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Mike Macdonald, o treinador dos Seahawks que defende o título sob pressão

Penelope H. Fritz
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Mike Macdonald
Mike Macdonald
Photo: Misterfixit at English Wikipedia / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento21 de junho de 1954
Metz
OcupaçãoTreinador de futebol americano
PrémiosCanadian Comedy Award de Melhor Ator de Comédia do Ano

Antes de cada snap, a defesa dos Seattle Seahawks orientada por Mike Macdonald raramente parece aquilo que é. Seis ou sete jogadores juntam-se na linha e um linebacker surge onde devia estar um caçador de quarterbacks. A bola mexe-se, metade recua para a cobertura e o quarterback fica a ler uma imagem que deixou de existir um segundo antes. Macdonald construiu a carreira sobre esse instante de informação falsa. Foi ele que o levou de uma sala de vídeo em Baltimore até ao Troféu Vince Lombardi, e é por causa dele que o resto da NFL gasta agora as suas próprias horas de vídeo a tentar decifrá-lo.

O treinador cujas defesas vivem da ocultação entrou na profissão por um caminho discreto. Nasceu em Boston no verão de 1987 e terminou o secundário na Centennial, em Roswell, a norte de Atlanta. Na Universidade da Geórgia licenciou-se em Finanças com summa cum laude pela Terry College of Business, em 2010, e três anos depois concluiu um mestrado em gestão desportiva. Ainda estudante, treinava linebackers e running backs na Cedar Shoals High School, em Athens, e passou quatro épocas na equipa técnica dos Georgia Bulldogs como assistente graduado e analista defensivo — a função do futebol americano universitário que consiste sobretudo em desmontar os jogos dos outros.

Em 2014, os Baltimore Ravens contrataram-no como estagiário. Durante sete épocas sob as ordens de John Harbaugh, subiu degrau a degrau, até treinar os defensive backs em 2017 e os linebackers a partir de 2018. Em 2021, Jim Harbaugh, irmão de John, levou-o para Michigan como coordenador defensivo. Essa equipa terminou com 12-2, venceu a Big Ten e chegou ao College Football Playoff. Um ano depois, Baltimore foi buscá-lo de volta para dirigir a defesa.

Como coordenador dos Ravens, em 2022 e 2023, apurou a ideia que o define: mostrar pressão, enviar menos do que se mostra e tornar cada jogador suficientemente intermutável para que o ataque deixe de distinguir um blitz de um bluff. Em 2023, Baltimore sofreu 280 pontos, o registo mais baixo da liga, e chegou à final da AFC. A 31 de janeiro de 2024, Seattle escolheu-o para suceder a Pete Carroll. Tinha 36 anos, era o treinador principal mais novo da NFL e assinou por seis épocas.

A primeira equipa em Seattle acabou com 10-7 e ficou fora dos playoffs. A resposta, no defeso de 2025, foi uma aposta que poucos treinadores estreantes fariam: os Seahawks transferiram o quarterback Geno Smith para os Las Vegas Raiders e o recetor DK Metcalf para os Pittsburgh Steelers, contrataram Sam Darnold por três anos e 100,5 milhões de dólares e entregaram o ataque a Klint Kubiak. A aposta resultou. Seattle terminou com 14-3, recorde da franquia, ganhou a divisão Oeste da NFC e garantiu o primeiro lugar da conferência, enquanto a defesa voltava a ser a menos batida da liga, com 292 pontos sofridos. Jaxon Smith-Njigba bateu o recorde do clube com 1793 jardas de receção e foi eleito Jogador Ofensivo do Ano.

Os playoffs pareceram a demonstração de uma tese. Seattle esmagou os San Francisco 49ers por 41-6, resistiu aos Los Angeles Rams por 31-27 na final da NFC e, a 8 de fevereiro de 2026, no Levi’s Stadium, venceu os New England Patriots por 29-13 no Super Bowl LX. A defesa derrubou Drake Maye seis vezes, Uchenna Nwosu devolveu uma interceção para touchdown e Kenneth Walker III correu 135 jardas e ficou com o prémio de MVP. Seattle não perdeu uma única bola em toda a fase final, algo inédito para um campeão. Aos 38 anos, Macdonald tornou-se o terceiro treinador mais novo a conquistar o título, atrás de Sean McVay e Mike Tomlin.

A história do génio defensivo é verdadeira, mas fica curta. Os votantes da Associated Press deram o prémio de Treinador do Ano a Mike Vrabel, precisamente o homem que Macdonald haveria de derrotar no Super Bowl, e a escolha tinha fundamento: o título pertenceu também a um ataque que Macdonald delegou. Kubiak saiu pouco depois da final para ser treinador principal dos Raiders, e o caderno de jogadas ofensivo passou para Brian Fleury, vindo dos 49ers, que nunca tinha chamado jogadas na NFL. A disciplina, que devia ser a imagem de marca do projeto, também estalou. Frente aos Los Angeles Chargers, a 4 de outubro, Seattle cometeu 14 faltas que somaram 150 jardas, recorde da franquia, sete delas pessoais. «Inaceitável a qualquer nível», disse Macdonald. E em setembro o mestre do disfarce revelou mais do que queria: no podcast In Depth with Graham Bensinger contou que, em 2024, Sean Payton ameaçou acusar Seattle de espionagem ao estilo Spygate, depois de os Seahawks estudarem cerca de cem jogadas do estágio de Denver que os adeptos tinham publicado na internet, e que Payton recuou quando Seattle ameaçou avançar para tribunal. Quando o excerto circulou, Macdonald pediu desculpa a Payton por tornar pública uma disputa privada.

A defesa do título começou com a desforra do Super Bowl e um susto. Darnold lesionou-se num glúteo logo na primeira série frente a New England, e Drew Lock fechou a vitória por 13-10. Depois, Lock lançou três passes para touchdown para Smith-Njigba no 31-7 no Arizona. Com Darnold de regresso, três perdas de bola custaram a derrota por 33-31 frente aos Washington Commanders, que pôs fim a uma série de 12 vitórias, antes de o 30-23 aos Chargers deixar Seattle com 3-1.

Fora do campo, Macdonald é casado com Stephanie. O filho, Jack, nasceu em dezembro de 2024; o treinador saiu mais cedo de um treino quando ela entrou em trabalho de parto e anunciou o nascimento no dia seguinte, em conferência de imprensa.

O calendário põe agora à prova as duas metades da sua reputação em cinco dias: os invictos 49ers no domingo, 11 de outubro, e, na quinta-feira, 15, a deslocação a Denver, onde Payton estará do outro lado do campo.

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