Desporto

Djokovic estava a ganhar no US Open quando o corpo o abandonou

Jack T. Taylor

O marcador vai ler-se como uma emboscada, e os títulos vão chamar-lhe a maior surpresa da carreira de Novak Djokovic. Veja o jogo em vez do resultado e algo mais estranho, mais triste, ganha forma. No Arthur Ashe, Djokovic não foi superado em inteligência nem em golpes. Durante longos períodos, foi o melhor homem em court. Depois, o seu corpo abandonou a discussão, e ele não teve forma de o fazer voltar.

Perdeu o primeiro set num tiebreak e respondeu como os campeões respondem — ganhando os dois seguintes, apertando o cerco, fazendo com que o jovem argentino do outro lado da rede parecesse exatamente o que era, um outsider vários degraus abaixo. Liderava por dois sets a um. Essa é a crueldade disto: o ténis estava lá. O que falhou foi o recipiente que o transporta.

O que veio a seguir foi difícil de ver. Vomitou junto ao court, e não uma vez. Agarrou-se a um pé com cãibras. Recebeu tratamento nas costas antes do set final e, por um momento, sentou-se a lutar contra as lágrimas — um campeão de 24 grandes major reduzido a sobreviver à sua própria fisiologia. Já não conseguia servir a toda a velocidade. As bolas voavam constantemente das cordas de Navone para winners, não por serem imparáveis, mas porque Djokovic já não conseguia correr atrás de uma troca de bolas até ao fim.

Depois, recusou a desculpa fácil de uma noite má. “É algo que tenho carregado, infelizmente, praticamente em todos os jogos este ano”, disse ele — os vómitos, a rejeição, um corpo que “começa a colapsar, basicamente com cãibras e dores”. Esse não é o relato de um homem apanhado de surpresa uma vez. É o relato de um homem em guerra com o calendário, e a perder.

Dê-se a Mariano Navone o seu mérito, mas com exatidão. O jovem de 25 anos não varreu Djokovic do court; recusou-se a deixá-lo sair dele. Prolongou todas as trocas de bola, recuperou tudo, forçou mais uma bola e depois outra, salvando ponto de break atrás de ponto de break até o calor e os anos fazerem o seu trabalho por ele. Foi um plano construído exatamente para este adversário nesta noite exata — a paciência como arma contra um corpo com prazo de validade. Nos últimos dois sets, os erros de Djokovic vieram em catadupa, e Navone só teve de ficar.

O livro de registos guarda os factos nus. Foi a primeira vez que Djokovic perdeu uma estreia de Grand Slam desde 2006, a primeira eliminação na primeira ronda da sua carreira no US Open — um lugar onde nunca tinha caído antes da terceira ronda. Uma sequência de vitórias na primeira ronda que tinha chegado a 78 está terminada. Chegou a Nova Iorque mal preparado fisicamente, com apenas um jogo desde Wimbledon e uma derrota na estreia em Cincinnati, e isso viu-se no momento em que o jogo fez uma pergunta difícil ao seu corpo.

A métrica maior é a que importa para ele. Está a perseguir um 25.º major, o recorde que ficaria sozinho, e já leva doze Grand Slams sem levantar um — uma seca tão longa como qualquer outra que já tenha enfrentado. A caça não acaba aqui. Mas agora passa por um corpo que vomita e tem cãibras em noites húmidas e leva quatro horas e meia a ceder, contra adversários que perceberam que só precisam de lhe sobreviver.

O forehand ainda acerta. Os reflexos ainda brilham. Tudo o que Djokovic precisa para ganhar um Grand Slam está intacto, exceto a única coisa que ele não consegue treinar de volta à existência — um corpo que ainda esteja de pé quando o quinto set chegar. Do outro lado, o resto do quadro tomou nota: já não é preciso bater o Novak Djokovic. Só é preciso mantê-lo lá fora tempo suficiente para o deixar derrotar-se a si próprio.

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