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Zazie Beetz, a atriz de Joker que deixou o papel secundário para trás

Penelope H. Fritz
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Zazie Beetz
Zazie Beetz
Photo: Gage Skidmore / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento1 de junho de 1991
Berlim, Alemanha
OcupaçãoAtriz
Conhecido porCoringa, Deadpool 2, Bullet Train: Comboio Bala
PrémiosPrémio Women in Film Max Mara Face of the Future

Há atores que fazem com que uma cena pareça vivida, em vez de encenada, e, durante a maior parte da última década, Zazie Beetz tem feito isso em histórias que pertenciam a outras pessoas. Em Atlanta, foi Van, a mãe da filha de Earn, tentando manter a vida nos eixos enquanto os esquemas dele a punham repetidamente em risco. Na sequela de Deadpool, foi Domino, a mercenária cujo único poder é a sorte. Em Joker, foi a vizinha em torno de quem Arthur Fleck constrói um romance imaginário. Os críticos destacaram-na vezes sem conta, mas os filmes continuavam a centrar-se nos homens que contracenavam com ela.

Este ano, o cenário mudou. Protagonizou pela primeira vez um filme de terror de um grande estúdio, interpretou uma professora no regresso de Gore Verbinski à realização de longas-metragens e, na sexta-feira, a Apple TV estreia Nocturne, uma série policial que protagoniza e na qual é produtora executiva desde que ainda não passava de um projeto no papel. A questão que permanece em aberto é se o público seguirá o seu nome para uma história que é sua.

Zazie Olivia Beetz nasceu em Berlim, a 1 de junho de 1991. O pai, Thomas Beetz, é um marceneiro alemão que se mudou para os Estados Unidos em 1990, após a queda do Muro; a mãe é assistente social afro-americana, natural de Nova Iorque. O seu primeiro nome vem do romance de Raymond Queneau Zazie dans le métro, e o som suave do s na pronúncia deve-se à dobragem alemã da adaptação cinematográfica de Louis Malle.

Frequentou a pré-escola em Berlim e o jardim de infância em Nova Iorque, antes de a família se instalar em Washington Heights, Manhattan, quando tinha oito anos. Em casa, falavam alemão e inglês. Beetz já afirmou que, quando era jovem, a sua identidade birracial lhe causava desconforto. O interesse pela representação surgiu na Muscota New School e em palcos comunitários, seguindo-se a LaGuardia High School, onde concluiu os estudos em 2009. No Skidmore College, licenciou-se em Francês em 2013 e viveu um ano em Paris. Depois, enquanto aguardava por pequenos papéis em filmes como Applesauce, trabalhou como empregada de mesa em Nova Iorque.

Atlanta, de Donald Glover, mudou tudo. A série da FX estreou em 2016 e teve quatro temporadas, até 2022. Van passou de namorada a uma das personagens mais complexas da série: num dos primeiros episódios, o primeiro realizado por Glover, acompanhamos Van sozinha durante um teste antidrogas falhado na escola onde dá aulas. O papel valeu-lhe uma nomeação para um Primetime Emmy de Melhor Atriz Secundária numa Série de Comédia, em 2018. Beetz também integrou a antologia da Netflix Easy, de Joe Swanberg.

Hollywood não tardou a chamar por ela. Depois de Geostorm, chegou Deadpool 2, em 2018, realizado por David Leitch e protagonizado por Ryan Reynolds; mais tarde, Leitch voltou a escolhê-la para o papel da assassina conhecida como Hornet em Bullet Train (2022), ao lado de Brad Pitt. Em 2019, Todd Phillips deu-lhe o papel de Sophie Dumond em Joker, que lhe valeu uma nomeação para um Saturn Award. Entre os grandes êxitos comerciais, escolheu trabalhar com realizadores de visões muito próprias: High Flying Bird, de Steven Soderbergh, filmado com um iPhone para a Netflix; Lucy in the Sky, de Noah Hawley; Nine Days, de Edson Oda, ao lado de Winston Duke; e o western de Jeymes Samuel The Harder They Fall (2021), no qual interpretou Stagecoach Mary. Soderbergh voltou a chamá-la, desta vez para o papel de uma inspetora dos correios na série da Max Full Circle (2023). A sua voz dá vida a duas personagens em séries de longa duração: Amber Bennett, em Invincible, desde 2021, e Diane Foxington, a raposa governadora com um passado criminoso, em The Bad Guys (2022) e The Bad Guys 2 (2025). Em 2021, a Women in Film atribuiu-lhe o prémio Max Mara Face of the Future.

