Basquetebol

Mitch Johnson, o treinador dos Spurs que esteve à frente em duas finais e perdeu ambas

Penelope H. Fritz
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Mitch Johnson
Mitch Johnson
Photo: CLNS Media Press Room / CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento29 de novembro de 1986
Seattle, United States
OcupaçãoTreinador de basquetebol
TítulosG Liga 2018
Prémios individuaisTreinador do Mês da Conferência Oeste da NBA · Campeão da Conferência Oeste da NBA

Mitch Johnson já orientou duas finais contra os New York Knicks, e os seus Spurs estiveram em vantagem em ambas. Em Las Vegas, chegaram a liderar por dois dígitos já perto do fim do terceiro período e acabaram por perder por uma diferença de dois dígitos. Nas Finais da NBA, construíram vantagens de dois dígitos em todos os jogos, mas só venceram um; no Madison Square Garden, uma vantagem de quase 30 pontos transformou-se numa derrota por um ponto — a maior vantagem alguma vez desperdiçada num jogo das Finais. Mark Daigneault, treinador de Oklahoma City, que conhece Johnson desde que ambos eram treinadores-adjuntos na G League, descreve um homem que «não se exalta nem se deixa abater». Em San Antonio, já ninguém pergunta se ele está à altura da cadeira de Gregg Popovich. A questão que agora acompanha o seu nome diz respeito à forma como termina os jogos.

Há aqui uma ironia. Muito antes de assumir o comando da equipa, Popovich já lhe pedia, segundo noticiou a ESPN, que desenhasse estratégias para os momentos finais dos jogos, durante os descontos de tempo. O adjunto a quem os Spurs confiavam os últimos dois minutos é agora o treinador principal avaliado quase exclusivamente por esses momentos.

A formação de um base

A sua casa era Seattle, e o basquetebol era a profissão da família. O pai, John Johnson, foi duas vezes All-Star e conquistou o título de 1979 com os SuperSonics. Mitchell Chase Johnson, nascido ali a 29 de novembro de 1986, tornou-se um base que privilegiava o passe: no liceu O’Dea, somou uma média de 22 pontos e oito assistências por jogo no último ano e conquistou dois títulos estaduais.

Seguiu-se Stanford, onde foi titular durante quatro anos, entre 2005 e 2009, ao lado de Brook e Robin Lopez e Landry Fields. Os colegas chamavam-lhe Maestro. Terminou a carreira universitária em segundo lugar na lista de assistências de sempre da equipa, com 534, e continua a deter o recorde de assistências num só jogo: 16, numa vitória após prolongamento frente a Marquette, na segunda ronda do torneio da NCAA de 2008. Mais tarde, Brook Lopez chamou-lhe «o jogador com o QI de basquetebol mais elevado com quem já joguei ou convivi».

A carreira como jogador foi breve. Não foi escolhido no draft e disputou sete jogos pelos Tulsa 66ers, da D-League, antes de ser dispensado; passou depois brevemente pelo VEF Riga, na Letónia, e acabou por se dedicar ao treino.

O desvio por Seattle

O caminho de regresso à NBA passou pelos pavilhões de formação. Johnson treinou equipas de basquetebol AAU em Seattle, e um dos seus jogadores foi Dejounte Murray, que recordou que Johnson foi buscá-lo ao centro de detenção juvenil quando tinha 15 anos. Quando San Antonio avaliou Murray antes do draft de 2016, a direção reparou também no treinador. Depois de uma época como treinador-adjunto na Universidade de Portland, Johnson juntou-se aos Austin Spurs, a equipa afiliada do clube na G League, e conquistou ali um título da liga em 2018.

Popovich integrou-o na equipa técnica da NBA em 2019 e, em 2020, colocou-o na primeira fila do banco, no lugar deixado por Tim Duncan. Foi treinador de desenvolvimento individual de Devin Vassell e trabalhou no campo com Victor Wembanyama desde o primeiro verão do francês em San Antonio. «É o cérebro de tudo isto», diria Vassell mais tarde.

