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Marcello Hernández, o sedutor do SNL posto à prova fora do sketch

Penelope H. Fritz
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Marcello Hernández
Marcello Hernández
Photo: Ben Soyka / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento19 de agosto de 1997
Miami, Florida, United States
OcupaçãoHumorista e ator
Conhecido porO Maluco do Golfe 2, 72 Horas

A personagem que deu fama a Marcello Hernández quase não fala. Domingo fica ao fundo de uma boda enquanto as amigas da noiva transformam uma canção pop na confissão da infidelidade dela, e o noivo vai percebendo, devagar, quem é aquele convidado sorridente. A piada pertence à canção; o sorriso é dele. No Saturday Night Live, esse sorriso fez de um jovem do elenco a pessoa por quem o público esperava. O último ano coloca-lhe uma questão mais exigente: o encanto aguenta-se quando já não há sketch à volta?

Tem um percurso invulgar para um humorista de sketch, porque passou a adolescência a tentar ser futebolista. Cresceu em Miami, onde nasceu a 19 de agosto de 1997, filho de uma mãe de ascendência cubana e de um pai dominicano que se separaram antes de ele fazer cinco anos. No colégio Belen Jesuit foi escolhido para a equipa ideal do condado de Miami-Dade e treinou com a seleção sub-15 da República Dominicana. Na Universidade John Carroll, no Ohio, jogou na equipa de futebol no primeiro ano e a médio na época seguinte, até desistir ao fim de três jogos para experimentar a comédia.

A mudança foi menos brusca do que parece. Na universidade conquistou uma bolsa pelo trabalho em teatro e, em Miami, já tinha público graças a “Only in Dade”, uma página nas redes sociais que comentava os hábitos da cidade com afeto de residente. Licenciou-se em 2019 em empreendedorismo e comunicação e mudou-se nesse ano para Nova Iorque, para percorrer os clubes de stand-up. Em 2022 o festival Just for Laughs escolheu-o entre as New Faces of Comedy e, meses depois, entrou no Saturday Night Live para a 48.ª temporada, o primeiro membro da geração Z no elenco.

As primeiras temporadas exigiram paciência. No Weekend Update criou The Movie Guy, que anuncia estreias antes de confessar que não viu nenhuma, e Grant, metade de um casal em que ninguém acredita, a dar conselhos amorosos ao lado da Alyssa de Jane Wickline. Apresentou também um falso talk show na pele de um pai imigrante com uma fileira interminável de apelidos. O espanhol foi entrando no material e, em outubro de 2024, o programa deixou-o interpretar Don Francisco numa paródia de Sábado Gigante; o verdadeiro apresentador agradeceu por lhe devolverem essas memórias. Uma semana depois nasceu Domingo, no episódio apresentado por Ariana Grande, ao lado da Kelsey de Chloe Fineman. A personagem voltou várias vezes, sempre com um êxito pop reescrito, e Hernández chegou a aparecer caracterizado num concerto de Sabrina Carpenter em Los Angeles.

O cinema chegou depois da fama televisiva, e não antes. Em O Maluco do Golfe 2, a sequela de Adam Sandler estreada na Netflix em 2025, foi Esteban, primo da personagem de Bad Bunny, e teve uma participação na série da FX Dying for Sex, ao lado de Michelle Williams. Em novembro desse ano foi anunciado como a voz de Fergus, um dos filhos de Shrek e Fiona, em Shrek 5, e no mesmo mês a sua imitação de Sebastian Maniscalco no SNL mereceu elogios públicos do próprio Maniscalco.

A crítica tem sido mais generosa com o intérprete do que com o material. Marcello Hernández: American Boy, o seu primeiro especial de stand-up, gravado perante o público da terra natal no Olympia Theater de Miami e lançado pela Netflix em janeiro de 2026, foi elogiado pela energia e pelo ritmo, mas várias críticas consideraram-no desigual: um humorista que ainda hesita entre o contador de histórias de família e o número do choque cultural, apoiado em observações gastas. 72 Horas, a comédia de Tim Story em que é Nick, o amigo que organiza uma despedida de solteiro em Miami onde o executivo quarentão de Kevin Hart entra por engano, deu-lhe o maior papel no cinema e um veredicto semelhante. Foi apontado como o que havia de mais vivo num filme medíocre, embora o Screen Rant tenha defendido que o argumento lhe entregava um tipo e não uma personagem. Eis a armadilha de quem rebenta no sketch. Domingo funciona porque o público completa o resto; um filme ou uma hora de stand-up exigem que seja o ator a fornecê-lo.

Ainda assim, o verão de 2026 trouxe-lhe as provas mais expostas. A 15 de julho apresentou os ESPY Awards no David H. Koch Theater, em Nova Iorque, descrevendo-se como o primeiro latino a conduzir a cerimónia em mais de 25 anos, saudou os atletas imigrantes e picou Tiger Woods e Jake Paul, para quem apontou o pai e o padrasto sentados na plateia. Nove dias depois, 72 Horas chegou à Netflix. Em setembro entregou um prémio nos Emmy, acompanhado pela mãe, Isabel.

Regressou ao Saturday Night Live para a quinta temporada, agora como membro efetivo do elenco, num grupo que perdeu no verão Chloe Fineman, a sua parceira nos sketches de Domingo, além de Bowen Yang e Martin Herlihy. Hernández disse estar feliz por Fineman e que vai ter saudades dela no estúdio. Saber se Domingo sobrevive sem Kelsey é uma pergunta pequena que esconde outra maior.

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Longe do Studio 8H fala pouco da vida privada: mantém uma relação com Ana Amelia Batlle Cabral, arquiteta da República Dominicana, e a família, sobretudo a mãe, alimenta boa parte do seu stand-up.

As próximas provas serão de voz. A Paramount estreia Angry Birds 3: O Filme, com Hernández entre as novas vozes, a 23 de dezembro de 2026, e a Universal marcou Shrek 5, onde dobra Fergus, para 30 de junho de 2027. Em nenhum dos dois se verá o seu rosto, e talvez por isso sejam o teste mais limpo para saber se o sentido de ritmo que vendeu Domingo é dele ou do sketch.

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