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Madeline Brewer, a sobrevivente de Gilead que demorou catorze anos a chegar à Broadway

Penelope H. Fritz
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Madeline Brewer
Madeline Brewer
Photo: PhilipRomanoPhoto / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento1 de maio de 1992
Pitman, New Jersey, USA
OcupaçãoActriz
Conhecido porOusadas e Golpistas, Cam, Captive State – Cercados
PrémiosBrooklyn Horror Film Festival Award for Best Actress (Head Trip Competition), Cam

Madeline Brewer passou grande parte da carreira no ecrã a interpretar mulheres esmagadas por forças maiores do que elas: uma prisão e a dependência de drogas, uma teocracia que lhe tira um olho e, depois, a filha, uma sósia digital que lhe rouba o rosto e o rendimento, um assassino em série que foi enviada para apanhar. O que torna o seu trabalho digno de acompanhar é que quase nenhuma destas mulheres fica por terra. Janine Lindo, a Serva que interpretou durante oito anos, termina The Handmaid’s Tale a caminho da filha que lhe foi tirada. Bronte, a sua personagem na última temporada de You, é quem finalmente põe fim à caminhada de Joe Goldberg. Brewer construiu uma reputação em torno de sobreviventes e interpreta-as com mais garra do que autocomiseração.

A parte menos óbvia da história é que o ecrã nunca foi o plano original. Brewer formou-se em teatro musical, cantando, dançando e representando durante todo o dia num conservatório de Nova Iorque. Durante mais de uma década, o trabalho na televisão que a tornou reconhecível foi afastando-a dos palcos para os quais se tinha preparado. No início deste ano, subiu finalmente a um palco da Broadway, no papel principal de Becky Shaw, de Gina Gionfriddo. Durante a temporada, disse ao site de teatro Theatrely que tinham passado catorze anos desde que saíra da escola de teatro e que houve longos períodos em que pensou: «Oh, meu Deus, isto nunca vai acontecer. Nunca vou conseguir.» A fase atual da sua carreira, com um novo musical Off-Broadway neste inverno e uma aguardada refilmagem de terror de um grande estúdio a caminho, parece mostrar uma atriz a reencontrar a pessoa para quem se formou.

Uma miúda de palco de Pitman

Madeline Kathryn Brewer cresceu em Pitman, uma pequena localidade do condado de Gloucester, em Nova Jérsia, onde nasceu a 1 de maio de 1992, filha de Mark e Laurie Brewer. Começou a representar quase assim que conseguiu memorizar falas, com um dos primeiros papéis numa produção local de A Christmas Carol, e passava os verões no teatro amador. Os pais apoiaram-lhe essa paixão com aulas de canto a partir dos nove anos e um lugar no coro. A própria descreveu a infância como organizada quase inteiramente em torno de ensaios, audições e espetáculos.

Na Pitman High School, interpretou Dorothy em The Wiz, em 2009, e, depois do último ano, foi eleita Miss Pitman em 2010, na 55.ª edição do concurso local. Aos dezoito anos, mudou-se para Nova Iorque para estudar na American Musical and Dramatic Academy, conhecida como AMDA. Disse que a escolheu pelo modelo de conservatório, que lhe permitia cantar, representar e dançar durante todo o dia, em vez de dividir o tempo com aulas académicas. Licenciou-se em 2012, com uma formação completa em teatro musical — canto, dança e representação —, competências que a indústria praticamente ignoraria durante a década seguinte, enquanto a contratava para interpretar pessoas em situações extremas diante das câmaras.

De uma apresentação de finalistas a Litchfield em três semanas

O que aconteceu a seguir foi um dos arranques mais rápidos da televisão norte-americana recente. Uma apresentação de finalistas da AMDA levou Brewer a assinar com um agente em meados de setembro de 2012. A 27 de setembro, fez uma audição para um pequeno papel numa nova série da Netflix passada numa prisão: a personagem era descrita no anúncio de casting como «ao estilo de Taryn Manning», com tranças entrançadas rente à cabeça e uma tatuagem no pescoço. O seu primeiro dia de rodagem foi a 5 de outubro. Segundo contou, não tinha qualquer experiência profissional em frente às câmaras.

