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Colleen Hoover, a autora autopublicada que Hollywood não para de adaptar

Penelope H. Fritz
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Colleen Hoover
Colleen Hoover
Photo: EsoJleahpaR / CC0, via Wikimedia Commons
Nascimento11 de dezembro de 1979
Sulphur Springs
OcupaçãoRomancista
PrémiosPrémio Goodreads Choice de Melhor Romance

Poucos romancistas passam por uma semana como a que Colleen Hoover está a viver. Um thriller que publicou por conta própria, sem agente nem editora, está prestes a chegar às salas de cinema norte-americanas, com Anne Hathaway e Dakota Johnson no cartaz. Verity é o quarto dos seus livros a dar origem a um filme em pouco mais de dois anos, e chega numa altura em que a discussão em torno da autora não avançou um milímetro. Os leitores fizeram dela o nome dominante da ficção popular norte-americana; grande parte do mundo literário continua a encarar o seu sucesso como um fenómeno a explicar, em vez de um conjunto de obras a ler. Hoover nunca pareceu interessada em ganhar essa discussão: continua a escrever, e o público continua a acompanhá-la.

O percurso começou muito longe de Nova Iorque. Hoover, nascida Margaret Colleen Fennell em Sulphur Springs, no nordeste do Texas, cresceu na vizinha Saltillo, uma pequena localidade onde concluiu o ensino secundário. Nem sempre encontrou segurança em casa: a violência doméstica sofrida pela mãe viria a ser matéria-prima do seu romance mais conhecido. Estudou Serviço Social na Texas A&M University–Commerce, casou com Heath Hoover, criou três filhos e trabalhou na área social e no ensino, escrevendo apenas nas horas vagas.

Em novembro de 2011, começou a escrever um romance sem qualquer intenção de o publicar, tomando como lema um verso de uma canção dos Avett Brothers: «decide o que queres ser e sê-lo». Esse livro, Slammed, chegou à Amazon em janeiro de 2012 por uma razão que Hoover contou muitas vezes: a mãe acabara de receber um Kindle e queria lê-lo. Uma crítica de cinco estrelas da blogger literária Maryse Black mudou as contas. Em agosto, Slammed ocupava o oitavo lugar da lista de livros mais vendidos do New York Times, a Atria Books tinha adquirido a série e Hoover abandonara definitivamente o trabalho na área social.

Seguiu-se uma década a alta velocidade. Hopeless, autopublicado em dezembro de 2012, tornou-se o primeiro romance autopublicado a chegar ao primeiro lugar da lista do Times. Ugly Love e Maybe Someday — este último lançado com uma banda sonora complementar do músico Griffin Peterson — conquistaram leitores que encaravam cada lançamento como um acontecimento. Confess, em que uma jovem pintora transforma as confissões anónimas de desconhecidos em telas, venceu o Goodreads Choice Award para melhor romance em 2015 e deu origem a uma minissérie dois anos depois.

Depois chegou o livro que a define. Publicado em 2016, It Ends with Us acompanha Lily, uma jovem que viu o pai maltratar a mãe e que, já adulta, se vê envolvida numa relação violenta. Hoover disse que foi o livro mais difícil que alguma vez escreveu e falou abertamente das suas origens na própria casa de infância. A obra venceu o Goodreads Choice Award para melhor romance e, em 2019, já tinha vendido mais de um milhão de exemplares. Em 2018, mudou de registo com Verity, um thriller psicológico sobre uma escritora em dificuldades contratada para concluir a série de uma romancista ferida; voltou a publicá-lo por conta própria, antes de a Grand Central Publishing o lançar. Nesse mesmo ano, publicou All Your Perfects, um retrato de um casamento desgastado pela infertilidade.

A segunda vaga foi mais invulgar do que a primeira. Em 2021, leitores do BookTok, no TikTok, começaram a filmar-se a soluçar enquanto liam os romances da autora, e os livros antigos voltaram a ganhar força anos depois da publicação. Em janeiro de 2022, mais de cinco anos após o lançamento, It Ends with Us chegou ao primeiro lugar da lista do Times. Nesse ano, Hoover ocupou seis dos dez primeiros lugares da lista de ficção em edição de bolso. A sequela, It Starts with Us, tornou-se o livro com mais pré-encomendas da história da Simon & Schuster quando chegou às livrarias, em outubro de 2022. Nessa altura, já tinha vendido mais de vinte milhões de livros e, em 2023, a Time incluiu-a na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.

A dimensão do fenómeno trouxe escrutínio, e algumas críticas tiveram consequências. Em janeiro de 2023, foi cancelado um livro para colorir associado a It Ends with Us, depois de leitores perguntarem, com razão, para que precisava um romance sobre violência doméstica de um livro desse género. Há muito que os críticos defendem que a ficção de Hoover esbate a fronteira entre retratar relações tóxicas e torná-las sedutoras, e que a prosa raramente vai além do enredo. Os seus defensores respondem que escreve sobre violência a partir de dentro da experiência e chega a leitores que nenhum romancista literário consegue alcançar. Ambos os lados têm razão em alguns aspetos, e o seu romance de 2026 sugeriu que tinha ouvido tudo o que se disse. Woman Down, publicado em janeiro pela chancela Montlake, da Amazon, acompanha uma autora que se refugia numa cabana junto a um lago depois de uma onda de críticas virais a uma adaptação cinematográfica de um dos seus livros. Num artigo publicado na Slate, Rebecca Onion observou que era difícil não reparar nas semelhanças com a vida da própria Hoover, fossem quais fossem as ressalvas da autora.

Entretanto, Hollywood já deixou de perguntar se os seus livros resultam no ecrã. A adaptação de It Ends with Us, protagonizada por Blake Lively, arrecadou cerca de 351 milhões de dólares em todo o mundo em 2024, com um orçamento de 25 milhões. Regretting You, realizado por Josh Boone, estreou em outubro de 2025 e ultrapassou os 90 milhões de dólares. Reminders of Him, adaptado pela própria Hoover em conjunto com a sua parceira de produção Lauren Levine, estreou em março de 2026, com Maika Monroe e Lauren Graham, e arrecadou cerca de 89 milhões de dólares para a Universal. Verity, realizado por Michael Showalter para a Amazon MGM Studios, com Josh Hartnett ao lado de Hathaway e Johnson, teve estreia em Londres a 24 de setembro, com primeiras críticas divididas, e chega às salas de cinema norte-americanas a 2 de outubro.

Longe dos ecrãs, Hoover transformou os seus leitores numa força de angariação de fundos para a região do Texas onde vive. Em 2015, fundou com a família a The Bookworm Box, uma organização sem fins lucrativos dedicada à venda de livros autografados e doados, cujas receitas revertem para instituições de caridade.

Quer Verity se torne mais um êxito ou o seu primeiro fracasso, o percurso de Hoover já está traçado. Colleen Hoover provou que uma romancista autopublicada, vinda de uma localidade que a maioria dos leitores não conseguiria encontrar num mapa, pode ditar as regras de uma indústria inteira; e os livros continuam a vender-se enquanto a discussão em torno deles prossegue.

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