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Peyton Elizabeth Lee, a atriz da Disney que a Laika escolheu para liderar Wildwood

Penelope H. Fritz
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Peyton Elizabeth Lee
Peyton Elizabeth Lee
Photo: Andrewtinpolee / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento22 de maio de 2004
Cidade de Nova Iorque, Nova Iorque, Estados Unidos
OcupaçãoAtriz
Conhecido porFloresta Mágica, Sociedade Secreta dos Príncipes Não Herdeiros, Pacto de Finalistas

«Não acredito. Não quero ter nada a ver com o teu conto de fadas.» Prue McKeel diz isto logo no início de Wildwood, antes de um bando de corvos levar o irmão bebé para a floresta nos arredores de Portland. A voz é de Peyton Elizabeth Lee. Para a Laika, o estúdio do Oregon que continua a construir os seus filmes à mão, foi uma escolha deliberada. Lee passou a adolescência como uma das protagonistas mais constantes da Disney: uma rapariga no centro de um segredo de família no Disney Channel e uma cirurgiã adolescente no Disney+. Agora chega ao filme mais sombrio do estúdio, um épico de marionetas sobre o luto e a guerra, trazendo consigo muito pouco do ruído que costuma acompanhar uma estrela infantil.

Essa ausência de ruído é o fio condutor. Terri Minsky, criadora de Lizzie McGuire, disse que gostou de Lee não parecer saída de uma linha de montagem de estrelas infantis quando a escolheu para protagonista de Andi Mack. Depois disso, a Disney continuou a dar-lhe o mesmo tipo de rapariga: inteligente, um pouco reservada e ligeiramente desfasada das pessoas à sua volta. A Laika também queria essa rapariga — e depois pediu-lhe que entrasse numa floresta onde a violência inclui uma decapitação e prisioneiros abatidos a tiro dentro de jaulas.

A sua infância está ligada a Manhattan Beach, a localidade costeira da Califórnia onde a família se instalou depois de ela nascer em Nova Iorque, a 22 de maio de 2004, e onde começou a representar aos dez anos. É metade chinesa por parte do pai; a família da mãe tem ascendência inglesa, irlandesa e italiana. Lee já disse que o pai foi uma das principais razões para se tornar atriz. Antes de a Disney a descobrir, teve pequenos papéis em Shameless e Scandal.

Andi Mack estreou no Disney Channel em abril de 2017, quando Lee tinha doze anos, e começou com uma reviravolta que a maioria das séries familiares teria guardado para o final: no dia em que faz treze anos, Andi descobre que Bex, a jovem que julgava ser sua irmã, é afinal a sua mãe. A série teve três temporadas e 57 episódios e, durante algum tempo, foi a mais vista na televisão por cabo norte-americana entre as crianças dos seis aos catorze anos. Também fez história no canal através de Cyrus Goodman, o melhor amigo de Andi, interpretado por Joshua Rush e a primeira personagem principal gay do Disney Channel. Lee era o ponto de equilíbrio no meio de tudo aquilo, uma protagonista que ouvia mais do que se exibia.

A Disney manteve-a por perto. Deu voz a Rani, uma leoa, em nove episódios de A guarda do leão: O ressurgir de Scar e, depois, protagonizou Sociedade Secreta dos Príncipes Não Herdeiros, o filme de super-heróis de Anna Mastro para o Disney+, no papel da princesa Sam, uma rebelde da realeza que descobre ter poderes. O papel valeu-lhe uma nomeação para os Critics Choice Super Awards. Em janeiro de 2021, foi anunciada como protagonista de Doogie Kamealoha: A Menina Doutora, a reinvenção de Doogie Howser, M.D., criada por Kourtney Kang e com troca de género, na qual interpreta Lahela, uma prodígio havaiana nativa de dezasseis anos que tenta conciliar a carreira médica com a adolescência. A série foi filmada no Havai, contou com Jason Scott Lee no papel do pai de Lahela e teve duas temporadas no Disney+, antes de ser cancelada.

