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Kena: Scars of Kosmora: Ember Lab constrói a sequela sobre uma perda

Susan Hill

A decisão de design mais significativa que a Ember Lab tomou com Kena: Scars of Kosmora não é o mundo maior, nem a nova ilha, nem sequer os sistemas elementares expandidos que o estúdio construiu de raiz. É esta: no primeiro ato, o cajado de Kena — a ferramenta que lhe permitia comunicar com os espíritos e que a mantinha viva enquanto Guia Espiritual — é despedaçado. A sequela começa no momento da subtração.

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Anunciado no State of Play da PlayStation em fevereiro de 2026, Scars of Kosmora segue uma Kena mais velha, agora reconhecida como uma Guia Espiritual consumada, que viaja até à ilha de Kosmora à procura de respostas para uma aflição que a acompanha desde sempre. A ilha, dividida em regiões culturais distintas com as suas próprias histórias e tragédias enterradas, não é um sítio onde ela possa simplesmente aplicar o que já sabe. Quando um espírito local parte o seu cajado à chegada, o jogo torna essa impossibilidade literal.

O que substitui o cajado é um sistema de infusão elemental. Os habitantes de Kosmora desenvolveram a sua própria abordagem à Orientação Espiritual — técnicas ancestrais enraizadas na alquimia que permitem aos praticantes manipular elementos diretamente. Kena aprende a canalizar gelo, a congelar adversários em combate, a estabelecer laços com aliados espirituais elementares nativos da ilha. Esses aliados tornam-se mais fortes à medida que o vínculo se aprofunda, desbloqueando novas capacidades tanto na exploração como no combate. A base mecânica — ação-RPG corpo a corpo, coordenação de companheiros, consciência espacial — é familiar de Bridge of Spirits. O vocabulário mudou por completo.

O que Kosmora acrescenta ao sistema

A ilha funciona como mais do que um cenário. A Ember Lab descreve Kosmora como um mundo de regiões meticulosamente desenhadas com progressão deliberada, cada uma carregando vestígios do seu passado cultural específico. A ideia de que a Orientação Espiritual não é uma prática universal — que diferentes povos, em diferentes lugares, encontraram formas distintas de transitar entre a vida e a morte — dá ao mundo espaço para uma descoberta genuína. Um jogador que terminou Bridge of Spirits a saber exatamente como Kena funciona chegará a Kosmora sem essa certeza.

A busca pessoal de Kena ancora a narrativa. A aflição que a acompanha desde sempre permanece indefinida nesta fase — uma lacuna deliberada que impede a jornada de se resolver antes de começar. Ela não visita Kosmora por razões profissionais. Está à procura de algo que a ilha pode ter enterrado no seu passado trágico.

A Ember Lab e a aposta estrutural da sequela

Bridge of Spirits foi lançado em 2021 como a estreia da Ember Lab. Chegou com um refinamento visual e cinematográfico invulgar para um estúdio do seu tamanho — os Rot, os pequenos companheiros espirituais de Kena, eram simultaneamente uma mecânica de combate e uma personalidade que se acumulava ao longo do jogo. A sequela mantém uma versão desses companheiros, mas retira-os do centro do sistema, substituindo-os por aliados elementares enraizados na história específica de Kosmora.

O jogo chega à PlayStation 5 e ao PC em 2026. A Ember Lab continua a ser um pequeno estúdio independente, e a parceria com a PlayStation expandiu o âmbito sem transformar a operação. Fazer do drama central da sequela a perda — começar pela redução — é o tipo de decisão estrutural que estúdios com menos confiança na sua própria linguagem de design tendem a não tomar.

Se a alquimia elemental de Kena conseguirá carregar o que o cajado carregava, e se Kosmora merecerá o peso que a premissa lhe impõe, só ficará claro quando o jogo for lançado. O que já está claro é o argumento: a sequela mais interessante não é aquela que constrói sobre o que funcionou, mas aquela que pergunta do que era feito o original.

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