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Dice Have No Eyes, o Balatro de dados dos criadores de Arco, faz da ganância o verdadeiro boss

O roguelike febril de Franek e Max Cahill aproxima-se do seu desfecho, com a promessa de conhecer Deus e talvez acordar
Cassian Vale
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Todo o jogo de azar fala, no fundo, do momento em que devíamos ter parado. Dice Have No Eyes constrói todo o seu design em torno desse instante. Criado por Franek e Max Cahill, dois dos programadores por trás do RPG de fantasia mesoamericana Arco, é um roguelike de lançar dados na esteira de Balatro; mas, enquanto o êxito de póquer de LocalThunk nos pede para construir a mão perfeita, este faz uma pergunta mais cruel: quanto estamos dispostos a perder por mais um lançamento?

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O ciclo é de uma simplicidade desarmante. Lança-se uma mão-cheia de dados e guardam-se os pontos, ou continua-se a lançar para os duplicar, sabendo que cada lançamento também pode deitar tudo a perder. Entre níveis, melhoram-se e trocam-se os dados, dão-se-lhes petiscos e juntam-se bugigangas e feitiços que torcem as regras; o prazer está em descobrir as sinergias partidas antes que os dados se virem contra nós. A página da loja resume uma partida num pequeno monólogo que passa de «És esperto» a «És um génio» e a «És estúpido» no espaço de poucos lançamentos.

The shop screen in Dice Have No Eyes, with King Fetus and Dog offering dice and trinkets
Image: Franek and Max Cahill / Future Friends Games

O que o distingue no concorrido campo dos herdeiros de Balatro é o tom. Os tabuleiros flutuam em nuvens pastel, o elenco inclui uma figura coroada chamada King Fetus e um cão como companheiro, e o acaso é atribuído, com toda a seriedade, a um «motor God n’ Fate». Os dados, como promete o título, não têm olhos nenhuns. Por baixo das piadas há uma ideia a sério: a sorte é tratada como algo próximo da fé, e cada partida como um sonho do qual talvez se acorde.

O jogo está em acesso antecipado no Steam desde maio, e a atualização de lançamento da versão 1.0, que chega a 20 de novembro, é a que finalmente lhe dá um fim. No anúncio, os criadores prometem «o grande final», com um ponto de interrogação sobre se vamos mesmo conhecer Deus, a par de novas personagens, objetos e bebés, novos tabuleiros, finais próprios para cada personagem, mais opções de personalização e um Nível Fenda que, nas palavras deles, «nunca mais acaba».

A cleared board in Dice Have No Eyes with dice, coins and companions floating above the clouds
Image: Franek and Max Cahill / Future Friends Games

A atualização acrescenta ainda cassetes de música para colecionar e montar uma lista de reprodução no jogo, conquistas e tabelas de classificação do Steam, mais idiomas e uma longa lista de melhorias de qualidade de vida, incluindo controlos reformulados. O jogo é lançado para PC com Windows no Steam, onde a versão em acesso antecipado já está à venda e existe uma demo gratuita.

Para Franek e Cahill, uma dupla que trabalha entre a Polónia e a Austrália, é uma viragem brusca face a Arco, a aventura tática que a Panic editou em 2024. Arco contava a sua história ao longo de uma viagem por um mundo de inspiração mesoamericana; Dice Have No Eyes comprime as consequências num único toque no botão de lançar. Para a próxima vai ser diferente, sussurra o jogo. Raramente é.

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