Líderes Empresariais

Sergey Brin, o cofundador da Google que voltou sem cargo para acelerar o Gemini

Penelope H. Fritz
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Sergey Brin
Sergey Brin
Photo: The White House / Public domain, via Wikimedia Commons
Nascimento21 de agosto de 1973
Moscow, Soviet Union
OcupaçãoCofundador da Google
PrémiosPrémio Marconi · Prémio Seoul Test of Time · Prémio Abramowitz

Há uma microcozinha convertida no Gradient Canopy, um dos edifícios mais recentes do campus da Google em Mountain View, onde as secretárias estão dispostas em U e a estratégia de inteligência artificial da empresa é discutida de perto. Sergey Brin trabalha ali quando aparece no escritório. Ao lado dele, segundo oito funcionários e antigos funcionários que falaram com o Business Insider, senta-se Koray Kavukcuoglu, o executivo que hoje dirige a Google DeepMind, e Sundar Pichai passa por lá várias vezes por semana.

Brin não tem qualquer cargo executivo na Google. É cofundador e um dos seus maiores acionistas, tem lugar no conselho de administração e, no papel, é tudo. Na prática, dizem esses funcionários, pronuncia-se sobre a dimensão dos modelos e as datas de lançamento, e os investigadores a quem faltam chips de computação aprenderam a pedi-los informalmente. Descreve-se como «um pequeno agitador». O homem que deixou de dirigir a empresa encontrou uma forma de orientar o único produto que ela não pode dar-se ao luxo de perder.

O hábito de abandonar um caminho para apostar numa alternativa melhor começou cedo. Brin nasceu em Moscovo, a 21 de agosto de 1973, filho de Mikhail Brin, matemático, e Eugenia Brin, ambos diplomados pela Universidade Estatal de Moscovo. Depois de uma conferência de matemática em Varsóvia, em 1977, o pai decidiu que a família tinha de sair do país devido ao antissemitismo na União Soviética. O pedido de vistos de saída custou a Mikhail o emprego. Os vistos foram concedidos em 1979 e, depois de passarem por Viena e Paris com a ajuda da Hebrew Immigrant Aid Society, a família chegou aos Estados Unidos em outubro desse ano, quando Sergey tinha seis anos.

O pai conseguiu um lugar como professor de matemática na Universidade de Maryland, e a mãe veio mais tarde a trabalhar como investigadora no Goddard Space Flight Center da NASA. Brin estudou na Eleanor Roosevelt High School e depois na universidade onde o pai dava aulas, concluindo em 1993, aos 19 anos, uma licenciatura em informática e matemática. Uma bolsa da National Science Foundation levou-o a Stanford, onde obteve o mestrado em 1995 e conheceu Larry Page numa sessão de acolhimento aos novos alunos.

Os dois criaram o BackRub, um programa que percorria a Web e recolhia as ligações entre páginas, e o PageRank, o algoritmo que transformava essas ligações numa medida da importância de cada página. A primeira versão do motor de busca foi publicada no site de Stanford em agosto de 1996. O artigo que escreveram em 1998, The Anatomy of a Large-Scale Hypertextual Web Search Engine, descrevia o sistema. Nesse mesmo ano, fundaram a Google na garagem de Susan Wojcicki, em Menlo Park, e Brin deixou o doutoramento por concluir.

Dentro da empresa, tornou-se o fundador que gostava de hardware e de espetáculos arrojados. Na conferência de programadores Google I/O de 2012, subiu ao palco para apresentar o Glass, o computador concebido para ser usado no rosto e desenvolvido pelo laboratório Google X, que supervisionava. Entretanto, paraquedistas com protótipos saltaram de um dirigível e aterraram no telhado do Moscone Center. «Isto pode correr mal de 500 maneiras diferentes», disse à plateia. A demonstração correu bem. O produto, não: a Google deixou de vender a edição Explorer, por 1500 dólares, no início de 2015.

