Negócios e finanças

Regras britânicas do Buy Now Pay Later acabam com a aprovação automática no checkout antes do Natal

Victor Maslow
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O Buy Now Pay Later conquistou os consumidores britânicos com uma promessa acima de todas as outras: a aprovação era imediata, no momento do pagamento, sem perguntas incómodas. Essa promessa chegou ao fim. Agora que o BNPL é uma forma de crédito regulamentada no Reino Unido, instituições como a Klarna e a Clearpay têm de verificar se o cliente consegue pagar uma compra antes de a dividir em prestações. E alguns consumidores estão a ouvir um «não» pela primeira vez precisamente quando começam as semanas mais dispendiosas do ano para as compras.

A mudança pode parecer técnica. Para quem mais depende do BNPL, não é. Uma recusa no momento do pagamento atinge quem tem menos margem no orçamento: pessoas que dividem o custo de uns sapatos para a escola ou de um casaco de inverno, e não o de um segundo par de sapatilhas. As regras existem precisamente para impedir que este tipo de crédito se transforme numa espiral. Se um «não» no checkout protege estes consumidores ou simplesmente os empurra para créditos mais caros é uma questão a que este Natal começará a dar resposta.

O regulador quer que o BNPL continue a existir, mas sem funcionar em piloto automático

A Financial Conduct Authority trata agora estes planos de pagamento em prestações sem juros — a que a legislação chama crédito com pagamento diferido — como os restantes empréstimos ao consumo. As instituições precisam da autorização do regulador para operar. Antes de o cliente assinar, têm de indicar as datas e os montantes dos pagamentos, bem como as consequências de um pagamento falhado; além disso, devem ajudar os clientes que enfrentem dificuldades e, quando adequado, encaminhá-los para aconselhamento gratuito sobre dívidas. Se algo correr mal, os consumidores podem agora apresentar uma reclamação ao Financial Ombudsman Service.

É a avaliação da capacidade de pagamento que os consumidores mais sentem. A FCA exige verificações proporcionais, e não iguais para todos, pelo que uma pequena encomenda online pode ser analisada de forma diferente de uma compra de valor mais elevado. Kevin Peachey, correspondente da BBC para o custo de vida, refere que a avaliação passou a ser feita em cada transação, e não apenas uma vez, no momento da adesão. Sarah Pritchard, vice-presidente executiva da FCA, resumiu o equilíbrio em causa quando as regras foram confirmadas: o regulador quer que o setor prospere, mas «ninguém deve receber um empréstimo se não tiver capacidade para o pagar, porque isso pode agravar a sua situação financeira».

Quem tem maior probabilidade de ver o crédito recusado

Ainda não se sabe quantas pessoas serão afastadas pelas verificações. Um estudo da organização de inclusão financeira Fair4All Finance indica que existe um consenso generalizado de que até 30% dos utilizadores poderão vir a ser recusados. Chris Bennett, diretor comercial da instituição de crédito Fair for You, alertou, antes da entrada em vigor do novo regime, que esses clientes não deixarão de precisar de bens essenciais, como uma máquina de lavar roupa para substituir a avariada, só porque deixaram de poder recorrer a uma das formas de pagamento.

Para quem viu o limite reduzido ou a conta encerrada, a BBC reuniu conselhos de Sara Williams, antiga voluntária de aconselhamento sobre dívidas na Citizens Advice, que escreve sob o nome Debt Camel. As sugestões são práticas, não engenhosas: fazer uma pausa e perguntar se a compra pode esperar; deixar de encomendar vários tamanhos do mesmo artigo para depois devolver os restantes; cancelar subscrições que consumam o dinheiro necessário para pagar prestações anteriores; e contactar uma instituição de apoio a pessoas endividadas, que também poderá ajudar a obter vales para bancos alimentares, caso o BNPL esteja a ser usado para pagar bens essenciais. O serviço MoneyHelper, apoiado pelo Governo, disponibiliza uma lista de serviços gratuitos de aconselhamento sobre dívidas e uma ferramenta para decidir que contas pagar primeiro.

O regime abrange os contratos celebrados a partir de 15 de julho de 2026; os planos assinados antes dessa data ficam de fora das novas proteções. As empresas que se registaram no regime de autorizações temporárias entre 15 de maio e 1 de julho de 2026 têm seis meses, a contar do início da regulamentação, para pedir autorização plena — um prazo que termina em meados de janeiro de 2027, depois do pico natalício. As lojas que concedem crédito próprio continuam isentas. Segundo a FCA, o mercado britânico de BNPL cresceu de 0,06 mil milhões de libras em 2017 para mais de 13 mil milhões em 2024. O seu inquérito Financial Lives concluiu que 10,9 milhões de adultos — um em cada cinco — tinham recorrido ao BNPL no ano terminado em maio de 2024.

Durante a maior parte do tempo em que existiu no Reino Unido, o botão das prestações no checkout não fazia perguntas. Este ano, começa por perguntar. E, para quem paga um casaco com dinheiro já comprometido com as prestações do mês passado, a resposta mais útil poderá ser precisamente aquela que o botão nunca foi concebido para dar.

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