Líderes Empresariais

Ynon Kreiz trocou a Mattel pela Skydance e herda a Warner Bros. que estreou Barbie

Penelope H. Fritz
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Ynon Kreiz
Ynon Kreiz
Photo: Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento1965
Israel
OcupaçãoGestor de media
PrémiosCannes Lions Entertainment Person of the Year · TIME100 Pessoas mais influentes

No verão em que Barbie encheu as salas de cinema, o estúdio que a levou ao grande ecrã foi a Warner Bros., e o executivo que convenceu uma empresa de brinquedos a fazê-la foi יונון קרייז (Ynon Kreiz). Agora, está do outro lado dessa parceria. Como co-diretor executivo da Skydance Corporation, a empresa criada quando a Paramount absorveu a Warner Bros. Discovery, Kreiz é responsável pela gestão diária do estúdio que lançou a sua maior aposta. David Ellison fica com a estratégia, a linha criativa e a tecnologia; Kreiz assume as operações, a integração e uma meta de poupança à escala de uma dívida colossal.

O seu percurso ajuda a explicar a escolha. Na televisão infantil, nos formatos de entretenimento, no vídeo online e nos brinquedos, Kreiz tem sido o gestor chamado quando uma empresa de comunicação social precisa de ser reconstruída, reduzida ou vendida — e já fez as três coisas. No anúncio da nomeação, Ellison elogiou a sua «capacidade operacional». No estúdio da Warner em Burbank, onde os funcionários já atravessaram uma sucessão de mudanças de proprietário falhadas, a expressão foi recebida com menos entusiasmo.

Kreiz nasceu em Israel, em 1965, e cresceu nos bairros de Ramat Chen e Ramat Efal, em Ramat Gan, nos arredores de Telavive. Queria ser futebolista, até uma lesão numa perna lhe fechar esse caminho. Licenciou-se em Economia e Gestão na Universidade de Telavive, em 1991, e mudou-se depois para Los Angeles para fazer um MBA na Anderson School da UCLA, que concluiu em 1993 enquanto dava aulas de surf. Na UCLA conheceu o magnata israelita dos media חיים סבן (Haim Saban) e juntou-se à sua empresa em 1994.

Em 1996, Saban enviou-o para Londres para lançar a Fox Kids Europe, uma joint venture com a News Corporation de Rupert Murdoch. Kreiz dirigiu-a como presidente do conselho de administração e diretor executivo entre 1997 e 2002, criando uma rede de televisão paga para crianças que emitia em 56 países e 17 línguas. A Disney comprou a empresa-mãe em 2001, e Kreiz saiu no ano seguinte, quando terminou o contrato. Mais tarde, passou dois anos como sócio-geral na sociedade de capital de risco Benchmark Capital Europe.

Em 2008, assumiu a liderança da Endemol, a produtora neerlandesa de Big Brother e Deal or No Deal. Tentou orientá-la para o drama de ficção, mas a Endemol carregava a dívida de uma aquisição acordada no auge do boom do capital de risco de 2007, e Kreiz saiu em 2011 sem que esse problema estivesse resolvido. A etapa seguinte foi mais modesta. Em 2012, investiu na Maker Studios, uma rede de criadores do YouTube, tornou-se presidente do conselho de administração e, um ano depois, diretor executivo. Em março de 2014, vendeu-a à Disney por 500 milhões de dólares, com a possibilidade de receber mais 450 milhões, consoante os resultados, e deixou o cargo em 2016, quando terminou o período de pagamento dessa componente variável.

A Mattel convidou-o para o seu conselho de administração em 2017. Em abril de 2018, substituiu Margo Georgiadis, que mal tinha durado um ano, como diretor executivo e, poucas semanas depois, acumulou também o cargo de presidente do conselho de administração. A primeira fase foi cirúrgica: um programa de redução de custos que, segundo as contas da Mattel, cortou 29 por cento dos postos de trabalho fora da produção e alcançou poupanças anuais de 875 milhões de dólares até ao final de 2019. A segunda fase foi a ideia que lhe deu notoriedade: a Mattel era dona de personagens, não de produtos, e devia ser remunerada por elas como um estúdio. A Mattel Films apoiou Barbie, de Greta Gerwig, no qual Kreiz recebeu um crédito de produtor executivo; o filme arrecadou cerca de 1,4 mil milhões de dólares em todo o mundo em 2023, tornando-se a maior estreia do ano, e ganhou o Óscar de melhor canção original. A TIME incluiu-o na sua lista de 2024 das cem pessoas mais influentes, acompanhada por um tributo de J.J. Abrams, que o descreveu como um homem «que imaginou a Mattel não como uma empresa de brinquedos, mas como uma empresa de entretenimento». Nesse mesmo verão, o Cannes Lions distinguiu-o como Personalidade do Ano no Entretenimento.

