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Fusão da Paramount com a Warner Bros. aprovada: Mark Ruffalo promete continuar a luta

O ator que dá vida ao Hulk diz que o acordo aprovado vai sufocar a criatividade e custar postos de trabalho, com o novo estúdio a nascer com mais de 80 mil milhões de dólares de dívida
Martha O'Hara
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As estrelas de Hollywood raramente fazem campanha contra as empresas que levam o seu trabalho ao ecrã. Mark Ruffalo, o Hulk dos filmes da Marvel e presença habitual na HBO — uma das marcas prestes a mudar de mãos —, passou o verão a ser o rosto mais visível da oposição à aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, que junta duas das empresas históricas de Hollywood. Agora que o negócio ultrapassou o último obstáculo jurídico, não dá a luta por perdida: diz que esta simplesmente mudou de forma.

Como noticiou a Deadline, Ruffalo reagiu poucas horas depois de Araceli Martínez-Olguín, juíza federal do Tribunal Distrital dos EUA, ter dado luz verde ao acordo em matéria de concorrência entre a Paramount, de David Ellison, e os procuradores-gerais de uma dúzia de estados. «Esta fusão vai sufocar a criatividade, enfraquecer a liberdade de expressão e custar empregos — é um mau negócio para este país e nunca devia ter sido aprovado», escreveu o vencedor de dois Emmy. Classificou o resultado como «um desfecho incrivelmente dececionante para as centenas de milhares de pessoas que se mobilizaram para o travar», antes de acrescentar: «mas também não é o fim».

A sua contestação sempre teve como foco a concentração, e não um filme ou uma série em particular. Em agosto, alertou para o facto de o negócio dar «a uma família o controlo da CNN, da HBO e da Warner Bros.» e, mais tarde, apelou publicamente ao procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, para que não cedesse, à medida que avançavam as negociações do acordo. Na sua publicação mais recente, insistiu que o «movimento de base não vai desaparecer, nem a nossa determinação», apresentando a fusão como uma frente de uma luta mais ampla contra a concentração dos meios de comunicação social nas mãos de multimilionários.

Os críticos do acordo dizem que este pouco conseguiu arrancar. Segundo a Deadline, o entendimento garantiu poucas cedências além das que os Ellison já ofereciam antes mesmo de os estados avançarem com o processo, e o calendário jogava a favor da Paramount: enquanto aguardava pelo julgamento, a empresa estava sujeita a uma penalização diária de 7 milhões de dólares a pagar aos acionistas da WBD caso o negócio ficasse bloqueado.

É nos empregos que o alerta de Ruffalo se cruza com os números. Um relatório do Departamento de Oportunidade Económica do Condado de Los Angeles, apresentado a 18 de junho, estimou que cerca de 2.495 postos de trabalho na região metropolitana de Los Angeles e aproximadamente 6.000 em todo o mundo poderiam estar em risco, sobretudo em funções partilhadas nas áreas empresarial, tecnológica e imobiliária, entre outras, duplicadas nas duas empresas. A Paramount garante que está a planear criar postos de trabalho, não eliminá-los.

A empresa resultante da fusão, que ainda não tem nome, nomeou Ynon Kreiz, antigo CEO da Mattel, para o cargo de co-CEO e deverá concluir integralmente o processo até 8 de outubro. Iniciará atividade com uma dívida superior a 80 mil milhões de dólares, um valor que a Deadline interpreta como uma garantia quase certa de cortes de custos. O acordo também elimina o julgamento em matéria de concorrência que estava marcado para 2 de março.

A ironia está implícita na posição de Ruffalo: a HBO, onde continua a trabalhar, é uma das três marcas que a sua campanha tentou impedir que ficassem nas mãos de uma única família e, já a partir da próxima semana, responderá a essa família.

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