Doogie Kamealoha: A Menina Doutora foi também o momento em que a imagem de rapariga comum encontrou os seus limites. Lahela é havaiana nativa. Lee não é, e os produtores foram criticados por terem atribuído o papel principal a uma atriz sem essa herança. Lee não desvalorizou a objeção. Numa entrevista à NBC News, por ocasião da estreia da série, disse ser defensora de que as pessoas possam contar as suas próprias histórias e reconheceu que «essa crítica é válida», acrescentando que se esforçara por alcançar «uma compreensão melhor, mais abrangente e mais autêntica» do que significa crescer no Havai. Foi uma resposta franca de uma jovem de dezassete anos à frente de uma série de estúdio. Não pôs fim à discussão. A decisão de elenco coube às pessoas que criaram a série; foi Lee quem teve de responder publicamente por ela.

Depois, foi para a universidade. Em 2023, Lee era caloira na Columbia University e tinha faltado ao seu próprio baile de finalistas para filmar Pacto de Finalistas, a comédia romântica do Disney Channel realizada por Anya Adams, em que interpreta Mandy Yang, uma finalista tão determinada a entrar em Harvard que acaba por dar explicações ao melhor jogador de basquetebol da escola. Milo Manheim interpreta Ben, o seu melhor amigo. Desde então, o seu trabalho tem-se afastado da marca Disney Channel, ainda que não das plataformas de streaming da Disney. Em Carved, a comédia de terror de Justin Harding lançada no Hulu para o Halloween de 2024, lidera o grupo de funcionários de uma atração histórica sobre uma aldeia pioneira que tenta sobreviver a uma abóbora assassina na noite de Halloween de 1993. Em Noite de Pizza, a comédia de Nick Kocher e Brian McElhaney que estreou no SXSW em março de 2026 e chegou ao Hulu em abril, interpreta Ashley, uma das estudantes universitárias cujo percurso escada abaixo para ir buscar uma encomenda se transforma numa odisseia sob o efeito de drogas. Nenhum dos filmes foi feito para mudar a opinião de alguém sobre ela. Dão-lhe espaço para ser assustada, malcriada e ridícula — facetas que uma protagonista do Disney Channel raramente tem oportunidade de experimentar.

Wildwood é uma aposta de outra dimensão. A Laika anunciou a sua escolha em agosto de 2022, juntamente com Jacob Tremblay, no papel de Curtis, o colega de turma apaixonado por Prue que a segue até à Floresta Intransponível, e um elenco adulto que inclui Carey Mulligan, Mahershala Ali, Angela Bassett, Awkwafina e Richard E. Grant. Travis Knight realizou o filme, baseado no romance de Colin Meloy e Carson Ellis; tem 132 minutos e é o primeiro filme do estúdio a receber a classificação PG-13 nos Estados Unidos. O peso do filme depende de a marioneta conseguir convencer o público de que uma rapariga seguiria o irmão até àquela floresta, e as críticas elogiam a voz de Lee. A Associated Press descreveu Prue como «bem interpretada vocalmente». Na crítica à estreia no BFI London Film Festival, a Flickering Myth escreveu que a personagem «parece real e próxima, imbuída de empatia por todos, incluindo a vilã destroçada pelo luto de Carey Mulligan».

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Os elogios têm um limite, e não é Lee que o impõe. A mesma crítica da AP considerou que a construção do mundo do filme ultrapassa a história, e as receitas de bilheteira têm sido mais cautelosas do que as críticas: Wildwood estreou nas salas de cinema norte-americanas a 23 de outubro de 2026, distribuído pela Fathom Entertainment, e arrecadou cerca de 12,2 milhões de dólares no primeiro fim de semana na América do Norte, ficando em terceiro lugar, face a um orçamento anunciado de 100 milhões de dólares. Ao mesmo tempo, mantém uma classificação positiva de 99 por cento, com base em 148 críticas, no Rotten Tomatoes.

Lee já tem os próximos trabalhos alinhados. Faz parte do elenco de Brian, o filme de Will Ropp protagonizado por Ben Wang, que estreou no SXSW em março e tem percorrido os festivais de outono, e de Dirty Towel, o drama de Callie Carpinteri sobre uma finalista do secundário e a mãe nas semanas que antecedem a formatura, atualmente em pós-produção. Meloy afirmou que a adaptação dos seus dois romances seguintes depende da forma como o público receber este primeiro filme. Se a Laika os fizer, Prue McKeel será o papel que sobreviverá a Andi Mack.

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