Este percurso tem custos. Quando foi escolhida para interpretar Domino, parte do público dos comics reagiu com insultos dirigidos à sua cor de pele e ao seu cabelo natural. Beetz disse na altura que ficara surpreendida por conseguir o papel, uma vez que se parecia tão pouco com a personagem nas páginas, e que compreendia por que razão alguns fãs se sentiam desligados dela. O filme de X-Force, que deveria dar mais espaço a Domino, nunca chegou a concretizar-se. Em Joker, descobre-se que o romance de Sophie é uma fantasia da cabeça de Arthur, e Joker: Folie à Deux (2024) deu-lhe apenas uma breve aparição. Escolhem-na pela vida que transmite no ecrã, mas depois escrevem-na como uma personagem acessória. E, quando em 2026 o seu nome finalmente surgiu em primeiro lugar, o mercado não respondeu: They Will Kill You estreou-se nos Estados Unidos com cerca de 5 milhões de dólares, contra previsões que chegavam aos 10 milhões, e terminou a carreira com perto de 19 milhões de dólares em todo o mundo, perante um orçamento de 20 milhões; Good Luck, Have Fun, Don’t Die arrecadou 9,7 milhões, com o mesmo orçamento. Nenhum destes valores é um veredicto sobre o seu trabalho; até as críticas menos entusiásticas lhe reconheceram mérito.

Estes filmes mostram, ainda assim, o rumo que quer seguir. Em janeiro, participou em The Dutchman, de Andre Gaines, uma nova adaptação da peça Dutchman, de Amiri Baraka, ao lado de André Holland e Kate Mara. Em fevereiro, chegou Good Luck, Have Fun, Don’t Die, de Verbinski, uma sátira sobre um homem vindo do futuro que luta contra uma inteligência artificial descontrolada, com Sam Rockwell; Beetz interpreta Janet, uma professora acossada por alunos hipnotizados pelos telemóveis. Em março, They Will Kill You, de Kirill Sokolov e primeiro filme da produtora Nocturna, de Andy e Barbara Muschietti, escolheu-a para interpretar Asia Reaves, uma ex-reclusa que aceita um emprego como empregada doméstica num arranha-céus de Manhattan controlado por um culto satânico, para resgatar a irmã mais nova. Patricia Arquette e Myha’la também integram o elenco.

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Nocturne é a aposta maior. A Apple TV anunciou a série em 2023, então com o título Lazarus, e Beetz já estava associada ao projeto como protagonista e produtora executiva; a série baseia-se nos romances de Joona Linna, de Lars Kepler. Beetz interpreta a agente do FBI Saga Bauer, filha adotiva do detetive reformado de Liev Schreiber, enviada para enfrentar o assassino em série Jurek Walter, que está preso e é interpretado por Stephen Graham. Filmada nos arredores de Pittsburgh em 2025, a série recebeu críticas iniciais, na sua maioria favoráveis. Os dois primeiros de dez episódios chegam a 30 de outubro de 2026, seguindo-se novos episódios todas as sextas-feiras até ao episódio final, a 25 de dezembro.

Beetz produz através da Sleepy Poppy, a empresa que dirige com o ator David Rysdahl, seu companheiro desde que se conheceram num workshop de representação, em 2014, e também seu parceiro de escrita. Casaram-se em 2023 e ambos são produtores executivos de Nocturne. Na estreia da série em Nova Iorque, a 20 de outubro de 2026, Beetz revelou que está à espera do primeiro filho do casal.

Mais adiante está Kockroach, a adaptação de Matt Ross do romance policial de William Lashner, filmada em Sydney nesta primavera com Chris Hemsworth e Taron Egerton e ainda sem data de estreia. Antes disso, dez sextas-feiras de Nocturne mostrarão se a atriz que deu vida às histórias de tantas outras pessoas consegue manter o público interessado numa história sua.

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