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Diego Simeone, o treinador que pergunta se o Atlético vale a pena e continua

Penelope H. Fritz
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Diego Simeone
Diego Simeone
Photo: Barcex / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento28 de abril de 1970
Buenos Aires
OcupaçãoTreinador de futebol
TítulosLa Liga ×2 · Copa del Rey 1995-96 · Liga Europa · Copa América
Prémios individuaisCidadão Distinto de Buenos Aires

Na noite em que Antoine Griezmann se despediu do Metropolitano, Diego Simeone admitiu algo que raramente se ouve dizer ao microfone a um treinador com tantos anos de carreira. Às vezes pergunta-se se vale a pena continuar, disse, mas acaba sempre por concluir que sim. A confissão encerrou uma época que levou o Atlético Madrid à final de uma taça e às meias-finais da Liga dos Campeões, sem que o clube conquistasse qualquer troféu. No outono, já estava de volta à linha lateral, com uma equipa renovada e um novo acionista maioritário, a continuar a pedir aos jogadores que corressem até à exaustão.

Simeone transformou uma equipa que vivia à sombra do Real Madrid e do Barcelona numa equipa que se superiorizou a ambos e conquistou por duas vezes o título espanhol, com um estilo assente na compactação, nas bolas paradas e na capacidade coletiva para suportar o sofrimento. O que ainda ninguém sabe é se esse estilo conseguirá sobreviver à diferença de recursos financeiros para que o próprio Simeone agora aponta quando o Atlético é eliminado das competições europeias.

Quando tinha 14 anos, o treinador das camadas jovens, Victorio Spinetto, começou a chamar-lhe Cholo, porque a energia do rapaz lhe fazia lembrar Carmelo Simeone, antigo jogador do Boca Juniors e internacional argentino que não era seu familiar. Simeone cresceu em Buenos Aires, onde nasceu a 28 de abril de 1970, e estreou-se pela equipa principal do Vélez Sarsfield em 1987.

Descreveu a sua própria forma de entrar nos duelos como jogar com uma faca entre os dentes. O Pisa levou-o para Itália em 1990 e desceu de divisão na sua primeira época; dois anos depois, o Sevilla levou-o para Espanha. No Atlético, a partir de 1994, foi capitão da equipa que conquistou a dobradinha, campeonato e taça, em 1995-96. Seguiu-se o Inter, onde venceu a Taça UEFA de 1998 numa equipa liderada por Ronaldo, e depois a Lazio, cuja equipa, orientada por Sven-Göran Eriksson, conquistou a Serie A e a Taça de Itália em 2000. Depois de uma segunda passagem pelo Atlético, terminou a carreira no Racing Club, em 2006.

Ao serviço da Argentina, tornou-se o primeiro jogador a chegar às 100 internacionalizações, terminando com 106, e venceu a Copa América em 1991 e 1993. Foi capitão da seleção no Mundial de 1998, e o jogo dos oitavos de final contra a Inglaterra proporcionou o momento de que a maioria das pessoas de fora de Argentina ainda se lembra. David Beckham, caído no chão após um lance com Simeone, deu-lhe um pontapé e foi expulso. Mais tarde, Simeone admitiu que aproveitara o contacto para provocar a expulsão de Beckham.

Começou a treinar no Racing poucas semanas depois de terminar a carreira e, nesse mesmo ano, conquistou no Estudiantes o primeiro título de campeão do clube em 23 anos, ao vencer o Boca Juniors num jogo decisivo em que a sua equipa jogou com dez durante a maior parte do tempo. O River Plate deu-lhe o título do Clausura de 2008; poucos meses depois, com o plantel reduzido, o River estava no último lugar da tabela e Simeone demitiu-se. No Catania, em 2011, manteve na Serie A um pequeno clube siciliano, com um esquema compacto e assente no contra-ataque que se tornaria a sua imagem de marca.

O Atlético contratou-o dois dias antes do Natal de 2011. Em maio, o clube já tinha conquistado a Liga Europa. Um ano depois, venceu o Real Madrid na final da Taça do Rei, no Bernabéu, naquela que foi a primeira vitória no dérbi contra o rival em 14 anos. Em 2013-14, o Atlético conquistou a La Liga com 90 pontos, garantindo o título na última jornada, no Camp Nou, com um cabeceamento de Diego Godín. Simeone tornou-se assim o segundo homem, depois de Luis Aragonés, a conquistar o campeonato pelo clube como jogador e como treinador.

