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’99 Nights in the Forest’ vai ao cinema: a Disney aposta no público do Roblox, não no terror de Sam Raimi

Veronica Loop
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Hollywood passou os últimos anos a provar que um videojogo com público suficiente pode ser arrastado para dentro de uma sala de cinema, e a Disney acaba de encontrar o seu próximo público no sítio mais improvável: o Roblox. O selo 20th Century do estúdio garantiu os direitos de exibição teatral de 99 Nights in the Forest, um dos títulos mais jogados numa plataforma mais conhecida pelos mundos criados pelos utilizadores do que por histórias acabadas. O nome famoso associado ao negócio fará a maior parte da conversa, mas a transação por baixo é mais simples e mais fria. A Disney não está a comprar uma história aqui. Está a comprar um público que já existe.

Vale a pena ser preciso sobre quem faz o quê, porque a simplificação turvou tudo. Sam Raimi está a produzir, ao lado do seu parceiro de longa data Rob Tapert; não está a realizar. O argumento vai para Josh Cooley, um vencedor do Óscar cuja assinatura é a comédia animada e não o pavor, como o The Hollywood Reporter notou quando noticiou a sua contratação. Não há realizador associado, nem elenco. O que o projeto tem, para já, é uma marca no cartaz e uma propriedade com um séquito já estabelecido — o que, no mercado atual, um estúdio trata como a batalha já quase ganha.

A questão mais espinhosa é o que um argumentista está realmente a adaptar. 99 Nights in the Forest é um jogo de sobrevivência, não um jogo narrativo. O seu apelo é um ciclo e um ambiente: procurar quatro crianças desaparecidas e sobreviver à coisa na escuridão — um predador com forma de veado que não pode ser morto e que vem atrás dos jogadores ao cair da noite. Há atmosfera e há um monstro. Não há enredo, não há protagonista, não há arco à espera de ser transcrito. O trabalho de Cooley é inventar o filme que o jogo apenas sugere, o que é uma tarefa muito diferente de adaptar um livro ou até um jogo conduzido por história.

O apelo para a Disney não é misterioso. O jogo atraiu dezenas de milhares de milhões de visitas desde o seu lançamento em 2025 e está entre os títulos mais jogados na história do Roblox, com um pico de audiência simultânea que a maioria das franquias teatrais invejaria e uma classificação de jogadores acima dos noventa por cento. Isso é uma base de marketing que nenhuma premissa de terror original poderia comprar. Num negócio que agora dá luz verde com base no alcance pré-existente, um título que milhões de jovens jogadores já conhecem pelo nome é a aposta mais segura que um estúdio pode fazer.

Também marca uma mudança em onde Hollywood vai às compras. Depois de Minecraft e Five Nights at Freddy’s terem transformado marcas de jogos em eventos de bilheteira, os estúdios foram à procura do próximo — e desta vez a fonte não é um lançamento polido de estúdio, mas um jogo feito por uma pequena equipa da Nova Zelândia, a Grandma’s Favourite Games, e alojado numa plataforma gerada por utilizadores. O Roblox é uma montra de ideias de outras pessoas. Explorá-lo para um lançamento teatral é um movimento novo, e 99 Nights é o caso de teste.

O que levanta a contradição que ninguém envolvido resolveu. O público central do Roblox é maioritariamente jovem; a marca de produtor de Raimi promete terror a sério; a arte de Cooley é a animação para toda a família. Esses três sinais apontam para três filmes diferentes. É uma criatura PG-13 feita para os adolescentes do jogo, ou o survival-horror mais duro que a premissa lisonjeia? A resposta decide se o filme mantém o público para o qual foi comprado. Até agora, está visivelmente ausente.

O Veado, pelo menos, provou que consegue viajar: cruzou para o Fortnite como a primeira personagem nascida no Roblox num evento oficial lá, um monstro com mais mobilidade de marca do que a maioria do IP de estúdio. Se consegue carregar uma história de duas horas — em vez de um ciclo que recomeça todas as noites — é a única coisa que o negócio não pode comprar antecipadamente.

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