Música

Caroline Polachek, a americana que trocou os Chairlift por discos com gaitas de foles e coros

Penelope H. Fritz
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Caroline Polachek
Caroline Polachek
Photo: Papipacify / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento20 de junho de 1985
New York City
OcupaçãoCantora, compositora e produtora

Quando Harry Styles levar o seu espetáculo de estádio à arena nos arredores de Paris, será Caroline Polachek a aquecer o público: uma artista cujos discos incluem gaitas de foles, um coro infantil e uma guitarra flamenca saída de bandas sonoras de westerns spaghetti. É uma combinação estranha — e que continua a repetir-se. Beyoncé gravou uma canção que ela escreveu. Dua Lipa levou-a em digressão pela América do Norte como artista de abertura, e Charli XCX já gravou a sua voz mais do que uma vez. Os seus próprios álbuns, por sua vez, são lançados pela pequena editora que controla, Perpetual Novice, e soam a tudo menos ao que outra pessoa imaginaria para um disco pop. A sua carreira constrói-se nesse contraste entre os convites que recebe e a música que faz quando ninguém a convida.

Caroline Elizabeth Polachek passou os primeiros anos longe de Manhattan: a família mudou-se para Tóquio quando ela tinha um ano, e por lá ficou até aos seis. Já disse que as melodias em modo menor e pentatónicas das canções japonesas e dos temas de anime ficaram gravadas no seu subconsciente. O pai, James Polachek, era historiador da China e músico clássico com formação. Depois de a família se instalar em Greenwich, no Connecticut, deu-lhe um teclado Yamaha para a afastar do piano, e ela começou a cantar no coro da escola no terceiro ano. Na adolescência, apanhava o comboio para Nova Iorque para assistir a concertos de post-hardcore, punk e jazz, com Björk e Kate Bush acima de todas as outras referências.

Nascida em Manhattan a 20 de junho de 1985, Caroline Elizabeth Polachek conheceu Aaron Pfenning na Universidade do Colorado em Boulder e começou com ele os Chairlift. A banda mudou-se para Nova Iorque, onde ela estudou Arte na New York University e Patrick Wimberly se juntou ao grupo, em 2007. O álbum de estreia, Does You Inspire You, incluía Bruises, uma canção doce e ligeiramente disparatada que a Apple usou num anúncio ao iPod Nano em 2008. Em Something, de 2012, os Chairlift eram já um duo formado por Polachek e Wimberly, a trabalhar com os produtores Dan Carey e Alan Moulder; ela própria realizava os videoclipes. Um terceiro álbum, Moth, chegou em 2016. Nesse dezembro, a banda anunciou a separação, fez uma digressão de despedida na primavera seguinte e terminou.

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Foi pelas portas que abriu fora dos Chairlift que a sua arte se tornou mais invulgar. Sob o nome Ramona Lisa, lançou Arcadia, em 2014, um álbum iniciado durante uma residência artística na Villa Medici, em Roma, e gravado inteiramente num portátil: as vozes foram captadas pelo microfone integrado, em roupeiros de hotéis e zonas sossegadas de aeroportos. Como CEP, lançou Drawing the Target Around the Arrow, em 2017, um disco eletrónico sem palavras. Pelo meio, coescreveu e coproduziu No Angel para o álbum-surpresa de Beyoncé, de 2013, um crédito que fez com que o seu nome constasse da nomeação desse disco para Álbum do Ano nos Grammys.

A carreira em nome próprio começou com Door, em 2019, um single longo e sinuoso cujo vídeo realizou em conjunto com o artista britânico Matt Copson, hoje seu companheiro. Pang chegou em outubro desse ano, feito em grande parte com Danny L Harle, o produtor londrino que surgiu do coletivo PC Music e que, desde então, ocupa um lugar central no trabalho de Polachek. Ela deu-lhe esse título por causa das descargas de adrenalina que não a deixavam dormir à noite. A digressão do álbum foi interrompida pela pandemia, em março de 2020, o mesmo ano em que o pai morreu de COVID-19. Uma canção sobreviveu à interrupção: So Hot You’re Hurting My Feelings, coescrita com Daniel Nigro e Teddy Geiger, teve uma segunda vida na Internet e recebeu a certificação de ouro nos Estados Unidos em 2024.