A série era Orange Is the New Black e o papel, o de Tricia Miller, uma reclusa da Penitenciária de Litchfield com um problema de dependência de drogas e uma estranha moral própria. Em flashbacks, era apresentada como uma adolescente sem-abrigo que fugira de casa e mantinha um caderno com a lista de tudo o que roubara, com a intenção de um dia compensar cada pessoa. Brewer entrou em sete episódios da primeira temporada, lançada pela Netflix em julho de 2013, e a história de Tricia terminou com uma overdose fatal no episódio «Bora Bora Bora».

Para se preparar, Brewer leu sobre dependência, conversou com amigos e viu filmes sobre consumo de drogas, alguns dos quais, disse, lhe foram difíceis de aguentar até ao fim. Recordou como foi intimidante filmar cenas de abstinência, ainda no início da carreira, ao lado de Natasha Lyonne, Laura Prepon e Taylor Schilling, e como Lyonne a apoiou no plateau. Os pormenores físicos fizeram grande parte do trabalho: as tranças demoravam cerca de 25 minutos a fazer todas as manhãs, a tatuagem do pescoço era pintada e Brewer atribuiu às botas pesadas da personagem o andar tão característico de Tricia. A morte teve um forte impacto nos espectadores, que lhe prestaram homenagens online, e Brewer disse mais tarde que viver dentro de Tricia a tornara uma pessoa mais compassiva. Era um papel pequeno, mas estabeleceu o modelo de muito do que viria depois: uma jovem no limite da sobrevivência, interpretada sem condescendência.

Uma aprendizagem na Netflix entre o terror e a ficção científica

A Netflix continuou a contratá-la. Na segunda e na terceira temporadas de Hemlock Grove, série sobrenatural de terror produzida por Eli Roth, interpretou Miranda Cates, uma romancista gráfica cuja chegada à cidade perturba a vida dos dois protagonistas, Peter e Roman. Entrou em dez episódios entre 2014 e 2015. Pelo meio, acumulou participações em séries de vários géneros: um episódio da série policial Stalker, em 2014; um arco de dois episódios, como Billie Trump, na série de fantasia Grimm, entre 2015 e 2016; e um papel principal como Agatha na série online The Deleted, de 2016.

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A mais visível dessas participações aconteceu em 2016, quando interpretou Raiman, uma soldado de uma unidade militar futurista, em «Men Against Fire», episódio de Black Mirror sobre implantes que fazem os soldados ver os alvos humanos como monstros. Era mais uma história sombria e conceptual, e mais um papel em que a certeza da personagem sobre o mundo se revela uma ilusão fabricada. Quando a Hulu a contactou, os responsáveis de casting já sabiam que ela conseguia tornar credíveis situações extremas.

Oito anos em Gilead

Em 2017, Brewer foi escolhida para interpretar Janine Lindo na adaptação da Hulu de The Handmaid’s Tale, de Margaret Atwood, o papel que a definiria durante os oito anos seguintes. Conhecida, em diferentes momentos, pelos patronímicos Ofwarren, Ofdaniel e Ofhoward, Janine é uma das mulheres férteis forçadas pelo regime teocrático de Gilead a servir de barriga de aluguer num ritual. No primeiro episódio, perde um olho como castigo por ter respondido a uma das responsáveis do Centro Vermelho; nas temporadas seguintes, dá à luz uma criança que lhe é tirada, sofre um esgotamento, é exilada para as tóxicas Colónias e é repetidamente reconduzida ao sistema.