As duas finais da Liga dos Campeões são o ponto em que o seu percurso deixa de ser uma lista de feitos e passa a ser motivo de debate. Em Lisboa, em 2014, o Atlético esteve em vantagem sobre o Real Madrid até ao minuto 93, sofreu o golo do empate e perdeu por 4-1 após prolongamento. Mais tarde, Simeone admitiu que errara ao fazer alinhar Diego Costa, que estava lesionado. Dois anos depois, em Milão, o Atlético voltou a perder com o mesmo adversário, desta vez no desempate por grandes penalidades.

A crítica mais habitual ao futebol de Simeone é que a equipa fica à espera. Uma equipa construída para absorver a pressão pode parecer conformada com os seus limites, e é assim que os seus detratores interpretam aquelas duas finais. O seu temperamento na linha lateral também já lhe saiu caro: viu das bancadas a final da Liga Europa de 2018 contra o Marselha, depois de ter sido expulso na meia-final frente ao Arsenal e suspenso. No entanto, o treinador supostamente preso a uma única ideia não tem parado de mudar. Quando as lesões se acumularam no outono de 2020, passou pela primeira vez no clube a jogar com uma defesa a três. Nessa época, o Atlético teve, em média, a maior parte da posse de bola pela primeira vez desde que conquistara o título em 2014 e voltou a ser campeão.

Um golo de Luis Suárez em Valladolid garantiu o título na última jornada da época de 2020-21, alguns meses depois de Simeone ter ultrapassado Aragonés como o treinador com mais vitórias na história do Atlético. É o treinador há mais tempo no comando de uma equipa da La Liga e, depois de Alex Ferguson e Arsène Wenger, apenas o terceiro treinador a atingir os 100 jogos na Liga dos Campeões por um só clube. A série documental da Prime Video Simeone. Vivir partido a partido, lançada em 2022, centrou a sua narrativa no título de 2021.

Na época passada, o Atlético eliminou o Barcelona da Copa del Rey e da Liga dos Campeões, mas depois perdeu a final da taça para a Real Sociedad, no desempate por grandes penalidades, em Sevilha, em abril de 2026, e foi eliminado pelo Arsenal nas meias-finais da Liga dos Campeões, com um resultado agregado de 2-1, em maio. «Não há nada a dizer, estamos fora», afirmou Simeone em Londres, antes de elogiar os recursos financeiros que permitem ao Arsenal competir naquele nível. Três dias antes, tinha chegado aos 1000 jogos como treinador. A Apollo Sports Capital já se tornara então acionista maioritária do Atlético, e Griezmann partiu para o Orlando City no verão.

A reconstrução, que Simeone descreve como uma fase de construção, trouxe Morten Hjulmand, Cristian Romero, Lee Kang-in e, por empréstimo da Juventus, Jonathan David. Depois de uma derrota por 3-0 frente ao Athletic Bilbao e de outra, por 2-1, em Anfield, o Atlético venceu o Osasuna por 4-0 e, a 20 de setembro, bateu o Real Madrid por 2-1 no Riyadh Air Metropolitano, como passou a chamar-se o estádio. Depois do jogo, disse a José Mourinho, que se tinha queixado da arbitragem, que os treinadores não devem ultrapassar os limites do respeito, «mesmo que se chamem Mourinho, Simeone, Flick ou Pellegrini». No início de outubro, o Atlético já ocupava o segundo lugar da La Liga.

O futebol está no seio da família. Giovanni e Giuliano Simeone, dois dos três filhos que teve com a primeira mulher, Carolina Baldini, são profissionais no Torino e no Atlético; o filho do meio, Gianluca, deixou de jogar em 2025 e trabalha agora como agente. Simeone casou-se discretamente com Carla Pereyra em 2019; têm duas filhas.

O contrato termina em junho de 2027. Se voltar a assinar dirá menos sobre a vontade de Simeone do que sobre se um clube agora controlado por um fundo de investimento americano continua a querer vencer como as suas equipas sempre venceram: fazendo o adversário sofrer mais do que elas próprias.

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