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Realizador de ‘Rose’ assina com a Cinetic para transformar o prestígio de Berlim numa base americana

Veronica Loop

Os realizadores europeus de cinema de autor nunca tiveram falta de prestígio de festivais; o que muitas vezes lhes faltou foi a infraestrutura americana para converter um prémio de Berlim em financiamento, peso de agência e um lugar na conversa dos prémios. É essa lacuna que Markus Schleinzer — o miniaturista austríaco do pavor moral que passou anos a fazer o casting dos filmes de Michael Haneke antes de realizar os seus próprios — se prepara agora para fechar, ligando-se ao mercado independente dos EUA no momento em que o seu perfil por lá está no ponto mais alto.

Como o Deadline noticiou em primeira mão, Schleinzer assinou com a Cinetic Media, a empresa nova-iorquina de John Sloss que junta vendas, consultoria de financiamento e gestão de talentos numa só operação, para representação. Continua a ser representado por Katrin Näher na Talent Republic, da Alemanha, pelo que o acordo com a Cinetic funciona menos como uma mudança de lealdade do que como uma aposta deliberada em construir uma base americana a par da europeia.

Schleinzer não é um queridinho convencional dos festivais. Construiu a reputação dentro da austeridade de Haneke — fazendo o casting de A Professora de Piano e de O Laço Branco — antes de a sua própria estreia, Michael, ser apresentada em competição em Cannes com um estudo arrepiante de um homem que mantém uma criança cativa na cave. Angelo seguiu-se em 2018. Rose, o seu terceiro filme, é a obra que finalmente deu ao seu trabalho altitude comercial e crítica.

Rose é um filme de época a preto e branco passado nos escombros da Guerra dos Trinta Anos, com Sandra Hüller no papel de uma mulher que se faz passar por soldado e chega a uma remota aldeia protestante a reivindicar ser a herdeira desaparecida de uma propriedade abandonada. O filme competiu pelo Urso de Ouro na 76.ª Berlinale, e Hüller conquistou o Urso de Prata para Melhor Interpretação Principal — o tipo de prémio que transforma a próxima chamada telefónica de um realizador numa decisão estratégica. A Match Factory tratou das vendas, e a MUBI avançou rapidamente, ficando com a América do Norte, o Reino Unido e a Irlanda, Itália, Turquia, América Latina, Austrália e Nova Zelândia.

A Cinetic é um porto de abrigo lógico para essa ambição. A divisão de gestão de Sloss especializou-se exatamente no talento multifacetado e de autor — Richard Linklater, Todd Haynes, Matthew Rankin — que precisa de aconselhamento financeiro tanto quanto de agendamento, e a empresa reforçou recentemente o seu banco de talentos ao contratar a agente da WME Niki Montazaran. Para Schleinzer, o timing é certeiro: espera-se que a MUBI dê a Rose um lançamento nos cinemas dos EUA depois de uma corrida de qualificação para os prémios em novembro, e um gestor americano é o tecido conjuntivo entre uma vitória num festival europeu e uma campanha americana.

É um movimento discretamente revelador para um realizador que se fez dentro dos quartos fechados e sem ar de Haneke: o homem que outrora fazia o casting dos filmes dos outros está agora a fazer o casting da sua própria carreira, apostando que uma interpretação premiada com o Urso de Prata e uma mulher disfarçada podem viajar de um ecrã de Berlim para uma votação americana.

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