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Yahya Abdul-Mateen II: do Emmy por Watchmen ao novo filme de David Fincher

Penelope H. Fritz
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Yahya Abdul-Mateen II
Yahya Abdul-Mateen II
Photo: Eva Rinaldi / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Nascimento15 de julho de 1986
Nova Orleães, Luisiana, Estados Unidos
OcupaçãoAtor
Conhecido porO Grande Showman, Aquaman, Nós
PrémiosEmmy · Prémio do Sindicato dos Atores de melhor elenco num filme · 2 Critics Choice · Theatre World · Black Reel Award de melhor interpretação principal numa série de comédia

Se alinharmos os papéis que deram fama a Yahya Abdul-Mateen II, salta à vista um padrão: muitos pertenciam primeiro a outra pessoa. Doctor Manhattan nasceu da banda desenhada de Alan Moore e Dave Gibbons; Morpheus, do longo sobretudo de Laurence Fishburne; Black Manta, de décadas de histórias da DC; John Creasy, do romance de A. J. Quinnell e do filme protagonizado por Denzel Washington. Construiu uma carreira a dar corpo a figuras que o público já considera suas. A pergunta que continua a pairar sobre esta fase da sua carreira é o que fará com um papel que seja exclusivamente seu.

Tem o nome do pai. Yahya Abdul-Mateen I, nascido John Ford, fazia parte da Masjid of Al-Islam, em Nova Orleães; a mãe, Mary, é cristã, e Yahya é o mais novo dos seis filhos do casal. Passou a primeira infância nos Magnolia Projects da cidade, antes de a família se mudar para Oakland, onde frequentou a McClymonds High School e foi eleito rei do baile de finalistas. Quando Oakland se tornou demasiado cara para a família, mudaram-se para Stockton. Quando começou a representar, recusou trocar o nome por um nome artístico, como explicou sem rodeios à GQ Middle East.

A representação surgiu por acaso para o rapaz nascido em Nova Orleães, a 15 de julho de 1986. Na University of California, Berkeley, estudou arquitetura e correu as provas de barreiras pelos California Golden Bears. Um colega de equipa sugeriu-lhe uma aula de teatro; a aula ajudou-o a ultrapassar a gaguez. Depois de se licenciar, trabalhou como urbanista em São Francisco e só quando foi despedido se candidatou à Yale School of Drama, onde concluiu o mestrado em Belas-Artes.

O seu primeiro trabalho no ecrã foi um papel principal. Em The Get Down, a série da Netflix de Baz Luhrmann e Stephen Adly Guirgis sobre o Bronx nos anos em que nasceu o hip-hop, interpretou Clarence «Cadillac» Caldwell, um príncipe da cena disco, e foi destacado pela crítica. Hollywood começou depois por lhe dar papéis secundários em grandes filmes: um sargento da polícia em Baywatch: Marés Vivas, com Dwayne Johnson e Zac Efron; o acrobata W. D. Wheeler em O Grande Showman; e, para James Wan, o pirata David Kane, que se transforma em Black Manta em Aquaman.

A viragem aconteceu num só ano. Interpretou o pai que surge em flashbacks em Nós, de Jordan Peele, contracenou com Anthony Mackie no episódio «Striking Vipers» de Black Mirror e, depois, assumiu o papel que o definiu em Watchmen, a série da HBO de Damon Lindelof: Cal Abar, marido de Angela, personagem de Regina King, que acaba por se revelar Doctor Manhattan escondido numa vida humana. Em setembro de 2020, o papel valeu-lhe o Primetime Emmy de melhor ator secundário numa minissérie, que dedicou às mulheres negras da sua vida.

A sequência de projetos prestigiados continuou. Em Os 7 de Chicago, de Aaron Sorkin, foi Bobby Seale, cofundador dos Panteras Negras, amarrado e amordaçado num tribunal federal, integrando o elenco que ganhou o prémio do Screen Actors Guild para melhor elenco. Em Candyman, de Nia DaCosta, protagonizou o filme como Anthony McCoy, um pintor de Chicago atraído pela lenda que tenta retratar; o filme estreou-se no primeiro lugar nos Estados Unidos, fazendo de DaCosta a primeira realizadora negra a liderar a bilheteira nacional. Em novembro de 2021, lançou a House Eleven10, uma produtora cujo nome evoca a casa da sua infância em Oakland, e estabeleceu uma parceria criativa com a Netflix. Um mês depois, interpretou Morpheus em Matrix Resurrections, de Lana Wachowski.

