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Morris Chestnut e a personagem de The Best Man que sobreviveu às séries

Penelope H. Fritz
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Morris Chestnut
Morris Chestnut
Photo: Kingkongphoto & www.celebrity-photos.com from Laurel Maryland, USA / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento1 de janeiro de 1969
Cerritos, California
OcupaçãoAtor
Conhecido porA Malta do Bairro, Kick-Ass 2: Agora é a Doer, A Chamada
PrémiosNAACP Image Award for Outstanding Supporting Actor in a Comedy Series · NAACP Image Award for Outstanding Actor in a Television Movie, Mini-Series or Dramatic Special · Star on the Hollywood Walk of Fame

Há uma cena que se repete na carreira de Morris Chestnut. Uma cadeia de televisão entrega-lhe uma série inteira, o melhor horário da grelha e, no caso de Watson, até o companheiro de Sherlock Holmes e o lugar nobre a seguir a uma final de conferência da NFL. Depois, a mesma cadeia desliga a ficha. Quando a CBS desistiu da terceira temporada, o ator respondeu no Instagram com uma cortesia quase antiga, entre a tristeza e a gratidão: «É assim a fera do espetáculo.»

A personagem que sobreviveu a todos esses protagonismos pertence a um grupo de amigos. Lance Sullivan, a estrela de futebol americano devota e orgulhosa cujo casamento põe em marcha The Best Man, acompanhou Chestnut de uma comédia romântica a uma sequela natalícia e, por fim, a uma série de streaming que fechou a história. O próprio ator já o disse: nunca lhe faltou trabalho, mas foi esse filme que levou a indústria a vê-lo como protagonista. Um protagonismo partilhado, afinal, com toda uma roda de amigos dos tempos da universidade.

Cresceu em Cerritos, um subúrbio no sudeste do condado de Los Angeles, onde nasceu no dia de Ano Novo de 1969, filho de Shirley, professora, e de Morris, vendedor de material médico. Estudou finanças e teatro na Universidade Estadual da Califórnia, em Northridge, e foi caixa de banco antes de conseguir viver da representação. O primeiro trabalho profissional resumiu-se a um episódio de Freddy’s Nightmares, em 1990. Um ano depois, John Singleton escolheu-o para Ricky Baker em Boyz n the Hood.

Ricky é a ferida aberta do filme: um corredor cobiçado por um recrutador universitário, pai de um bebé, abatido a tiro numa viela antes de conseguir sair de South Central. Essa cena fez de um estreante o rosto do luto que Singleton filmava e fixou o molde que Hollywood lhe aplicaria durante anos, o do atleta e bom filho atingido pela vida. Nos anos 90, aceitou o que os estúdios ofereciam a um jovem ator negro. Fez o papel principal de The Ernest Green Story, telefilme do Disney Channel distinguido com um Peabody sobre um dos Nove de Little Rock, e passou depois ao cinema de ação, como parceiro relutante de Steven Seagal num comboio sequestrado em Força em Alerta 2 e como candidato aos SEAL ao lado de Demi Moore em G.I. Jane.

The Best Man, primeira longa-metragem de Malcolm D. Lee, chegou em 1999 e valeu-lhe uma nomeação para os NAACP Image Awards. Seguiram-se os anos mais preenchidos da sua carreira no cinema, e também os mais limitados. Foi o par romântico em Two Can Play That Game, uma estrela da NBA em Like Mike, um bombeiro ao lado de John Travolta e Joaquin Phoenix em Brigada 49 e, em The Game Plan, mais um jogador de futebol americano, desta vez à sombra de Dwayne Johnson. A única viragem brusca foi Half Past Dead, em que fez de vilão frente a Seagal.

A televisão tomou conta a partir daí. Em V, da ABC, foi Ryan Nichols, um Visitante que se passa para o lado dos humanos; em Nurse Jackie, da Showtime, interpretou Ike Prentiss, veterano de guerra na equipa do hospital, papel que lhe deu o primeiro NAACP Image Award, em 2014. A Fox construiu então Rosewood à sua volta, um patologista de Miami com laboratório próprio, e cancelou-a ao fim de duas temporadas. The Enemy Within, na NBC, durou uma. Our Kind of People também. Pelo meio, passou duas temporadas como Barrett Cain, o neurocirurgião gélido de The Resident, um dos raros papéis que deixaram o público detestá-lo.

A explicação habitual é o azar, e o próprio Chestnut recorre a ela. O percurso sugere algo mais concreto. As cadeias contratam-no pela qualidade que a revista People destacou quando o incluiu entre os homens mais sensuais de 2015, uma autoridade serena e tranquilizadora, e depois escrevem-lhe séries procedimentais que não lhe pedem mais nada. O melhor do seu trabalho surge quando um argumento lhe dá um defeito, ou um grupo contra quem representar. Os dois Image Awards vieram de elencos de conjunto, o segundo em 2023 por The Best Man: The Final Chapters, no Peacock, enquanto nenhuma das séries vendidas com o seu nome à cabeça chegou à terceira temporada.

Watson devia alterar essas contas. Craig Sweeny, com experiência em Elementary, levou o companheiro de Holmes para Pittsburgh um ano depois das cataratas de Reichenbach, à frente de uma clínica de doenças raras onde forma médicos jovens. Chestnut explicou que aceitou porque adora interpretar personagens inteligentes, e esta era inteligente mas imperfeita. A série estreou em janeiro de 2025, a seguir à final da AFC. A segunda temporada, com vinte episódios, teve uma média de 2,86 milhões de espectadores, menos 44% do que a primeira; a CBS cancelou-a em março de 2026 e o último episódio foi emitido a 3 de maio. Ainda assim, deu-lhe a sétima nomeação para os Image Awards.

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O ano não ficou parado. Diarra from Detroit, a comédia de mistério de Diarra Kilpatrick em que interpreta o ex-marido dela, o advogado François «Swa» Brickland, mudou-se para o Paramount+ após o encerramento da BET+ e exibiu a segunda temporada entre o final de julho e setembro. A 6 de outubro, o Hulu estreou a quarta temporada de Dúvida Razoável, com Chestnut de regresso como Corey Cash, o papel que lhe valeu uma nomeação para os Image Awards em 2025. São dois papéis secundários, em séries protagonizadas por mulheres.

Fora do ecrã, mantém-se discreto. Está casado com Pam Byse-Chestnut desde 1995 e tem dois filhos, Grant e Paige. Quando recebeu a estrela n.º 2716 do Passeio da Fama de Hollywood, em março de 2022, descreveu-se como introvertido e dedicou o discurso à família. Em 2024, fundou a marca Sable Bourbon com os homens de The Best Man: o realizador Malcolm D. Lee, Taye Diggs e Harold Perrineau.

Dúvida Razoável continua semanalmente no Hulu até 24 de novembro, e não foi anunciado nenhum novo papel de protagonista. Chestnut fica assim sem uma série de cadeia construída à sua medida, precisamente o lugar de onde, ao longo de três décadas, tem costumado partir o seu trabalho mais duradouro.

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