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Jesse Eisenberg escreveu 13 canções para Julianne Moore em The Debut

Penelope H. Fritz
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Jesse Eisenberg
Jesse Eisenberg
Photo: Jan Beránek / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento5 de outubro de 1983
Queens, New York City, USA
OcupaçãoAtor, argumentista e realizador
Conhecido porLiga da Justiça de Zack Snyder, Mestres da Ilusão, A Rede Social
PrémiosBAFTA · Independent Spirit · Sundance Film Festival Waldo Salt Screenwriting · National Board of Review Award for Best Actor

A Sony ofereceu a Jesse Eisenberg um cachet considerável para interpretar Mark Zuckerberg pela segunda vez, e Aaron Sorkin passou algum tempo a tentar convencê-lo. Eisenberg recusou. O argumentista reconheceu mais tarde que a recusa o apanhou de surpresa: o seu ator, explicou, já não queria ser confundido com o fundador do Facebook. Jeremy Strong ficou com o papel em O Veredito Social. Eisenberg estava ocupado noutra coisa, a terminar um musical sobre uma dona de casa tímida de Nova Jérsia que entra numa companhia amadora e acaba engolida por um papel secundário.

A recusa é a afirmação mais nítida de um projeto que persegue há mais de uma década. Hollywood chamava-o sempre que precisava de um génio inquieto que fala mais depressa do que toda a gente na sala. Ele trabalhou, com paciência, para se tornar quem decide o que essas personagens dizem. O novo filme chama-se The Debut, e as treze canções do espetáculo montado dentro da história são suas.

A ansiedade nunca foi um disfarce. Eisenberg, que nasceu no bairro nova-iorquino de Queens em outubro de 1983 e cresceu em East Brunswick, na Nova Jérsia, foi criado numa família judia laica: a mãe trabalhara como palhaça em festas infantis e o pai conduzia um táxi antes de se tornar professor de Sociologia. Uma perturbação de ansiedade tornava-lhe a escola difícil. O palco facilitava-lhe a vida, porque um papel lhe dava, nas suas palavras, uma forma prescrita de se comportar. Aos sete anos foi Oliver Twist; aos doze, suplente na Broadway.

O primeiro papel principal, em Roger Dodger, surgiu no último ano na Professional Performing Arts School, em Manhattan, e custou-lhe a vaga na Universidade de Nova Iorque; acabou por estudar na New School. Nos anos seguintes tornou-se presença habitual do cinema independente norte-americano, sobretudo como o filho mais velho de um casamento em ruínas em A Lula e a Baleia, de Noah Baumbach. Adventureland e Bem-vindo a Zombieland, estreados no mesmo ano, provaram que o seu humor hesitante também enchia salas.

O papel que o fixou

Depois, David Fincher escolheu-o para ser Zuckerberg em A Rede Social. A Fincher e a Sorkin bastou a gravação da audição, e a interpretação valeu-lhe nomeações para o Óscar, o BAFTA e o Globo de Ouro de melhor ator. Fixou também uma imagem que o perseguiria durante anos: a inteligência cortante e defensiva de um jovem que já decidiu que o leitor pensa mais devagar do que ele.

Na década seguinte trabalhou dos dois lados dessa imagem. O cinema de estúdio pagava as contas: Mestres da Ilusão, em que interpreta o ilusionista J. Daniel Atlas, tornou-se uma saga, e deu voz, na versão original, a Blu, a arara que não sabe voar de Rio. À noite escrevia. O circuito Off-Broadway estreou as suas peças Asuncion, The Revisionist e The Spoils, todas com ele no elenco, e a última chegou ao West End londrino. Publicou textos de humor na The New Yorker, reunidos no livro Bream Gives Me Hiccups. Em O Duplo, de Richard Ayoade, adaptado de Dostoiévski, foi um funcionário apagado perseguido por uma cópia segura de si: o retrato mais exato da cisão que vivia.

