Negócios e finanças

Essar aposta 18 mil milhões de dólares na maior siderurgia dos EUA após falir no Minnesota

A Mesabi Metallics, filial norte-americana do grupo indiano Essar, prepara um projeto de 18 mil milhões de dólares da mina à fábrica de aço, com aquela que os promotores chamam a maior siderurgia dos Estados Unidos. A primeira aventura no Minnesota acabou em falência e o Iowa ainda não votou os benefícios fiscais.
Victor Maslow
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O grupo indiano Essar passou a maior parte das últimas duas décadas a tentar transformar o minério de ferro do Minnesota em aço americano, mas a primeira tentativa acabou em falência. O novo plano é muito mais ambicioso: uma aposta integrada, da mina à siderurgia, através da sua filial norte-americana Mesabi Metallics, que liga a mina de minério de ferro na Mesabi Iron Range a um complexo siderúrgico no sudeste do Iowa, que os seus apoiantes dizem ser a maior siderurgia dos Estados Unidos.

O aço é um custo oculto nos automóveis, nas máquinas de lavar, nas pontes e nos armazéns, e os compradores americanos têm pago mais por ele desde que aumentaram os direitos aduaneiros sobre o aço estrangeiro. Uma unidade desta dimensão acrescentaria oferta nacional destinada aos fabricantes de automóveis, aos empreiteiros da defesa e às empresas de construção de infraestruturas. Os compradores na Europa ou na Ásia, fora dessa barreira pautal, não sentiriam qualquer alteração direta no que pagam.

O investimento ascende a 18 mil milhões de dólares e a meta é produzir até 10 milhões de toneladas de aço por ano — mais de um décimo da produção atual dos EUA — para vender num mercado em que o aço importado paga agora um direito aduaneiro de 50%. O projeto é tão importante como a dimensão. A Mesabi planeia transformar os seus próprios pellets de taconite em ferro de redução direta, utilizando gás natural, e depois fundi-lo em fornos de arco elétrico alimentados pela rede do Iowa, onde predomina a energia eólica. Assim, dispensará os altos-fornos a carvão que continuam a ser a base dos produtores de aço mais antigos dos Estados Unidos. A Cleveland-Cliffs, o principal grupo de minério de ferro e aço da região, optou por manter um alto-forno em funcionamento no Ohio. «Com o novo complexo siderúrgico no Iowa, completaremos uma cadeia de abastecimento americana totalmente integrada, da mina à siderurgia», afirmou Rewant Ruia, presidente da Mesabi.

O historial da empresa é motivo para cautela. A Essar iniciou as obras perto de Nashwauk, no Minnesota, prometeu concluir a unidade dentro de poucos anos, mas depois ficou sem dinheiro, deixou empreiteiros por pagar e nunca reembolsou o estado por cerca de 65 milhões de dólares de obras de infraestrutura, antes de a sua filial no Minnesota pedir proteção contra credores. Seguiram-se anos de litígios sobre as concessões mineiras estaduais. Na Índia, o grupo perdeu a sua principal empresa siderúrgica, a Essar Steel, para a ArcelorMittal e a Nippon Steel, no âmbito de um processo de insolvência. A mina do Minnesota só agora se aproxima da fase de produção, com o início da produção de pellets previsto para dentro de algumas semanas, segundo a empresa.

No Iowa, a parte difícil ainda não começou. O condado de Lee, junto ao rio Mississippi e com cerca de 32 000 habitantes, não recebeu qualquer pedido de licenciamento; os registos prediais não revelam grandes aquisições ligadas ao projeto e a localização continua por divulgar, noticiou a KCRG. Os incentivos também ainda não são lei: está a ser pedido aos legisladores que dupliquem, de 5% para 10%, o crédito fiscal reembolsável ao investimento previsto no programa estadual para megaprojetos. Num investimento de 15 mil milhões de dólares, a diferença poderá chegar a centenas de milhões de dólares. Ginger Knisley, presidente do conselho do condado de Lee, expôs com prudência as expectativas locais: «Algo desta dimensão, se vier mesmo a instalar-se no condado de Lee, provavelmente trará benefícios através de melhorias nas nossas infraestruturas, serviços públicos e estradas.»

Quem mais claramente sai a perder é a Iron Range do Minnesota, que há mais de um século envia minério para siderurgias de outras regiões e esperava finalmente ter uma no seu território. Joe Broking, diretor executivo da Mesabi, disse ao conselho do condado de Itasca que outros estados ofereciam melhores condições: «A realidade é que, quando falamos com outros estados, são mais competitivos nesta matéria.» Ainda assim, segundo a empresa, Nashwauk aumentará o seu quadro permanente de 200 para 350 trabalhadores.

A Mesabi divide o investimento total em 3 mil milhões de dólares para a mina e a unidade de produção de pellets de Nashwauk e 15 mil milhões para o complexo do Iowa. A empresa prevê que este crie mais de 6 000 postos de trabalho na construção e pelo menos 1 750 empregos permanentes, com o início da produção de aço em 2030. O plano foi apresentado na Casa Branca a 28 de setembro. A Essar iniciou as obras no Minnesota em 2008 e o projeto entrou no processo de insolvência do Chapter 11 em 2016; a ArcelorMittal e a Nippon Steel concluíram a aquisição da Essar Steel India em 2019.

O próximo teste terá lugar na sexta-feira, 2 de outubro, quando os legisladores do Iowa regressarem para uma sessão especial e votarem as alterações aos incentivos. Até essa votação, a maior siderurgia dos Estados Unidos não passa de um memorando, de um evento para a imprensa e de uma mina no Minnesota prestes a produzir pellets, sem que exista ainda qualquer forno para os fundir.

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