Filmes

Michael De Luca e Pamela Abdy saem da Warner Bros e a Skydance entrega o cinema à liderança da Paramount

Os responsáveis de cinema da Warner souberam da saída pela imprensa e deixam Duna: Parte Três, uma sequela de Minecraft e o fracasso de Tom Cruise
Jun Satō
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Uma fusão de estúdios fica decidida nas salas de administração, mas torna-se real quando os executivos que deram luz verde aos filmes percebem que não serão eles a lançá-los. Na Warner Bros., esse momento chegou para Michael De Luca e Pamela Abdy, os responsáveis pela divisão cinematográfica que levaram o estúdio de um ano recordista a um ano particularmente duro.

Como noticiou o Deadline, o último dia da dupla coincide com o primeiro dia da Skydance, nome que David Ellison deu à empresa resultante da fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Ellison, co-CEO da empresa, decidiu manter Dana Goldberg e Josh Greenstein, copresidentes da Paramount Pictures, à frente não só dos estúdios de Melrose, mas também de todas as marcas cinematográficas da Warner Bros. Esta estrutura é incompatível com o contrato de De Luca e Abdy, que ainda se prolonga por vários anos e prevê que respondam diretamente ao CEO, com as áreas de marketing e distribuição sob a sua alçada.

A bilheteira da Warner nos Estados Unidos, entre 1 de janeiro e 1 de outubro, soma 448,4 milhões de dólares, muito aquém dos 4,3 mil milhões alcançados pela dupla no ano passado, com uma série de filmes que incluiu A Minecraft Movie, Sinners e Weapons. Este fim de semana chega Digger, um filme protagonizado por Tom Cruise com um orçamento estimado entre 125 e mais de 160 milhões de dólares, que deverá estrear nos Estados Unidos com cerca de 10 milhões de dólares — o pior resultado de abertura do ator em 19 anos. Este ano, os mesmos executivos também levaram o estúdio a conquistar 11 Óscares.

Segundo o Deadline, De Luca e Abdy foram apanhados de surpresa: souberam do seu destino através das notícias de quinta-feira à noite, sem receberem qualquer telefonema de Ellison, que se reuniu com eles na sexta-feira para o confirmar. Esperavam continuar a orientar a montagem dos filmes, as relações com os cineastas, o marketing e a distribuição dos 39 filmes com estreia marcada que estão a encaminhar para a empresa resultante da fusão, a qual contará com 70 estreias entre este fim de semana e 2029.

Para já, tencionam descansar e repensar os próximos passos. Não têm propostas concorrentes e querem continuar juntos à frente de um estúdio virado para o cinema em sala. Os rumores que os apontam à Netflix ou à Sony não têm fundamento, segundo o Deadline: Dan Lin, presidente da divisão cinematográfica da Netflix, vai manter-se no cargo, e Tom Rothman, da Sony, de 71 anos, tem mais 17 meses de contrato, com Sanford Panitch já instalado no cargo de presidente. O cenário mais provável é criarem a sua própria empresa. «Faz ideia de quanto dinheiro da tecnologia está disponível neste momento?», disse uma fonte ao Deadline. Um projeto que se dizia estar a ser preparado com o antigo CEO da Paramount Pictures, Brian Robbins, ficou parado porque o contrato os impedia de angariar fundos caso a WBD se fundisse; Robbins lançou, em vez disso, a Big Shot Pictures.

O último dia de ambos é terça-feira, o primeiro da Skydance, e o contrato, válido até 2030, terá de ser pago até ao fim. Entre os projetos que deixam para trás estão Dune: Part Three, da Legendary, que o Deadline considera poder vir a ser um dos grandes êxitos de mil milhões de dólares no final do ano, e uma lista de estreias para 2027 que inclui A Minecraft Movie Squared, a prequela de Ocean’s, de Bradley Cooper, com Cooper e Margot Robbie, The Lord of the Rings: The Hunt for Gollum e Godzilla x Kong: Supernova.

Goldberg e Greenstein ficam com a aposta de mil milhões de dólares em Dune; o último fim de semana de De Luca e Abdy no comando é de Digger.

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