Desire, I Want to Turn Into You, lançado no Dia dos Namorados de 2023, foi escrito sobretudo em Londres durante o confinamento e terminado em Barcelona, com Harle e Sega Bodega. Polachek descreveu-o como «um álbum muito maximalista», e a expressão faz-lhe justiça: há gaitas de foles, coros infantis, guitarra espanhola em Sunset, baterias de trip-hop em Billions — uma canção que, segundo ela, demorou dezanove meses a concluir. A Pitchfork já tinha considerado Bunny Is a Rider a melhor canção de 2021. O álbum obteve 94 pontos no Metacritic, foi o primeiro dela a entrar nas tabelas de vários países, incluindo o Reino Unido e os Estados Unidos, e recebeu uma nomeação para um Grammy de Melhor Álbum com Engenharia de Som, Não Clássico. Em 2022, passou grande parte do ano a fazer a primeira parte dos concertos de Dua Lipa; após o lançamento, vieram a Spiraling Tour e, em 2024, uma Everasking Edition com Dang e uma nova versão de Butterfly Net, cantada com Weyes Blood.

Os rótulos que lhe colam assentam-lhe mal. Como Harle veio da PC Music e ela canta em discos de Charli XCX, é muitas vezes catalogada como hyperpop, embora os seus álbuns estejam mais próximos da new age, do folk celta e do trip-hop do final dos anos 1990 do que da distorção açucarada dessa cena. Shaad D’Souza, do The Guardian, descreveu-a como «algo parecido com a Kate Bush da Geração Z», uma comparação que aponta para a linhagem certa, mas passa ao lado da parte incómoda: está na casa dos quarenta, a sua canção mais conhecida precisou de quase cinco anos para obter certificação de ouro e nenhum dos seus álbuns foi um êxito no sentido de chegar ao topo das tabelas. Também já mostrou estar disposta a afastar-se da exposição. No final de 2017, desistiu de participar no Moogfest depois de o festival ter divulgado as artistas mulheres numa lista à parte, embora o cartaz continuasse a ser maioritariamente masculino. Escreveu então que os festivais «têm a responsabilidade de apresentar a inclusão como algo normal».

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Desde Desire, a maior parte da música nova que lançou surgiu em projetos de outras pessoas. Em 2024, escreveu Starburned and Unkissed, uma canção grunge, para o filme da A24 I Saw the TV Glow, e participou no álbum de remisturas de Charli XCX, Brat and It’s Completely Different but Also Still Brat, com Everything is romantic. Em 2025, Hideo Kojima encomendou-lhe On the Beach para o videojogo Death Stranding 2: On the Beach, e a banda londrina caroline convidou-a para Tell me I never knew that, de caroline 2. Em fevereiro de 2026, Harle lançou finalmente o seu álbum de estreia, Cerulean, com Polachek em Azimuth e On & On.

A mais recente dessas participações chegou a 29 de setembro de 2026, quando a cantora belga Angèle lançou Love Triangle, produzido por SebastiAn, com Polachek a alternar entre o inglês e o francês. As duas conheceram-se nos bastidores do Madison Square Garden, em 2022, na noite em que Dua Lipa chamou Angèle ao palco para cantarem Fever, num espetáculo em que Polachek tinha feito a primeira parte. A canção antecipa o terceiro álbum de Angèle, Instinct, com lançamento previsto para 16 de outubro de 2026.

O calendário para os próximos tempos já começa a encher-se. O Roskilde Festival anunciou-a na primeira vaga de nomes para 2027; o festival decorre de 26 de junho a 3 de julho. Está também confirmada como convidada especial de Harry Styles na Plenitude Arena, antiga Paris La Défense Arena, em Nanterre, a 16, 17, 23 e 24 de julho de 2027. O disco que mais importa continua sem data. Em junho de 2024, disse que estava em Londres «a começar a procurar sementes para um novo álbum» com Harle, e o seu quinto álbum, ainda sem título, é o único projeto em que os termos não são definidos pelo convite de outra pessoa.

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