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Phoebe Dynevor, a Daphne de Bridgerton que trocou o baile por papéis encurralados

Penelope H. Fritz
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A pergunta surgiu em Sundance, numa ronda de entrevistas para um filme sobre um casal de noivos que se destrói na sala de negociação de um fundo de investimento. O que faria Daphne na temporada seguinte de Bridgerton? Phoebe Dynevor respondeu que não estaria lá. Já tinha feito as suas duas temporadas. A atriz que protagonizara a estreia mais vista da história da Netflix despia o vestido de época com a série ainda em crescimento, e o filme que fora promover, Fair Play, estava prestes a mostrar à indústria o que queria em troca.

Queria menos proteção. Daphne era uma heroína desenhada para ser adorada, enquadrada entre velas e rendas; os papéis que Dynevor escolheu desde então foram desenhados para a encurralar. O curioso é perceber para onde conduz hoje esse caminho. Os próximos filmes voltam a ser histórias de amor: um romance assombrado para M. Night Shyamalan e, depois, uma adaptação de Emily Henry. A questão que a carreira coloca já não é se consegue fugir à protagonista romântica, mas se consegue torná-la sua.

A televisão era o ofício da família muito antes de ser o dela. Dynevor nasceu em abril de 1995 na área de Manchester, filha de Sally Dynevor, que há décadas interpreta Sally Webster em Coronation Street, e do argumentista Tim Dynevor. Ainda frequentava a Cheadle Hulme School, com 14 anos, quando conseguiu o primeiro trabalho profissional, como Siobhan Mailey no drama escolar da BBC Waterloo Road.

Seguiu-se uma aprendizagem longa e pouco glamorosa. Foi Lauren em Prisoners’ Wives, passou por The Village e The Musketeers e usou touca como Martha Cratchit em Dickensian. O mercado americano chegou com Snatch, a série criminal derivada do filme de Guy Ritchie, e com Younger, onde foi Clare O’Brien durante várias temporadas. Nada disso a tornou famosa. Tudo isso lhe ensinou a trabalhar depressa, nas séries dos outros.

Depois, a produtora de Shonda Rhimes escolheu-a para Daphne Bridgerton, a mais velha das filhas de uma família de oito irmãos, na adaptação da Netflix dos romances de Julia Quinn. A série estreou no dia de Natal de 2020 e, nos primeiros 28 dias, foi vista por 82 milhões de lares, um recorde da plataforma na altura. A química com Regé-Jean Page sustentou a primeira temporada; a segunda, centrada no irmão Anthony, remeteu-a para um papel secundário. O elenco recebeu uma nomeação do Sindicato dos Atores, com Dynevor à cabeça.

Aproveitou esse capital no cinema. Em The Colour Room, a estreia em longa-metragem para a Sky Cinema, realizada por Claire McCarthy, foi Clarice Cliff, a operária que levou a cor art déco às fábricas de cerâmica de Stoke-on-Trent. Seguiu-se Bank of Dave. A verdadeira viragem foi Fair Play, primeira longa de Chloe Domont, em que interpreta Emily, uma analista que ultrapassa o noivo, vivido por Alden Ehrenreich, e o vê azedar. A Netflix comprou-o em Sundance por 20 milhões de dólares, e a interpretação, contida primeiro e assustadoramente solta depois, valeu-lhe uma nomeação para o prémio Rising Star dos BAFTA.

O balanço desde então é menos limpo do que a narrativa da fuga sugere. Inheritance, thriller de espionagem de Neil Burger com Rhys Ifans, foi filmado com um iPhone entre o Egito, a Índia e a Coreia do Sul, com uma equipa de não mais de treze pessoas; a experiência despertou mais interesse do que o filme. Em Anniversary, thriller familiar distópico de Jan Komasa com Diane Lane e Kyle Chandler, a crítica elogiou-a a ela e achou o filme confuso. E Thrash, o filme de tubarões de Tommy Wirkola para a Netflix em que dá à luz enquanto os animais nadam por uma vila inundada, foi vendido, como seria de esperar, como o novo filme da estrela de Bridgerton. Três anos depois de deixar a série, o marketing ainda não a deixou a ela. Os papéis foram corajosos; os filmes, à exceção de Fair Play, raramente estiveram à altura.

Isso pode mudar. Remain, escrito e realizado por Shyamalan a partir de uma história desenvolvida com Nicholas Sparks, dá-lhe o papel de Wren, a mulher que desarruma a vida de um arquiteto em luto, interpretado por Jake Gyllenhaal, em Cape Cod. Filmado em 35 mm VistaVision em Rhode Island, foi exibido de surpresa no Beyond Fest, em Los Angeles, a 29 de setembro de 2026, e as primeiras reações destacaram a sua interpretação. A Warner Bros. adiou a estreia de outubro para 5 de fevereiro de 2027.

Antes disso chega Pendulum, um mistério de terror escrito e realizado por Mark Heyman e produzido por Darren Aronofsky, em que é Abigail, uma mulher atraída para um retiro no Novo México ao lado de Joseph Gordon-Levitt e Jacki Weaver; a estreia norte-americana está marcada para 1 de janeiro de 2027. Em maio de 2027 chega Beach Read, adaptação de Yulin Kuang do romance de Emily Henry, com Dynevor como a escritora January Andrews, ao lado de Patrick Schwarzenegger. As filmagens arrancaram em Toronto em junho.

A vida privada tem permanecido, no essencial, privada. Conheceu o produtor Cameron Fuller nesse mesmo Sundance em que se despediu de Daphne, e os dois casaram a 5 de setembro de 2026 numa quinta do século XVIII na Provença. É embaixadora da ActionAid UK, organização que trabalha com mulheres e raparigas que vivem na pobreza.

O próximo trabalho confirmado leva-a de volta a casa. Em Dirty, drama policial de oito episódios criado por Matt Charman para a Prime Video, interpreta Eva Bennett, uma detetive estagiária que regressa a Manchester e acaba a investigar um homicídio sob as ordens da mãe, com quem está de relações cortadas, uma inspetora interpretada por Samantha Morton. Será a primeira polícia da sua carreira e o primeiro papel principal que a devolve à cidade onde tudo começou.

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