A decisão fundamental de Brewer foi recusar-se a interpretar Janine como alguém simplesmente destruída. Descreveu a aparente «loucura» da personagem nas primeiras temporadas como uma forma de rebelião e autopreservação, uma maneira de se afastar mentalmente de uma realidade insuportável em vez de deixar que esta a aniquilasse. Essa leitura deu à personagem uma dignidade estranha e obstinada. Janine era muitas vezes o alívio cómico e o centro trágico de uma mesma cena, combinação que facilmente poderia resvalar para a caricatura. Brewer manteve-a genuína e, ao longo de seis temporadas, a personagem tornou-se mais dura e pragmática. Nas temporadas mais recentes, a viver nos bordéis Jezebels, Janine descobre uma liberdade improvável e torna-se uma aliada valiosa da resistência liderada por June Osborne, a personagem de Elisabeth Moss.

A interpretação valeu a Brewer uma nomeação para o Primetime Emmy de Melhor Atriz Secundária numa Série Dramática em 2021, na 73.ª cerimónia. Nesse ano, a série teve outras três atrizes nomeadas na mesma categoria: Ann Dowd, Yvonne Strahovski e Samira Wiley. Brewer também fez parte do elenco distinguido com nomeações para os prémios de conjunto do Screen Actors Guild. Chamou a Janine «a minha miúda» e uma espécie de irmã há muito perdida, e afirmou que, à medida que a série avançava, os temas da comunidade feminina e da resistência lhe pareciam cada vez mais próximos dos debates reais sobre os direitos das mulheres.

A sexta e última temporada estreou a 8 de abril de 2025, e o episódio final da série chegou a 27 de maio. A última cena de Janine dá-lhe algo que a série lhe negara durante anos: é levada até uma passagem de fronteira, onde Naomi Putnam a espera com Charlotte, a filha que Gilead lhe tirou. Brewer disse ao The Hollywood Reporter que ficou «inconsolável» quando viu a cena pela primeira vez. «Tenho tanto orgulho na Janine por ter sido sempre ela própria e por não os ter deixado apagar-lhe a chama», afirmou. Menos de uma semana depois, a 2 de junho de 2025, o elenco recebeu a primeira distinção Ensemble Tribute nos Gotham Television Awards, em Nova Iorque.

Cam e os filmes de uma atriz de género

Enquanto Gilead a mantinha ocupada na televisão, Brewer foi construindo uma carreira no cinema muito virada para o terror e para mulheres cujas identidades são desmanteladas. As primeiras longas-metragens chegaram em 2017: Hedgehog e Flesh and Blood. Seguiram-se o drama Still e o thriller psicadélico de Mitzi Peirone, Braid, no qual interpretou Daphne, uma herdeira reclusa que mantém duas amigas de infância presas num violento jogo de faz-de-conta.

Madeline Brewer
Madeline Brewer em Braid (2018)

O filme que chamou a atenção da crítica foi Cam. Escrito por Isa Mazzei, que se inspirou nos anos em que trabalhou como modelo de webcam, e realizado por Daniel Goldhaber, acompanha Alice Ackerman, uma artista ambiciosa que trabalha sob o nome de Lola e descobre que uma réplica exata de si própria tomou conta do seu canal e está a fazer-se passar por ela. Lançado pela Netflix em novembro de 2018, depois de passar por festivais, o filme foi elogiado por levar a sério o trabalho sexual online e por transformar a perda de uma identidade digital em verdadeiro terror. Quase todas as críticas destacaram Brewer, que tem de interpretar Alice e a sua perturbadora sósia, muitas vezes no mesmo plano. Em 2018, venceu o prémio de Melhor Atriz na competição Head Trip do Brooklyn Horror Film Festival. Goldhaber realizou mais tarde How to Blow Up a Pipeline, e Cam tornou-se uma referência nas conversas sobre terror e Internet.