O seu percurso tem um ponto fraco, e a indústria continua a pô-lo à prova. Os seus trabalhos mais aclamados estão na televisão ou integrados em elencos e franquias; como protagonista de um filme para o cinema, o historial é menos convincente. Matrix Resurrections deu-lhe o papel de Fishburne numa sequela que dividiu os próprios fãs, e Ambulância, de Michael Bay, com Jake Gyllenhaal, não fez dele um chamariz de bilheteira. Até Candyman, o êxito inequívoco, conta a história de um homem engolido por um mito mais antigo do que ele. O talento para habitar as lendas dos outros poderá ter facilitado às produtoras a decisão de não criarem uma à sua volta.

O teatro deu resposta a uma parte da questão. Em setembro de 2022, estreou-se na Broadway ao lado de Corey Hawkins, numa reposição de Topdog/Underdog, de Suzan-Lori Parks, interpretando Booth, o irmão mais novo, desesperado por dominar o jogo de cartas que o irmão abandonou. Manteve-se em cena até janeiro de 2023, ganhou um Theatre World Award e foi nomeado para o Tony de melhor ator principal numa peça. Em dezembro desse ano, voltou a interpretar Black Manta em Aquaman e o Reino Perdido.

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2026 tem sido o seu ano mais preenchido e mais insólito. Wonder Man, criada para a Disney+ por Destin Daniel Cretton e Andrew Guest, estreou a 27 de janeiro, com Abdul-Mateen no papel de Simon Williams, um ator em dificuldades que esconde os seus poderes numa Hollywood que proíbe pessoas com superpoderes, e Ben Kingsley como Trevor Slattery. As críticas foram favoráveis, a Marvel renovou a série em março e, em julho, cancelou a segunda temporada antes mesmo de abrir a sala de argumentistas; foi o próprio ator quem confirmou a notícia no Instagram. A série valeu-lhe ainda um Black Reel Award e uma nomeação para o Emmy de melhor ator principal numa série de comédia, prémio atribuído a Matthew Rhys na cerimónia de 14 de setembro.

Pelo meio, chegou Homem em Fúria, a série de sete episódios de Kyle Killen para a Netflix, lançada a 30 de abril, que transporta a história de A. J. Quinnell para o Rio de Janeiro e o apresenta como Creasy, um antigo capitão das Forças Especiais devastado pela perturbação de stress pós-traumático. É também produtor executivo, e a crítica foi mais simpática para com o seu desempenho do que para com a série. Em setembro, a Paramount lançou A Qualquer Custo, de Elegance Bratton, em que interpreta Wayne Strider, um jovem agente negro do FBI enviado para o Mississippi em 1966, após o assassínio do ativista pelos direitos de voto Vernon Dahmer, e emparelhado com Greg Scarpa, o criminoso da máfia interpretado por Mark Wahlberg. O filme recebeu críticas divididas, teve dificuldades nas salas de cinema e chegou às plataformas digitais em outubro.

Mantém a vida privada longe dos holofotes. Vive em Nova Iorque e, depois da morte do pai, em 2007, começou a investigar a história da família, incluindo as suas raízes nas Índias Ocidentais, procurando respostas para as perguntas que o pai sempre tivera sobre o próprio pai.

O próximo projeto é As Aventuras de Cliff Booth, o filme de David Fincher baseado num argumento de Quentin Tarantino, com Brad Pitt de regresso ao papel do duplo, em que interpreta Roderick «Hot Rod» Harrison; estreia-se em IMAX a 25 de novembro, antes de chegar à Netflix a 23 de dezembro. Segue-se Liminal, um thriller de ficção científica de Louis Leterrier para a Apple, com Vanessa Kirby, filmado a partir de maio de 2026 em Nova Iorque e Marrocos. São ambos mundos construídos por outra pessoa. O Booth que interpretou na Broadway queria provar que era capaz de dominar o jogo por si próprio, e o ator continua à procura do filme que lhe permita fazê-lo.

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