O ponto mais baixo chegou sob a luz mais forte. Como Lex Luthor em Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça, de Zack Snyder, compôs um vilão com ar de herdeiro nervoso da tecnologia, e a reação foi tão dura que lhe valeu uma Framboesa de Ouro. Na altura defendeu a escolha, dizendo que tentara tornar a personagem real e cativante; anos depois admitiu que o filme prejudicou a sua carreira. O episódio expôs a armadilha da sua persona. O que tornava credível o seu Zuckerberg, uma inteligência que azeda até ao desprezo, parecia um tique quando um filme de grande orçamento pedia ameaça. Hollywood encontrara-lhe um molde, e o molde tinha teto.

A saída pela escrita

When You Finish Saving the World, adaptado da sua própria ficção sonora, marcou a estreia como realizador de longas-metragens em Sundance, com Julianne Moore no papel de uma mãe em conflito com o filho adolescente, interpretado por Finn Wolfhard, e Emma Stone, sua parceira em Bem-vindo a Zombieland, entre os produtores. Pela mesma altura interpretou Toby Fleishman, um hepatologista recém-separado, na minissérie Fleishman Is in Trouble.

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A Verdadeira Dor mudou o seu estatuto. Escreveu-o durante a pandemia, a procurar locais de rodagem polacos no Google Street View, e reservou para si o papel de David, um pai de família contido que percorre os lugares da memória judaica na Polónia com o primo Benji, imprevisível, interpretado por Kieran Culkin. O filme venceu o prémio Waldo Salt de argumento em Sundance, onde a Searchlight Pictures o comprou por dez milhões de dólares. Culkin ganhou o Óscar de melhor ator secundário; Eisenberg ganhou o BAFTA e o Independent Spirit de argumento e foi nomeado para o Óscar na mesma categoria. Pela primeira vez, o aplauso era para o autor.

O filme era pessoal em sentido literal. A família viveu em Krasnystaw, no leste da Polónia, até à Segunda Guerra Mundial, e em março de 2025 a Polónia concedeu-lhe a cidadania, um passo que associou à melhoria das relações entre judeus e polacos. É casado com Anna Strout, que conheceu na rodagem de um dos primeiros filmes; têm um filho e dividem o tempo entre Nova Iorque e Bloomington, no Indiana, onde Eisenberg angariou perto de um milhão de dólares para a Middle Way House, uma casa de abrigo para vítimas de violência doméstica. A 30 de dezembro de 2025 doou um rim a um desconhecido no centro médico NYU Langone, gesto que o levou à lista TIME100 Health.

The Debut e o que vem a seguir

Chega-se assim a The Debut, inspirado nos seus anos de teatro amador. Julianne Moore é Mona Friedman, uma dona de casa discreta escolhida para Miss Danielle, personagem menor de um musical amador chamado Nosy Neighbors, que se torna fanática na defesa da integridade do seu pequeno papel. Paul Giamatti é Jerry, o encenador autoritário, com Halle Bailey e Bernadette Peters na companhia e o próprio Eisenberg num papel secundário. O filme da A24 estreou-se em Telluride a 5 de setembro, competiu pela Concha de Ouro em San Sebastián, passou por Toronto e pelo Festival de Nova Iorque e encerra o Festival de Cinema de Londres do BFI a 18 de outubro.

Este ano deu ainda voz, na versão original, a Dort, um robô alienígena conquistador, em Minions & Monsters, da Illumination, e em novembro de 2025 regressou como Atlas em Mestres da Ilusão: Nada é o que Parece. O Veredito Social estreia nos Estados Unidos a 9 de outubro com outro ator no papel de Zuckerberg. The Debut chega às salas norte-americanas pela A24 em estreia limitada a 11 de dezembro, alargando no dia de Natal, e ao Reino Unido a 15 de janeiro de 2027. O homem que interpretou o fundador mais famoso da era da internet constrói agora os seus filmes em torno de pessoas que nunca serão famosas.

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