Seguiram-se papéis secundários em filmes de estúdio. Em 2019, interpretou Rula no thriller sobre ocupação alienígena de Rupert Wyatt, Captive State, e Dawn em Hustlers, de Lorene Scafaria, a história criminal de bailarinas de striptease que drogam e roubam clientes de Wall Street. Dawn é recrutada para o esquema através do Craigslist e acaba por colaborar com a polícia, tornando-se o mais próximo que o filme tem de uma traidora. Brewer disse que quis evitar interpretá-la como uma simples delatora e encontrar empatia por uma mulher que talvez apenas gostasse da adrenalina. O filme, protagonizado por Jennifer Lopez e Constance Wu, foi uma das surpresas de bilheteira desse outono.

Os anos seguintes foram mais tranquilos e independentes. Interpretou Hannah em Where Are You, Wendy, ao lado de Keean Johnson, no romance de estrada da Hulu The Ultimate Playlist of Noise (2021), e Samantha no filme de terror de William Brent Bell, Separation (2021). Foi Liz em Space Oddity, a comédia familiar com toques de ficção científica que marcou a estreia de Kyra Sedgwick na realização de longas-metragens, e participou no filme de curta-metragem Pruning, do qual também foi produtora executiva. Em 2022, voltou a contracenar com Elisabeth Moss no thriller da Apple TV+ Shining Girls, que brinca com o tempo, no papel de Klara Meiser.

Sally Bowles no Kit Kat Club

O primeiro sinal concreto de que a sua formação em teatro ainda era importante surgiu em Londres. A 3 de outubro de 2022, Brewer estreou-se no West End como Sally Bowles na imersiva reposição de Cabaret encenada por Rebecca Frecknall no Playhouse Theatre, transformado para a produção no Kit Kat Club. Substituiu Amy Lennox, contracenando com Callum Scott Howells no papel de Emcee, numa temporada que se prolongou até 7 de janeiro de 2023. Era um papel exigente numa produção com uma história recente marcante: Jessie Buckley tinha recebido um prémio Olivier por interpretar Sally na mesma encenação.

A reação do público foi entusiástica: muitos espectadores descreveram a sua interpretação como uma das melhores que tinham visto no papel, e os críticos reconheceram-lhe uma Sally forte e singular, mesmo quando a sua ideia da personagem era diferente da de Brewer. Para uma atriz quase exclusivamente conhecida pelo trabalho no ecrã, a temporada provou que a formação de conservatório em voz e movimento não era uma mera nota de rodapé no currículo. Plantou também a ideia de uma carreira no palco que ainda demoraria três anos a concretizar-se por inteiro.

Bronte, a última mulher na história de Joe Goldberg

Brewer regressou à televisão por streaming para a quinta e última temporada de You, da Netflix, lançada a 24 de abril de 2025, pouco mais de duas semanas depois de a temporada final de The Handmaid’s Tale ter começado na Hulu. Interpretou Bronte, apresentada como uma dramaturga de espírito livre que começa a trabalhar na livraria nova-iorquina de Joe Goldberg e se aproxima dele através dos livros e do luto. Fã da série antes de entrar no elenco, Brewer falou abertamente do risco: ao início, Bronte parece uma «manic pixie dream girl», e a atriz disse que queria dar-lhe profundidade e permitir-lhe ser tão caótica e contraditória como as mulheres da série costumam ser.

A reviravolta recompensou a paciência. Bronte é, na verdade, Louise Flannery, que trabalha com familiares de vítimas anteriores de Joe para o desmascarar; enquanto está infiltrada, acaba por desenvolver sentimentos verdadeiros pelo homem que tenta derrubar. No episódio final, dispara contra ele e chama a polícia, o que leva à sua detenção, e recupera o livro escrito pela primeira vítima de Joe, Guinevere Beck, eliminando as passagens que ele acrescentara. Depois de cinco temporadas em que os fãs foram muitas vezes acusados de romantizar Joe, a série deixa a última palavra a uma mulher que se recusou a ser escrita por ele. Brewer tinha previsto uma reação negativa dos espectadores apegados ao anti-herói e disse que se manteve focada na integridade da personagem. Pela segunda vez na mesma primavera, interpretou a mulher que sobrevive ao monstro.

