix.

Depois chegou Liko. Em abril de 2023, após um quarto de século a acompanhar Ash e Pikachu, o anime Pokémon recomeçou com dois novos protagonistas, Liko e Roy, este último com voz de Yuka Terasaki. Segundo a TMDB, a série conta até agora com 159 episódios, e a programação da TV Tokyo continua a identificar Suzuki como a voz de Liko em outubro de 2026. Nesse outono de 2023, também mudou de rumo fora dos palcos: deixou a e-stone music, a sua editora desde a estreia, e, a 1 de outubro, juntou-se à Aoni Production, uma veterana agência de representação de voz.

O problema da narrativa habitual — a idol que também representa — é que os números apontam na direção contrária. Os êxitos das Walküre nas tabelas pertenciam a uma saga com uma regra: a música tem de servir a história. Os singles a solo de Suzuki chegaram, no máximo, a posições entre o 14.º e o 31.º lugar, e não há nenhum novo single a solo desde «Musical», o tema de abertura de Sugar Apple Fairy Tale, lançado em janeiro de 2023, no mesmo dia que fruitful spring. A mudança de agência teve como objetivo o trabalho de interpretação de voz; só em março de 2026 assinou um contrato de gestão separado com a Cloud Nine para a carreira musical. Na prática, a cantora que venceu a audição tem sido uma atriz profissional que canta na pele das suas personagens.

O trabalho de interpretação que se seguiu fala por si. Em 2024, deu voz a Shiori Yomiuri em Gimai Seikatsu e, em 2025, a Memmeln em Zenshu. Em julho de 2026, interpretou a Sereia em Chiikawa the Movie: The Secret of the Mermaid Island, a criatura gigante no centro da história, cujo poder reside numa canção misteriosa — um papel em que a sua voz se transforma numa ameaça. Este ano, também deu voz a Ema Mochinaga em Onegai AiPri e a Bianca em DARK MACHINE THE ANIMATION, mantendo ainda uma ligação ao teatro que começou com a peça MOTHERLAND, em dezembro de 2021; tem uma leitura encenada marcada para 14 de novembro, em Tóquio.

A música está a ganhar novo fôlego. Em outubro, a FlyingDog anunciou o regresso das Walküre com a formação original, num single intitulado «Walküre wa Makerarenai», aproximadamente «As Walküre não podem dar-se ao luxo de perder». O lançamento está marcado para 24 de março de 2027 e inclui um drama áudio realizado por Shoji Kawamori, criador de Macross. O primeiro teste deste regresso será perceber se abre caminho a novos discos em nome próprio.

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