Quando a Google se reorganizou sob a alçada da Alphabet, em 2015, Brin tornou-se presidente da holding. Deixou o cargo em dezembro de 2019, juntamente com Page, que abandonou a função de diretor-executivo, passando-a a Pichai. Ambos mantiveram os lugares no conselho de administração. Durante alguns anos, investiu o seu dinheiro em projetos muito distantes da pesquisa. A LTA Research, empresa que financia, construiu o Pathfinder 1, um dirigível de hélio com 124 metros que, no seu primeiro voo para lá de Moffett Field, em maio de 2025, sobrevoou a baía de São Francisco. Desde que revelou, em 2008, num blogue pessoal a que chamou «Too», que é portador de uma mutação LRRK2 associada à doença com que a mãe foi diagnosticada, já doou mais de mil milhões de dólares à investigação sobre a doença de Parkinson, noticiou a Forbes.

Depois veio o regresso. Brin voltou ao escritório em 2023 para trabalhar no Gemini, a resposta da Google ao ChatGPT, e não regressou discretamente. Numa mensagem interna de 2025, noticiada pelo The New York Times, disse aos funcionários do Gemini que 60 horas semanais eram o «ponto ideal» de produtividade e instou-os a estar no escritório todos os dias úteis. Segundo o Business Insider, pôs fim ao Frozen, um projeto liderado por Jeff Dean para integrar uma versão da arquitetura do Gemini num chip. Em agosto de 2026, a Reuters noticiou que tinha pressionado investigadores-chave a concentrarem-se totalmente no Gemini. Nesse mesmo mês, Demis Hassabis passou a assumir as funções de cientista-chefe da Alphabet e Kavukcuoglu tomou conta da gestão quotidiana da DeepMind. Dean saiu da empresa depois de 27 anos.

É aqui que começam as dúvidas sobre este modelo. O poder sem cargo é também poder sem descrição de funções, e a Google, que recusou comentar o papel de Brin, nunca explicou quem responde pelas intervenções do cofundador. Fora da empresa, a mudança foi mais acentuada. Durante anos, Brin fez donativos aos democratas. Esteve presente na segunda tomada de posse de Donald Trump, integrou o President’s Council of Advisors on Science and Technology em março de 2026 e, segundo noticiou o The New York Times em abril, elogiou Trump e fez donativos aos republicanos. Investiu 57 milhões de dólares num comité que se opõe à proposta da Califórnia de aplicar um imposto único de 5% às fortunas superiores a mil milhões de dólares, comparando-o ao sistema soviético de que a família fugiu, e transferiu para fora do estado empresas que detêm os seus ativos. A 8 de outubro de 2026, recebeu de Trump, na Casa Branca, a National Medal of Science, juntamente com Elon Musk, Jensen Huang e Lisa Su, numa cerimónia que os críticos viram como mais um sinal da crescente proximidade entre os executivos de Silicon Valley e a administração.

A vida privada também tem sido notícia. Em 2007, casou-se com Anne Wojcicki, cofundadora da 23andMe e irmã de Susan, a mulher cuja garagem acolheu a Google; tiveram dois filhos e divorciaram-se em 2015. Um segundo casamento, com a advogada Nicole Shanahan, começou em 2018, deu origem a uma filha e terminou em divórcio em 2023.

Nada disso abrandou o trabalho na microcozinha. Num vídeo de uma mesa-redonda divulgado pela Google em outubro de 2026 para o Gemini 4 Argon, Brin disse que a empresa estava «a começar a entrar nessa passadeira de RSI», ou autoaperfeiçoamento recursivo, o momento em que os modelos de IA ajudam a criar os seus sucessores. «E agora os nossos investigadores e o modelo trabalham de mãos dadas para criar a versão seguinte do modelo», afirmou. Os californianos votam o imposto sobre os multimilionários em novembro de 2026. Se Brin tiver razão quanto à passadeira, a próxima versão do Gemini já terá sido construída, em parte, pela anterior.

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