O padrão e os seus limites

Há um risco evidente numa carreira construída desta forma. Durante anos, a maneira mais fácil de descrever Brewer era como a atriz de mulheres destruídas: a toxicodependente, a Serva mutilada, a modelo de webcam a perder a própria identidade, a testemunha que se vira contra os amigos, a mulher que manipula um assassino. Nos seus melhores trabalhos, transformou esses papéis em retratos de resistência, e não de vitimização; mas o padrão também poderia limitar o que a indústria a imaginava a fazer, e os papéis no cinema entre 2020 e 2023 foram menores e menos visíveis do que o seu trabalho na televisão.

Os filmes mais recentes não romperam inteiramente com esse registo. Em Anniversary, thriller de Jan Komasa sobre uma família americana abastada que se desagrega quando um movimento autoritário chamado the Change toma conta do país, interpretou Anna Taylor, uma das filhas adultas de um elenco numeroso, liderado por Diane Lane e Kyle Chandler e que inclui Zoey Deutch, Dylan O’Brien, Mckenna Grace e Phoebe Dynevor. O filme foi lançado pela Lionsgate e pela Roadside Attractions a 29 de outubro de 2025, recebeu críticas mistas, centradas sobretudo em Lane, e arrecadou bastante menos de um milhão de dólares nas bilheteiras. Para Brewer, significou uma segunda viagem a uma América autoritária fictícia, logo depois de sair de Gilead. I Live Here Now, a primeira longa-metragem de Julie Pacino, na qual interpreta Lillian, estreou no Fantasia International Film Festival em julho de 2025 e chegou às salas de cinema norte-americanas a 20 de março de 2026: um filme de terror psicológico passado num motel remoto, bem recebido dentro do seu nicho, mas visto por relativamente poucas pessoas.

Nem no palco a receção tem sido uniforme. Os críticos de The Disappear elogiaram o elenco, mas consideraram que a peça era pouco focada, e alguns críticos de Becky Shaw acharam que a encenação de Trip Cullman gastava demasiada energia a ridicularizar as próprias personagens. O que se tem mantido constante é a atenção dada à própria Brewer. A questão que a sua carreira coloca agora é se a indústria a acompanhará em direção aos papéis mais leves, mordazes e musicais que ela está claramente a escolher para si.

Finalmente, Nova Iorque

A estreia de Brewer nos palcos nova-iorquinos aconteceu a 12 de agosto de 2025, quando assumiu o papel de Audrey na reposição Off-Broadway de longa duração de Little Shop of Horrors, no Westside Theatre, ao lado de Nicholas Christopher como Seymour. A escolha aproveitava tudo o que já tinha interpretado e a voz que trabalhava desde a infância. «Ela sofre às mãos dos homens sem se perder por causa disso», disse ao New York Theatre Guide, descrevendo Audrey como uma personagem construída a partir de estereótipos de hiperfeminilidade que o espetáculo tanto satiriza como celebra. Disse gostar da forma como o musical nunca se leva demasiado a sério, mas permite que as personagens sejam vulneráveis «neste mundo tão extremo e exagerado, com uma planta falante».

Em janeiro de 2026, passou para uma nova peça. The Disappear, escrita e encenada por Erica Schmidt para o Audible Theater, no Minetta Lane Theatre, esteve em cena de 8 de janeiro a 22 de fevereiro e deu-lhe o papel de Julie Wells, uma jovem artista disposta a tudo para se tornar famosa, ao lado de Hamish Linklater. Os críticos disseram que Brewer trouxe uma energia inquieta e inquisitiva a uma personagem que talvez tivesse um método por detrás da aparente loucura. Enquanto estava em palco, como explicou mais tarde, o seu agente já lhe estava a preparar o trabalho seguinte.