Depois, o cargo chegou sem aviso. A 2 de novembro de 2024, Popovich sofreu um AVC ligeiro, e Johnson orientou o jogo dessa noite contra Minnesota com apenas algumas horas de preparação. Os Spurs venceram por 113-103. Popovich nunca mais regressou ao banco e, quando se demitiu em maio de 2025, após 29 épocas e 1.422 vitórias na fase regular, passando para o gabinete da presidência, Johnson foi anunciado como seu sucessor. A NBA atribuiu-lhe o registo de 32 vitórias e 45 derrotas do período em que foi treinador interino.

«Não sou o Pop», disse à Associated Press, «por isso não posso liderar como ele». A diferença notava-se em pequenas decisões. Popovich não gostava de fazer faltas para proteger uma vantagem de três pontos nos instantes finais; na meia-final da NBA Cup contra Oklahoma City, Johnson mandou os jogadores fazê-lo por três vezes, e San Antonio venceu por 111-109.

62 vitórias

A época seguinte trouxe mais 28 vitórias: os Spurs passaram de 34 triunfos para um registo de 62-20, conquistaram o primeiro lugar na Divisão Southwest e foram a segunda equipa mais bem classificada da Conferência Oeste, apesar de Wembanyama ter falhado 12 dos primeiros 25 jogos. Johnson foi eleito treinador do mês da Conferência Oeste em dezembro, orientou a equipa do Oeste no Jogo das Estrelas, em Inglewood, e terminou em terceiro na votação para Treinador do Ano, atrás de Joe Mazzulla, de Boston, e J.B. Bickerstaff, de Detroit.

Os playoffs foram mais longe do que a reconstrução da equipa fazia prever. San Antonio venceu Portland em cinco jogos, Minnesota em seis e os Thunder, campeões em título, em sete, depois de estar a perder por 3-2 na final da Conferência Oeste. Os Spurs chegaram às primeiras Finais desde 2014, e Johnson tornou-se o primeiro antigo aluno de Stanford a orientar uma equipa nessa fase.

Os argumentos contra

Nova Iorque expôs aquilo que a caminhada até ali tinha escondido. No segundo jogo, com o marcador empatado a 104 e Wembanyama na posse de um ressalto defensivo a 13,5 segundos do fim, Johnson optou por não pedir um desconto de tempo. O passe de Wembanyama acertou nas costas de Stephon Castle, Jalen Brunson sofreu uma falta ao recuperar a bola e os Knicks venceram com um lance livre. No terceiro jogo, San Antonio venceu no Garden. No quarto, os Spurs chegaram a liderar por 29 pontos, marcaram 14 e 16 pontos nos dois últimos períodos e perderam por 107-106. Magic Johnson defendeu publicamente que Wembanyama devia ter sido substituído no final do terceiro período; outros criticaram os descontos de tempo que o treinador não pediu enquanto a vantagem se esfumava.

Parte dessas críticas ignorava que era a primeira época completa de Johnson e que a equipa era jovem. O padrão, porém, era mais difícil de desvalorizar. A final da Cup, em dezembro, seguira o mesmo guião: uma vantagem de 11 pontos transformada numa derrota por 11. Depois da derrota por 94-90 no quinto jogo, em San Antonio, Johnson não contestou o diagnóstico: disse que a equipa não estava preparada para ser campeã e que a melhor equipa tinha vencido.

Jogo 8

As respostas para a nova época passaram por mudanças estruturais. Johnson contratou Billy Donovan, antigo treinador principal dos Thunder e dos Bulls, para o cargo de principal adjunto, depois de Sean Sweeney ter saído para treinar Orlando. E escolheu um cinco inicial que os números da época passada desaconselhavam: De’Aaron Fox, Castle e Dylan Harper juntos em torno de Wembanyama — um trio que, segundo a ESPN Research, tinha superado os adversários por 47 pontos em 69 minutos, 25 dos quais nas Finais. Johnson quer que o seu poste «quase controle o jogo como se fosse um marionetista», rodeado por três jogadores capazes de iniciar as jogadas, para que nenhuma defesa possa concentrar-se num só.

Fora do campo, mantém um perfil discreto; ele e a mulher, Jessica, têm quatro filhos. A sua segunda época completa começou a 20 de outubro, no Frost Bank Center, frente a Oklahoma City, a equipa que os Spurs eliminaram em sete jogos, num reencontro apresentado localmente como «Jogo 8». Johnson disse que vai «aceitar as expectativas». As que agora importam são concretas: manter uma vantagem até à buzina final, num jogo em que esteja algo em jogo.

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