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Von Miller assina pelos Cowboys e DeMarcus Ware diz tudo: «Era tudo o que ele queria»

Jack T. Taylor

Quando um homem passou a carreira a perseguir quarterbacks com uniformes de equipas vencedoras do Super Bowl e foi o melhor pass rusher da sua geração, os últimos capítulos deveriam ser sobre legado — uma digressão de despedida, uma aterragem suave, um número que fica bem numa manchete. Von Miller fez o contrário. Voltou a casa. E a pessoa que melhor do que qualquer diretor-geral percebe o que isso significa resumiu-o em cinco palavras: «Era tudo o que queria.»

Foi DeMarcus Ware quem o disse, e Ware sabe do que fala. Foi ele quem saiu de Dallas há anos rumo a um balneário em Denver, onde encontrou um jovem especialista em pressionar o quarterback, com uma explosão impossível no arranque e ainda sem perceber o peso que uma carreira pode ter. Ware ensinou-o a carregá-lo. Juntos conquistaram um título. Agora, o aluno chega à cidade do mestre, veste a estrela, e Ware — o líder de sempre dos Cowboys em sacks — sorri para o ecrã de uma chamada FaceTime como quem vê finalmente fechar-se um círculo.

A operação em si é modesta, e esse é precisamente o ponto. Um contrato de um ano, um salário base de 5,5 milhões de dólares que pode subir até aos 7,5 milhões, um jogador de 37 anos que participou em pouco mais de um terço dos snaps em Washington na época passada e ainda assim terminou com nove sacks. Numa folha de cálculo, isto é profundidade de plantel — um pass rusher de rotação para situações evidentes de passe, um veterano para transmitir lições aos jovens que atacam pelo outro lado. As equipas contratam jogadores assim todos os agostos e ninguém escreve uma palavra sobre a infância deles.

Mas Miller não vem de um lugar qualquer. É de DeSoto, a curta distância de carro do estádio onde agora se vai alinhar, um rapaz do Texas que brilhou na DeSoto High e depois na Texas A&M, antes de Denver o escolher como segunda escolha do draft e levar os seus melhores anos para as montanhas. Tudo o que o construiu — os dois anéis, o prémio de MVP do Super Bowl 50, as oito seleções para o Pro Bowl, os 138,5 sacks que lideram todos os jogadores ainda no ativo — aconteceu noutro lugar. O regresso a casa que todos tratam como uma nota de rodapé reconfortante é, na verdade, toda a história, precisamente porque o que está em jogo no futebol americano é pouco. Quando uma contratação mal mexe no quadro de profundidade, o que sobra é o que ela significa para o homem. Ware disse-lhe o que significa.

E há um detalhe que as notícias de agência deixaram passar. Miller e Ware estão empatados na lista de sempre de sacks, com 138,5 cada um, no nono lugar da história da modalidade — mentor e discípulo congelados no mesmo número. O próximo sack de Miller desfaz o empate. Quase de certeza que o conseguirá com o uniforme dos Cowboys, no terreno onde Ware fez o seu nome, no estado que criou ambos. O rapaz a quem Ware ensinou a suportar o peso vai ultrapassá-lo na escada enquanto veste a estrela da franquia dele. Se essa não é a razão por que um jogador de 37 anos recusa um final arrumado para voltar a casa, é suficientemente próxima para que Ware não precisasse de um parágrafo para a explicar.

Miller anunciou-o da forma ruidosa com que faz tudo: «Dallas! Vamos tornar isto especial!» Os Cowboys apostam alguns milhões e um papel de rotação em que ele ainda tem uma última arrancada nas pernas. Miller aposta noutra coisa — que os últimos sacks de uma carreira digna de eleição à primeira oportunidade valem mais quando são conquistados a uma hora da casa onde cresceu do que em qualquer outro lugar onde o dinheiro pudesse ser melhor. Ware, cujo próprio recorde está prestes a cair, já sabia a resposta. Era tudo o que queria.

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