Esse trabalho era Becky Shaw, a comédia negra de Gionfriddo sobre um encontro às cegas que descamba em desastre, estreada inicialmente Off-Broadway pela Second Stage e finalista do Pulitzer de Drama de 2009. A Second Stage levou-a à Broadway, ao Hayes Theater, onde as pré-estreias começaram a 18 de março de 2026. A produção estreou a 6 de abril e esteve em cena até 14 de junho. Brewer interpretou a personagem-título, uma mulher cuja fragilidade pode ou não ser uma arma, ao lado de Lauren Patten, Alden Ehrenreich, Linda Emond e Patrick Ball. Foi a estreia na Broadway de Brewer, de Ehrenreich, de Ball e da própria dramaturga. Brewer admitiu que não gostou de Becky quando leu o texto, «mas, quanto mais tempo passo com ela, mais vejo o seu coração». Os críticos elogiaram a sua «fragilidade cativante», uma forma de furar a presunção das outras personagens que assentava bem numa peça sobre pessoas que escondem todas alguma coisa.

Vida privada

Brewer tem mantido a maior parte da vida privada fora da vista do público, com duas exceções dignas de nota. Em 2022, no meio do debate nacional sobre o direito ao aborto nos Estados Unidos, falou publicamente sobre ter feito um aborto aos vinte anos, explicando que tomara essa decisão em prol da sua saúde mental e da carreira. Foi uma declaração pessoal rara por parte de uma atriz cujo papel mais conhecido era o de uma mulher obrigada pelo Estado a ter filhos; fê-la nas suas próprias palavras, em vez de através da personagem.

A 12 de julho de 2025, casou-se com o diretor de fotografia britânico Jack Thompson-Roylance em North Cadbury Court, uma propriedade rural em Somerset, Inglaterra, numa cerimónia ao ar livre com cerca de 130 convidados. O casal conheceu-se através de uma aplicação de encontros em outubro de 2022 e ficou noivo em janeiro de 2024.

O que vem a seguir

O futuro imediato está no palco e é um musical. Brewer protagonizará a estreia norte-americana de Wild Rose no New York Theatre Workshop, em cena de 24 de novembro de 2026 a 10 de janeiro de 2027, com a estreia marcada para 14 de dezembro. Escrito por Nicole Taylor a partir do seu próprio filme de 2018 e encenado por John Tiffany, o espetáculo acompanha Rose-Lynn Harlan, uma mulher de Glasgow que acaba de sair da prisão e sonha tornar-se cantora de música country nos Estados Unidos, enquanto a mãe insiste que assente e crie os dois filhos. A banda sonora inclui canções celebrizadas, entre outros, por Dolly Parton, Wynonna Judd, Chris Stapleton e The Chicks. No filme, o papel coube a Jessie Buckley, a atriz que venceu um Olivier como Sally Bowles antes de Brewer lhe suceder no Kit Kat Club. A coincidência faz deste papel uma segunda oportunidade para se medir pela mesma bitola.

No ecrã, Brewer integrou o elenco da refilmagem de Possession, de Parker Finn, o infame filme de 1981 de Andrzej Żuławski sobre um casamento que se desmorona até se transformar em algo monstruoso. O realizador de Smile está a escrever e a realizar o filme para a Paramount, com Callum Turner, Margaret Qualley, Paul Dano, Diego Calva, Nicholas Alexander Chavez e Emory Cohen; Robert Pattinson é um dos produtores. O estúdio marcou a estreia alargada nas salas de cinema para 11 de junho de 2027. Os pormenores sobre o papel de Brewer não foram anunciados. Depois de uma década a sobreviver no ecrã às histórias de terror dos outros, Madeline Brewer regressa ao género com a estreia na Broadway que perseguiu durante catorze anos já no currículo.

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