Desporto

Campeonato do Mundo 2026, Grupo J: Argentina favorita — a Argélia chegou com um aviso da Holanda

Jack T. Taylor

Lionel Messi toca a bola com o pé esquerdo e o futebol muda de velocidade. É essa a qualidade que distingue a campanha argentina no Grupo J de todas as outras — não a profundidade do plantel, não a clareza táctica de Scaloni, mas o facto concreto de que um único homem pode alterar a dinâmica de um jogo com um toque. A Argélia, a Áustria e a Jordânia construirão os seus planos em torno disso. O que altera agora os cálculos é o que a Argélia acabou de demonstrar em Roterdão.

Photo: Fanny Schertzer / CC BY 3.0, via Wikimedia Commons — https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Lionel_Messi_-_Switzerland_vs._Argentina,_29th_February_2012.jpg

O grupo abre em Kansas City com Argentina-Argélia, confronto que parece simples no papel até se recordar o resultado do jogo de preparação: a Argélia venceu a Holanda por 1-0, com golo de Hadj Moussa aos 86 minutos. Ronald Koeman chamou de toque de despertar. Era mesmo. O Grupo J devia ter prestado atenção.

Os campeões

A Argentina chega à América do Norte como campeã mundial em título e grande favorita no Grupo J. Lionel Scaloni construiu uma equipa que não exige que Messi seja extraordinário em cada minuto: Lautaro Martínez e Julián Álvarez oferecem profundidade; Emiliano Martínez protege a baliza; Romero e Lisandro Martínez defendem com intensidade controlada; De Paul e Mac Allister alimentam o meio-campo. Não é uma equipa de um só homem.

Messi chega ao torneio com 38 anos. É o seu sexto Campeonato do Mundo — mais do que qualquer outro jogador masculino na história da competição, com 26 presenças já no registo. Nas qualificações foi o melhor marcador da CONMEBOL com oito golos.

A questão para a Argentina no Grupo J não é se se qualifica — vai qualificar-se. É se a máquina rende ao nível mais alto sob pressão real. No Qatar 2022 perderam a primeira jornada com a Arábia Saudita e ganharam tudo o que importou a seguir.

O aviso de Roterdão

A Argélia não disputava um Mundial desde 2014. Petković, sete anos à frente da Suíça em dois Europeus e um Mundial, traz a mesma disciplina táctica e a mesma inteligência de pressão ao conjunto argelino.

Riyad Mahrez, 33 anos, joga na Saudi Pro League e chega ao seu segundo Mundial sabendo que será o último. As dúvidas sobre se ainda consegue actuar ao mais alto nível encontraram resposta parcial em Roterdão: a Argélia pressionou, Bennacer controlou o meio-campo, e quando Hadj Moussa recebeu aos 86 minutos e enroscou para o ângulo, os adeptos perceberam do que esta equipa é capaz.

Luca Zidane, filho de Zinedine, é o guarda-redes titular da Argélia. Carrega um apelido que evoca o melhor jogador de uma geração. Em Kansas City, frente à Argentina, todas as câmaras vão encontrá-lo.

O caminho da Argélia para os oitavos passa pelo segundo lugar: travar a Argentina no jogo inaugural, bater a Jordânia e chegar ao encontro decisivo com a Áustria com algo em disputa. Se Mahrez aparecer e a estrutura defensiva de Petković se mantiver, o segundo lugar está ao alcance.

O regresso de Rangnick

A Áustria não disputava um Campeonato do Mundo desde França 1998. Vinte e oito anos de ausência, e o regresso faz-se com o treinador tacticamente mais específico do futebol europeu. Ralf Rangnick chegou em 2022 e reconstruiu não apenas um plantel mas uma cultura inteira de pressão alta e intensidade permanente. No Euro 2024, a Áustria chegou aos oitavos antes de ser eliminada pela Turquia.

David Alaba capitaneia o grupo e estreia num Mundial com 33 anos. Marko Arnautovic, 37 anos, é o maior goleador de sempre com 47 golos em 132 internacionalizações. O meio-campo — Sabitzer, Laimer, Schlager, Seiwald, Baumgartner — é a força real da equipa. O jogo que vai decidir o segundo lugar será Argélia-Áustria em Kansas City a 27 de junho.

Os estreantes

A Jordânia disputa o seu primeiro Campeonato do Mundo. O seleccionador Jamal Sellami qualificou-a pela via asiática — o hat-trick de Ali Olwan selou a presença depois de décadas de tentativas. Musa Al-Tamari, do Rennes, é o guarda mais noto na Europa. A 27 de junho em Dallas, a Jordânia vai jogar contra os campeões do mundo no maior jogo da história do futebol jordaniano.

O prognóstico

A Argentina encabeça o grupo — é o que a evidência sustenta. O segundo lugar é o debate real: a qualidade organizada de Petković contra a estrutura implacável de Rangnick. O jogo que vai resolver a questão — Argélia-Áustria em Kansas City a 27 de junho — é o que merece atenção. A Jordânia não terminará em segundo. Mas a 27 de junho em Dallas, quando Sellami alinhar os seus jogadores frente aos campeões do mundo, a ocasião já lhes pertence.

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