A história de Barbie favorece o seu balanço. A estratégia de estúdio não voltou a repetir o sucesso no calendário previsto. Masters of the Universe, o filme de He-Man que a Mattel fez com a Amazon MGM e no qual Kreiz voltou a ser produtor executivo, estreou em junho de 2026 com cerca de 29 milhões de dólares na América do Norte e terminou perto dos 114 milhões em todo o mundo, face a um orçamento estimado em 170 milhões de dólares ou mais. Um mês antes, a Southeastern Asset Management, detentora de cerca de 4 por cento da Mattel, publicara uma carta aberta a pedir ao conselho de administração que ponderasse retirar a empresa da bolsa ou fundi-la com a Hasbro. A empresa argumentava que a concorrente tinha executado melhor a sua estratégia digital e questionava os 150 milhões de dólares de novos investimentos. A Reuters calculou que as ações da Mattel subiram cerca de 5 por cento durante os anos em que Kreiz foi diretor executivo, enquanto o S&P 500 quase triplicou. Saiu da Mattel no momento em que os acionistas perguntavam se a empresa devia continuar a existir por conta própria; na Fox Kids e na Maker, também, os seus ciclos terminaram com o negócio nas mãos de outros.

Esse historial também ajuda a perceber por que razão Ellison o quis contratar. A Paramount Skydance anunciou a nomeação a 30 de setembro de 2026; Kreiz saiu da Mattel a 2 de outubro, sendo substituído por Roger Lynch, membro do conselho de administração e diretor executivo da Condé Nast, e entrou na Paramount três dias depois. A aquisição da Warner Bros. Discovery, por cerca de 110 mil milhões de dólares, foi concluída a 6 de outubro, e a empresa resultante da fusão adotou o nome Skydance Corporation. Na primeira reunião geral com os funcionários, no estúdio da Warner, Kreiz disse-lhes que «a indústria está num momento de viragem». Dois dias depois, na CNBC, foi mais específico sobre os 6 mil milhões de dólares em poupanças anuais que a empresa prometeu alcançar no prazo de três anos: «virão da tecnologia, da consolidação do marketing, da otimização dos imóveis e de alguns cortes de pessoal». Acrescentou: «reduzir a força de trabalho faz parte disso». A 26 de outubro, os dois co-diretores executivos propuseram aos funcionários um programa de saídas voluntárias antes dos despedimentos e determinaram o regresso ao escritório cinco dias por semana.

As limitações são públicas. A Skydance tem cerca de 80 mil milhões de dólares de dívida, tenciona fundir a Paramount+ e a HBO Max num único serviço e comprometeu-se, no âmbito do acordo para resolver o processo antitrust, a estrear pelo menos 30 filmes por ano nas salas de cinema em 2027 e 2028, aumentando esse número para 32 por ano até 2031. Kreiz assinou um contrato de cinco anos, com um prémio de assinatura de 31,5 milhões de dólares pago em ações sujeitas a restrições, e será o rosto de todos os cortes que se seguirem.

Kreiz, praticante dedicado de kitesurf, é casado com ענת פבריקנט (Anat Fabrikant), antiga velejadora olímpica por Israel, e têm quatro filhos; foi adido da equipa olímpica de Israel nos Jogos de Londres 2012 e integra o conselho de administração do Warner Music Group.

A última produção de Kreiz na Mattel chegou a meio da transição. Matchbox – O Filme, protagonizado por John Cena e coproduzido pela Mattel e pela Skydance Media, estreou em Nova Iorque a 5 de outubro e chegou à Apple TV quatro dias depois, altura em que o seu produtor já se tinha tornado um dos dois responsáveis da empresa que o coproduziu. O próximo desafio de Kreiz é aquele que já superou antes, mas nunca sem vítimas: quantas pessoas continuarão a trabalhar na nova Skydance depois de concluídas as saídas negociadas e se o estúdio resultante da fusão continuará a fazer o tipo de filmes que o levou até lá.

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